O padre Jucelino de Oliveira, de 58 anos, que já foi condenado por abuso sexual de uma criança em Franca, foi preso temporariamente na noite de sexta-feira, 4, em Praia Grande, no litoral paulista, suspeito de estupro de vulnerável contra uma jovem de 19 anos que atuava como coroinha.
A prisão foi cumprida pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Praia Grande por determinação da 2ª Vara Criminal da cidade. A Justiça também estabeleceu medidas protetivas, proibindo o religioso de se aproximar a menos de 300 metros das vítimas ou manter qualquer tipo de contato.
A defesa de Jucelino informou ao GCN/Sampi nesta terça-feira, 8, que impetrou habeas corpus para tentar revogar a prisão temporária. O processo tramita em sigilo.
“Estamos aguardando a análise e decisão do pedido liminar”, informou o advogado João Paulo Silva Rocha.
Jovem relata abuso durante visita à casa do padre
Segundo o Boletim de Ocorrência, a jovem e o namorado, de 18 anos, também coroinha, frequentavam havia cerca de três meses as igrejas onde Jucelino celebrava missas e passaram a ser convidados para ir à residência do religioso.
A vítima relatou à polícia que o padre insistia para que o casal consumisse bebidas alcoólicas. O suposto abuso teria ocorrido durante uma dessas visitas.
Conforme o depoimento, Jucelino teria abraçado o casal e encostado a genitália na perna da jovem. Posteriormente, aproveitando-se de que o namorado dela estava sonolento após ingerir álcool, teria colocado as mãos por dentro da blusa e do sutiã da vítima.
Ainda segundo o relato, o padre voltou a convidá-la para beber, mas ela recusou.
A jovem afirmou também que Jucelino oferecia presentes e ajuda financeira, incluindo o pagamento da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e recursos para montar um salão de beleza. Segundo ela, o religioso também teria sugerido que o casal fosse morar com ele.
Jucelino administra a Casa Pime, em Praia Grande, ligada ao Pontifício Instituto das Missões Exteriores (Pime), e celebra missas na Capela São João Batista, no bairro Solemar, e na Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, no Jardim Imperador.
A Diocese de Santos informou que tomou conhecimento do cumprimento do mandado e afirmou confiar no trabalho da Justiça para o esclarecimento dos fatos.
Padre foi condenado a 12 anos por caso em Franca
Jucelino já havia sido condenado pela Justiça por abuso sexual contra uma menina de 10 anos. O crime ocorreu em 2006, em Franca, quando o religioso integrava o clero da Diocese de Santo Amaro, em São Paulo.
A sentença foi confirmada em 2009. A Justiça de Franca estabeleceu pena de 12 anos de prisão em regime fechado.
Segundo os registros da época, o processo teve origem em uma denúncia feita pelos pais da criança depois que ela relatou o abuso a uma prima. O padre era parente do pai da menina e frequentava a residência da família.
Natural de Águas Formosas (MG), Jucelino visitava Franca, onde sua mãe residia.
Durante o processo, o então bispo de Franca, Dom Caetano Ferrari, entrou em contato com Dom Fernando Antônio Figueiredo, à época bispo da Diocese de Santo Amaro, para comunicar a denúncia. O padre foi afastado das atividades religiosas e chegou a permanecer preso por cerca de seis meses em 2007.
Posteriormente, conseguiu habeas corpus e aguardou o julgamento em liberdade. Na época, a defesa contestou a acusação e alegou contradições no processo.
Sobre o caso anterior, a atual defesa afirmou que a pena já foi integralmente cumprida.
“Quanto a fatos e processos pretéritos, a Defesa esclarece apenas que foram devidamente resolvidos, com as respectivas sanções integralmente cumpridas e extintas, inexistindo qualquer pendência executória”, afirmou o advogado João Paulo Silva Rocha.
Defesa contesta prisão e pede revogação
Em nota, a defesa ressaltou que a prisão atual é temporária e cautelar e que não representa condenação.
“A Defesa de Jucelino de Oliveira informa que a prisão cumprida em 4 de setembro de 2026 possui natureza temporária e exclusivamente cautelar, não representando condenação ou reconhecimento de culpa.”
O advogado informou que já foi apresentado habeas corpus no STJ (Superior Tribunal de Justiça), com pedido de revogação da prisão temporária e possibilidade de aplicação de outras medidas cautelares.
A defesa também ressaltou que a atual investigação envolve uma pessoa maior de idade e que a classificação jurídica como estupro de vulnerável estaria relacionada, segundo as informações obtidas até agora, a outra circunstância de vulnerabilidade ainda sob apuração.
“Eventuais processos anteriores e a investigação atual são juridicamente distintos. A existência de antecedentes não substitui provas nem autoriza conclusões antecipadas sobre os fatos agora investigados”, diz a nota.
A defesa afirmou ainda confiar na apuração e pediu respeito à presunção de inocência.
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