O amor é de quem sente. Demorei, para aceitar esta verdade. Por muito tempo, dediquei meu afeto às pessoas aguardando retorno e negligenciando a mais primária de suas manifestações: o autoamor.
Como esperar do outro algo que não sinto por mim mesmo? E, ao constatar este fato, como começar a amar-se sem o exercício da autoaceitação plena? E assim, de decepção em decepção, fui compreendendo que o amor precisa ser gratuito. Este pensamento liberta-nos da dependência e permite a liberdade, traduzindo o verdadeiro sentido de qualquer ato amoroso.
Difícil ter bastante humildade para constatar o fato de que nem todos vão nos amar do jeito que achamos que merecemos e isto é um direito de qualquer pessoa. Árdua é a compreensão de que pouquíssimos poderão nos amar incondicionalmente e sem limites estabelecidos. Mais duro ainda é perceber que não basta o amor para que a convivência cotidiana e pacífica seja possível, pois as relações saudáveis se formam a partir de várias condições.
Também é importante pensar que o amor se manifesta de diversas formas e nem sempre a forma como nos é expresso é por nós compreendida. Quando diminuímos expectativas e recebemos, sem exigências, o que o outro pode nos oferecer, encontramos a liberdade de amar e praticamos a mais humana das condições, porque ninguém, absolutamente, vive bem sem amar e ser amado, pelo menos por uma pessoa na vida toda.
O amor enriquece memórias, valoriza a vida e os laços de afeto, dá sentido à nossa história. Porém, se simplesmente o aguardamos no conforto de nossos lares, sem oferecê-lo a quem nos cerca e dele precisa, certamente, nossa vida continuará fria e vazia. Há sempre alguém à nossa volta, que precisa do nosso amor. Olhe bem e se decida a amar, para que sua vida floresça e valha a pena.
José Antônio Pereira é psicólogo e membro da Academia Francana de Letras; Marília Gabriella R. Peres é doutoranda em Educação pela Universidade de São Paulo
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