SABATINAS 2026

'Vamos parar de escolher o menos pior', afirma Guilherme Ubiali

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 37 min
Sampi/Franca
Pedro Dartibale/GCN
Corrêa Neves Jr., jornalista do Portal GCN e Guilherme Ubiali, candidato a deputado federal pelo PSDB
Corrêa Neves Jr., jornalista do Portal GCN e Guilherme Ubiali, candidato a deputado federal pelo PSDB

A defesa de uma mudança na direção da política tributária brasileira, a redução da maioridade penal para 16 anos em crimes hediondos, o fim da escala 6x1, a ampliação da integração entre as forças de segurança e a criação de novas regras para o ambiente digital estão entre as principais posições apresentadas pelo candidato a deputado federal Guilherme Ubiali, do PSDB, durante a sabatina com Corrêa Neves Jr., jornalista do Portal GCN e promovida pelo Franca Tem Voz.

A entrevista foi marcada também por críticas à carga tributária brasileira, à forma como a reforma tributária foi aprovada e ao que o candidato classificou como excesso de influência de grandes grupos econômicos sobre a política nacional. Ubiali defendeu que o país caminhe para um modelo com menor peso sobre empresas e trabalhadores e maior tributação sobre lucros.

Filho do ex-deputado federal Dr. Ubiali, Guilherme afirmou que pretende retomar a trajetória política da família e representar Franca e região no Congresso Nacional. Segundo ele, sua experiência na iniciativa privada, aliada à formação acadêmica em administração, o prepararia para exercer o mandato.

Durante a sabatina, o candidato também falou sobre o tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, especialmente o setor calçadista, e defendeu a abertura de novos mercados como estratégia para reduzir a dependência das exportações para os norte-americanos.

O Franca Tem Voz é uma iniciativa de valorização do voto regional e suprapartidária, idealizada por Acif, Cocapec, Unimed, GCN e Rádio Difusora, com apoio de entidades como CDL, Ciesp, OAB, Sebrae, Uni-Facef, Franca Basquete e Magazine Luiza, entre outras. O objetivo é fortalecer candidaturas com base eleitoral em Franca e na região e ampliar a representação regional na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

Vinte candidatos a estadual e federal com base eleitoral em Franca e região foram convidados para as sabatinas. Dezoitos compareceram, de partidos de direita e esquerda, conservadores e progressistas, experientes e estreantes. Apenas dois faltaram: a delegada Graciela (PL) e o ex-prefeito Gilson de Souza (PSB) não compareceram às entrevistas.

A ordem de exibição e publicação das entrevistas foi definida por sorteio realizado na presença dos candidatos ou de seus representantes.

A sabatina com Guilherme Ubiali pode ser assistida na íntegra no vídeo acima.

A íntegra pode ser também lida abaixo.

A sabatina

A transcrição da sabatina do candidato a deputado federal Guilherme Ubiali, do PSDB, pode ser lida a seguir:

Corrêa Jr. - Olá. Hoje, dentro da série de entrevistas que o Franca Tem Voz promove com os candidatos a deputado federal e estadual com base eleitoral em Franca e região, é dia de conversar com Guilherme Ubiali. 39 anos, casado, dois filhos, um terceiro a caminho, administrador de empresas, experiência no exterior, comerciante, depois dono de farmácia e filho do doutor Ubiali, que é aquela personagem da política francana, foi o último deputado federal eleito em 2006. Depois ele ficou na suplência em 2010, mas acabou ocupando o mandato. Guilherme, é um prazer ter você aqui e eu quero começar entendendo por que você quer seguir a trajetória do seu pai.
Guilherme Ubiali - Olha, Júnior, muito obrigado por estar me recebendo. Obrigado ao Franca Tem Voz, extremamente importante. E está ligado porque eu quero ser deputado. Porque eu quero representar Franca em Brasília e a nossa cidade precisa de representação. E eu sei que eu estou preparado. Mais do que isso, eu sei que eu sou o mais preparado para representar a nossa cidade. Como você falou, eu tenho uma grande experiência na iniciativa privada, além de toda a bagagem do meu pai, que, de certa forma, sempre esteve num time próximo, sempre me acompanhou. E acredito, de verdade, que, como deputado federal, eu poderia fazer muito pela nossa cidade.

Corrêa Jr. - Você falou, de forma não muito modesta, que você é o mais preparado. O que você acha que faz você ser o mais preparado?
Guilherme Ubiali - Olha, Júnior, eu tenho formação em Administração de Empresas na Fundação Getúlio Vargas, tenho MBA, tenho mestrado em Administração de Empresas, e isso é muito importante porque ajuda. O político deveria estudar economia, deveria estudar administração. Eu acho que isso faz toda a diferença como político. Mas, mais do que isso, eu tenho a vivência real de trabalhar no comércio, de empreender, de enfrentar, de empreender no Brasil e enfrentar todas as dificuldades que o empreendedor tem. Então, essa bagagem, agregada à bagagem acadêmica, agregada à bagagem de trabalho de quem realmente viveu na pele das dificuldades do Brasil e a importância de melhorar a economia do país, eu acredito que sim, assim como o mais preparado e aquele que pode realmente cumprir o que é importante para a nossa região.

Corrêa Jr. - Seu pai é um médico que entrou já tarde na política. E que sempre teve um perfil de esquerda, filiado a um partido de esquerda. E vem você com um discurso neoliberal, de direita, no máximo centro-direita para direita. Não é uma extrema-direita, mas é uma direita. Deu problema em casa isso?
Guilherme Ubiali - Olha, Júnior, isso é uma boa pergunta. Naturalmente, é óbvio que eu já discuti com meu pai e tenho opiniões que nem sempre são as mesmas dele. Mas, se a gente diverge em 5% dos temas, a gente diverge 95% deles. Porque o objetivo final, o objetivo mesmo, é o mesmo: é o melhor para Franca, o melhor para o povo, o melhor para a população. Eventualmente, a gente pode discordar na forma, mas não no objetivo.

Corrêa Jr. - Me dê um exemplo desses 5% de divergência.
Guilherme Ubiali - Boa pergunta. Por exemplo, o meu pai, por mais de esquerda, ele tem um viés de um Estado mais provedor. Ele acha que o Estado tem que prover todas as coisas. E eu, por outro lado, já olho isso e falo: olha, nada é de graça. Não existe almoço grátis. Tudo que o Estado dá, ele vai ter que tirar de algum lugar, são os impostos. Então, em algumas situações, eu acho que o Estado tem que evitar gastos e buscar uma economia para que não cobre mais impostos, e ele acha que, às vezes, esses impostos são necessários. Então, isso é um bom ponto onde a gente diverge.

Corrêa Jr. - Vamos aproveitar e entrar nesse ponto de divergência seu com seu pai, porque é uma pergunta que eu já explorei em outras entrevistas dessa série que a gente fez. E eu não encontrei ainda ninguém categórico para dizer o caminho que acredita para a resposta. Para você que está acompanhando, a gente pode definir, como você já... Quem está assistindo já pode ter visto outras. Então, é o que eu já falei aos outros. Vamos dizer que você tem dois grandes caminhos no mundo, considerando as democracias vigentes do mundo hoje, as grandes democracias do mundo. Você pode ter um Estado de bem-estar social, que oferece... A gente tem, especialmente na Escandinávia, até na Escandinávia, na Noruega, Finlândia, Dinamarca, que são países onde realmente o Estado provém muitas das coisas e cobra uma taxa de impostos altíssima. Em alguns países, na casa de 75%. Ou seja, de cada R$ 100 que você ganha, R$ 75 vão para o governo, mas você tem Educação de graça, saúde de graça. O Estado vai te dar saúde, educação etc. Segurança pública, qualidade de vida, aposentadoria boa etc., e você vai pagar 75%... Você tem um outro lado, que são os Estados Unidos, onde você tem ali o liberalismo econômico de fato. E aí agora com o Trump mais ainda. Ou seja, o princípio é: quanto menos o governo intervir na sua vida, melhor. Então, nós não vamos te dar nada. Escolha direita, se vira. Nós não vamos te dar... Não existe SUS, não existe nada parecido. Se vira. Mas, se você for atropelado no meio da rua, a ambulância vai cobrar US$ 3 mil para te levar ao hospital. Se você não tiver plano, você vai perder sua casa. Não tem outro jeito, você vai ter que pagar. E o governo diz: nós queremos receber o seu dinheiro e aí você faz o que quiser com o seu dinheiro. São dois modelos válidos. Acontece que, no Brasil, mesmo à direita, ela tem um pensamento de esquerda. Então, ela critica o estado de coisas. Mas eu não vi ninguém dizendo: eu acho que tem que rever o SUS, eu acho que não tem que ter universidade pública. Eu acho... E aí a ponta não fecha, porque nós temos 36% de impostos, que é uma carga tributária pesada para o brasileiro médio. Todos nós achamos que pagamos muito imposto, mas, comparativamente, ela não é tão pesada quanto em relação a outros países. Ela tem uma média exatamente dos países mais desenvolvidos. E aí a questão é a seguinte: qual é o seu modelo? Você falou que o seu pai quer um Estado mais presente. Então, o que é? O Estado de educação de graça. O Estado de agências de atividades públicas gratuitas. O Estado na segurança. O Estado na saúde. Os federais, em tese, deveriam começar o contrário: cada um se vira etc. Qual que é o modelo? Eu entrevistei outros liberais de direita aqui. E o cara não quer abrir mão de nada, tem que dar tudo. Eu falei: como é que vai pagar?
Guilherme Ubiali - Olha, Júnior, é uma excelente ponderação sua e uma boa pergunta. E eu acho que o grande problema no Brasil é que o Brasil pega o pior dos dois mundos. Então, ele pega uma carga tributária alta, como modelo mais provedor, e ele entrega um baixo serviço. Se o Brasil entregasse um serviço de qualidade, eu não seria tão crítico ao modelo brasileiro. Uma das principais razões de o Brasil ter esse problema, que é imposto alto e pouco serviço, é a corrupção. Então, eu entendo que você tem que trabalhar um modelo que não precisa ser exatamente o modelo americano, mas é um modelo mais próximo do modelo americano, onde você permite que o empresário empreenda, trabalhe e cresça.

Óbvio que existem algumas coisas básicas que não tem como você tirar da população. Ainda mais uma população extremamente dependente. Não tem como você tirar a saúde pública no Brasil hoje. Não tem como você tirar a educação pública no Brasil hoje. Não tem como você tirar, por exemplo, os programas sociais. As pessoas dependem desse tipo de coisa hoje no Brasil. Então, como é a solução? A solução é dada em passos pequenos, mas na direção correta.

Então, eu acho que o primeiro grande ponto do Brasil é a gente acertar a direção. A gente pega o Brasil no último governo, a cada 30 dias o Fernando Haddad aumentou o imposto. Tirou uma isenção, aumentou o imposto, criou imposto. A cada 30 dias teve aumento de imposto no Brasil. A carga tributária aumentou. Então, essa é a direção errada. Nós temos que pegar e virar essa direção urgentemente e parar aumento de imposto. Só disso aí já é uma vitória. Eu não tenho ilusão de achar que o nosso imposto vai cair para 15%. É impossível isso e o impacto seria muito grande. Então, a primeira meta que nós temos que ter: vamos parar de crescer o imposto?

Esse é um compromisso que eu creio. Eu não voto aumento de imposto em cenário nenhum. Você tem candidatos que estão propondo projetos que vão gerar aumento de imposto. Candidatos aqui de Franca. Eu não voto nisso de jeito nenhum. Então, essa é a primeira etapa. Feito isso, a gente tem que olhar o que dá para reduzir. E dá para reduzir muita coisa antes até de afetar as pessoas, porque os grandes bolsões, os grandes gastos do governo hoje não estão no Bolsa Família ou no que chega na população. Está nas isenções que são dadas para grandes multinacionais, está no imposto do bilionário que ele não paga. Então, dá para você não necessariamente diminuir a carga tributária, mas alocar ela corretamente. Não sei se você sabia: a Coca-Cola não paga imposto no Brasil. Eu pago, você paga, você que está nos assistindo paga, e a Coca-Cola, uma multinacional bilionária, usa uma isenção da Zona Franca de Manaus, que é uma coisa que foi criada para desenvolver a região, mas ela usa de uma mágica contábil para não pagar imposto no Brasil inteiro e não só o imposto na zona.

Corrêa Jr. - Então, nesse ponto você diverge de muitos candidatos de direita que acham que não tem que taxar os super-ricos e não tem que taxar os bilionários.
Guilherme Ubiali – Bom ponto. É que existe um imposto, quando a gente fala “vamos taxar os super-ricos”. Existe um imposto que é o imposto sobre grandes fortunas. Esse imposto é errado, por definição. Apesar do nome ser legal e o nome é legal, o conceito é legal, ele é um imposto errado porque é impossível você taxar grandes fortunas, porque simplesmente a pessoa pega o dinheiro aqui e muda para outro país. Isso não quer dizer que a gente não possa taxar os super-ricos. A gente não consegue taxar a fortuna dele porque o dinheiro é móvel, mas você consegue taxar o lucro dele. Porque o lucro dele depende do Brasil e esse é o princípio básico da minha defesa e um dos meus principais projetos.

Melhorar a forma como a gente tributa no Brasil, tirar o imposto do empresário, tirar o imposto do funcionário, que hoje paga muito imposto em folha de pagamento, e passar esse imposto pro lucro. Uma empresa como a Coca-Cola não pode ser isenta de imposto. Isso é um absurdo. Isso é um absurdo. Enquanto um pequeno comerciante paga, alguém que quiser concorrer com a Coca-Cola vai pagar, a Coca-Cola não paga. Isso não é taxa de grande fortuna. Taxar grandes fortunas é impossível. Todos os países que tentaram fazer isso tiveram o seu dinheiro movimentado para fora do país.

Corrêa Jr. - Mas você não é contra o princípio.
Guilherme Ubiali -> Eu não sou contra o princípio.

Corrêa Jr. - Acha difícil aplicar?
Guilherme Ubiali - Não, acho que a forma como está sendo proposta, não é difícil de aplicar, Júnior.

Corrêa Jr. - Mas vamos lá. Vamos pegar um pouco o raciocínio de quem é crítico a esse... Os bilionários, vamos chamar ao clube do bilhão. Eu sempre tento fazer esses filmes, pode estar no que está assistindo aqui, pode ficar um pouquinho errado, mas a proporção é essa. 3,8% dos brasileiros têm uma renda acima de R$ 3 mil por mês. Só 1,8% têm uma renda acima de R$ 10 mil. Só 0,8% têm uma renda de R$ 20 mil. Então você vê que 97% dos brasileiros têm salários de até R$ 3 mil por mês. O que dá uma amostra, se a gente que está numa cidade desenvolvida de um Estado. A realidade do país não tem a realidade do que é o Brasil. Nós estamos falando aqui. E aí, na hora que você vai aos décimos, né, ou você tem 1%, você ganha... Você ganha mais de R$ 20 mil por mês, parabéns. Você ganha mais de 99% dos nossos conterrâneos brasileiros. Essa faixa vai com 0,1%, já ganha R$ 200 mil por mês. Com 0,01%, R$ 2 milhões de reais por mês. Realmente não seria legítimo que esse andar de cima muito alto tivesse algum tipo de taxação maior pelo grupo que vem nas suas operações? 
Guilherme Ubiali - 

Vou te dar um exemplo para complementar esse dado. Esse 0,01% paga 4,75% de imposto, enquanto todo o resto, eu, você e todos que estão assistindo, pagamos 27% de imposto. Porque eles fazem uma engenharia, colocam isso numa holding, colocam isso numa offshore e aí têm uma empresa fora do país, ele não paga imposto. Então é isso que nós temos que combater. Isso é justiça tributária. Isso é justiça tributária de verdade. Não é taxação de grande fortuna. Mas isso que eu estava falando. Quem defende a taxação de grande fortuna é demagogia e sabe que é impossível.

Agora, enfrentar os bilionários é onde está o grande problema. Você pega um exemplo aí do Vorcaro, que é o cúmulo do cúmulo do cúmulo do absurdo que aconteceu essa semana. Onde uma pessoa investigada pela Justiça troca mensagem com um ministro do Supremo Tribunal Federal, perguntando para esse ministro do Supremo se podia fugir do Brasil.

Corrêa Jr. - Se podia segurar o delegado-geral da Polícia Federal ou se ele não podia segurar o Paulo Gonet, o procurador-geral da República.
Guilherme Ubiali - Então, assim, esse é o nível dos bilionários. Esse cara, o cara que pagou R$ 130 milhões para esse ministro do Supremo no contrato,

Corrêa Jr. - Pagou outros R$ 130 milhões para o filme do Bolsonaro.
Guilherme Ubiali - Pagou R$ 130 milhões para o filme do Bolsonaro, que hoje mostra que tinha todos os espectros embaixo dele (Vorcaro).

Corrêa Jr. - Acaba de sair autos confirmados com o Nicolas Ferreira.
Guilherme Ubiali - Então, assim, o que mostra é que essa pessoa tem, em todas as camadas, influência política. Então você acha que a gente consegue tributar esse tipo de pessoa? Essa pessoa sozinha pagaria um imposto de 100 vezes da população de Franca. Para você ter ideia da distância, as pessoas às vezes não têm noção do que nós estamos falando. Fala assim: “Ah, eu sou rico”. Quando a gente fala “os ricos têm que pagar imposto”, não, você que está transmitindo, você não é rico. Você ganha R$ 100 mil, você não é rico. A distância nossa para essas pessoas é assim. O que essa pessoa gastou, o Vorcaro, gastou na festa dele de casamento foi R$ 177 milhões. Provavelmente ninguém nessa sala e ninguém que está assistindo a gente vai ganhar nem 10% disso a vida inteira, nem 10%. Provavelmente nenhum dos candidatos aqui vai chegar (a ganhar tanto), né? Mas isso não é a realidade. Essas pessoas vivem fora da realidade. São essas pessoas que a gente tem que enfrentar e são essas pessoas que dominam o Brasil. E agora, como é que enfrenta isso se, na hora que esse processo vaza para a imprensa, a Procuradoria-Geral da República vai e pede para desconsiderar todas as provas levantadas pela Polícia Federal?

Corrêa Jr. - E o que é mais emblemático é que o procurador-geral que deu a manifestação está no grupo...
Guilherme Ubiali - E o presidente do Senado, que é quem deveria falar “não, gente, vamos investigar, vamos votar o impeachment”, no primeiro dia já falou: “Não, eu não vou pautar o impeachment de ninguém”. Então, assim, como é que a gente muda o Brasil? A gente fala muito de presidente da República. Não é presidente da República que muda o Brasil. O que vai mudar o Brasil é ter um Congresso forte, é ter pessoas lá em Brasília que vão lutar pelas coisas certas, que vão lutar pelo caminho que a gente quer para o Brasil, para buscar um país desenvolvido, um país com mais justiça tributária, com mais justiça social. É isso que eu acredito. E eu não gosto de encaixar isso em caixinhas, esquerda, direita, centro. Para mim, é: o que a gente quer para o Brasil? E, como você viu nesse exemplo que você falou, a corrupção do Vorcaro atinge a extrema esquerda à extrema-direita.

Corrêa Jr. - Eu achei curioso que até o valor é o mesmo. É o contrato que ele faz para o Alexandre de Moraes. A maioria, via a mulher dele, é de R$ 130 milhões. É R$ 130 e pouquinho. O valor que ele dá para o filme do Bolsonaro, Jair Bolsonaro, via Flávio Bolsonaro, é de R$ 130 milhões.
Guilherme Ubiali - E o comentário do Alcolumbre. E o comentário é um absurdo porque, na hora que ele foi questionado, hoje ele pega e fala: “Ah, mas vocês estão aqui me criticando sendo que um filme também recebeu R$ 130 milhões”. A gente que está criticando o filme também agora vai se nivelar por baixo? Já que um lado é corrupto, o outro lado pode ser corrupto? Então eu sempre faço essa crítica, e essa é uma das críticas que o PSDB faz. A gente diz: gente, vamos parar de escolher o menos pior. Vamos parar. Porque quando a gente nivela todo mundo e fala “todo político é corrupto”, sabe a quem você está beneficiando? Ao corrupto. Na hora que você diz “todo político é corrupto”, você beneficia o corrupto.

Porque você está colocando, inclusive, os honestos na mesma cesta. E é isso que a gente não pode. E a gente tem que olhar para essa eleição porque, na minha visão, essa eleição em Franca e esse tipo de oportunidade é fundamental para isso. É o momento da gente olhar duas coisas no candidato. Primeiro, se ele realmente vai representar a nossa cidade. Isso é importante. Franca precisa ter voz. Mas, segundo, se esse candidato está do lado certo da história. Se esse candidato defende as pautas com as quais você acredita. Que em Franca, e eu acredito que isso é uma coisa boa, nós temos candidatos da extrema-direita até a extrema-esquerda. Nós temos um Novo ao Psol, passando por candidatos mais moderados como eu. Eu me vejo como alguém moderado, que consegue olhar e ver coisas boas em todos os lados e olhar em todos os lados para encontrar a melhor solução.

Corrêa Jr. - Vamos lá. Para você, tarifaço. Os efeitos do tarifaço do Trump pegaram no calçado com 37,5% por cento na soma das duas taxações, 25% mais 2,5%. Por sorte, o café ficou de fora, a carne também ficou de fora. Fruta, a gente produz pouco aqui, mas pegou o volume do calçado. Primeiro, na sua opinião, o que é a culpa pelo tarifaço e, segundo, como enfrentar isso na posição de deputado federal? O que você poderia fazer ou como se posicionaria?
Guilherme Ubiali - Olha, eu acho que o tarifaço tem dois culpados. Os dois lados são culpados. Está culpado o grupo do Bolsonaro, que provocou o máximo Trump para ter uma reação contra o Brasil, e está culpado o governo federal, que não teve habilidade para negociar. Isso, para mim, os dois lados são igualmente culpados e deveriam ter se unido para resolver o problema e não continuar aumentando o problema, como fizeram, jogando a culpa um no outro. Como que se resolve isso? Qual que é a melhor solução? Infelizmente, o Trump não vai baixar essa tão fácil. Quando você fala “ah, por sorte, café e carne ficaram fora”, não foi por sorte. O Trump não é bobo. Ele sabia que eles seriam os mais impactados. Sorte para nós, sorte para nós.

Corrêa Jr. - Mas foi uma decisão estratégica ligada ao preço do consumidor. É o maior consumidor do mundo.
Guilherme Ubiali - Exato. Então ele fez uma decisão. Ele faz uma decisão estratégica e mostra que é uma decisão de longo prazo. Então, assim, não tem uma expectativa de ser revertido no curto prazo. E como é que a gente resolve isso?

A gente precisa de novos mercados. Então, eu trabalhei com exportação um tempo e eu sei que os Estados Unidos, apesar de ser um grande parceiro, existe muita oportunidade, principalmente aqui na América Latina. A América Latina hoje já supera os Estados Unidos em compra de calçado, e você tem também oportunidade na Europa, oportunidade na Índia, oportunidade na China. Então, o que cabe ao Brasil é pegar a Apex, que hoje é a agência responsável por fomentar a exportação, e fortalecer essa conversa.

As medidas compensatórias, como benefícios fiscais, são insuficientes e temporárias, não resolvem o problema. Você tem que conseguir novos mercados. E a Apex tem até um escritório em Ribeirão Preto e não tem um escritório em Franca. Eu tentei trazer esse escritório, mas, sem ter um deputado federal, é muito difícil ser ouvido nisso. Isso é uma das coisas que eu vou lutar, se eu for eleito, para ter um escritório da Apex em Franca e não em Ribeirão Preto. O escritório de Ribeirão Preto abrange mais de 50 cidades, 60 cidades. Então, nós precisamos ter em Franca esse escritório para abranger a nossa região. Já foi no passado, já foi discutido de ter em Franca. No passado acabou se estabelecendo em... Não há por que não ter em Franca. É uma das lutas que a gente tem que buscar.

Corrêa Jr. - Fim da escala 6x1 está em discussão no Congresso Nacional nesse instante. O projeto está em discussão na CCJ, mas aí tem a dúvida se pauta para votar antes da eleição ou não. Qual é a sua opinião? É contra ou a favor do fim da escala?
Guilherme Ubiali - O fim da escala 6x1 é inevitável e faz parte de uma evolução como sociedade. Nós temos um Brasil hoje onde as pessoas trabalham muito e precisam ter mais oportunidade de lazer. Eu faço escala 7 por 0. Eu sou empresário, trabalho lá sexta, sábado, domingo e segunda, e é puxado para mim. Quando a gente tem a oportunidade de ter um pouco de descanso, faz diferença. A minha equipe faz 6 por 1 e eu gostaria que eles tivessem mais oportunidade. Sabe por que eu não faço? Os meus concorrentes não fazem.

Então, o futuro é isso. O que eu acho que é errado, onde está a minha crítica ao programa do governo, é que ele é extremamente eleitoreiro e, por isso, que eles querem aprovar antes da eleição para tentar ganhar voto com isso e não porque eles acham que está sendo feito da forma correta. E, consequentemente, ele está sendo feito precipitado, sem transição e sem compensação. Então, a minha crítica não é a mudança. Tem que mudar para 5 por 2, mas tem que ter um período de transição, um período de transição maior para quem é pequeno empresário. Por que quem mais vai sofrer é uma grande multinacional? Não. Elas conseguem adaptar isso fácil.

Mas o pequeno empresário não consegue. Então precisa ter uma transição maior para ele e precisa ter compensação. Hoje, a folha de pagamento é um dos maiores fatos, o imposto sobre a folha de pagamento é um dos maiores pesos de uma empresa hoje. O funcionário recebe R$ 2 mil, R$ 2,5 mil na conta, só que ele custa R$ 4 mil para a empresa. Onde que vai para esse restante? Vai para um monte de coisa, inclusive para governo, para Sistema S, para INSS. Assim, não faz sentido tributar a folha. É a grande oportunidade que o Brasil tem de falar: “Ok, nós queremos reduzir para 5 por 2, mas nós vamos compensar isenção na folha dos funcionários”. Deixando o custo de contratação mais baixo, compensando que o empresário, aí ele consegue contratar. Aí sim ela tem o impacto que o governo quer, que é de gerar mais empregos.

Corrêa Jr. - Você acha que a aplicação dela deveria ser diferente?
Guilherme Ubiali - Eu acho que todo mundo acha, Júnior.

Corrêa Jr. - Por que não está sendo discutido dessa forma?
Guilherme Ubiali - Por eleição. O populismo é um dos maiores males do Brasil. Como os deputados querem ser reeleitos, os senadores querem ser reeleitos, eles estão votando algo que eles sabem que vai impactar, e o impacto só vem depois da eleição. Então, eles não estão preocupados. Qualquer esse tipo de demagogia a gente tem que lutar sendo deputado federal, caso seja eleito.

Corrêa Jr. - Tem aí por volta de R$ 40 milhões a R$ 42 milhões por ano em emendas parlamentares impositivas, que são do parlamentar, o deputado destina para onde ele quiser. Metade tem que ir para a saúde, metade vai para outras áreas. Como é que você vai distribuir esse dinheiro se estiver em Brasília?
Guilherme Ubiali - 100% do meu orçamento vai ficar em Franca e região. Esse é o primeiro compromisso. Por quê? Porque é aqui que é a minha base eleitoral. Não adianta nada uma pessoa vir aqui falar que é de Franca, vir aqui nessa parte da campanha, ter 10 mil votos em Franca e 100 mil votos fora e não priorizar Franca.

Corrêa Jr. - Você está criticando o Cortez?
Guilherme Ubiali - Eu tenho várias críticas ao Cortez e essa é uma delas: finge que é de Franca. É de Franca? Não. Todo mundo sabe. Tem um... É de Franca, que só estudou aqui, todo mundo sabe que as emendas dele vão para fora. Ele é tão...

Essa argumentação dele é tão falsa que, no santinho, ele põe que mandou R$ 20 milhões para Franca. Eu fui checar e observei que tem um asterisco no santinho dele: “Franca e região”. Para Franca mesmo, ele mandou R$ 6 milhões, enquanto a Graciela mandou R$ 40 milhões. O restante foi para a região. E a região ele inclui Ribeirão Preto, inclui Orlândia, inclui várias outras cidades e não tem nada a ver com Franca. Então, a gente precisa ter gente que é verdadeiramente de Franca. Se eu for eleito, acredito que serei eleito com os votos de Franca e não do restante do Estado. Então, as minhas emendas ficarão em Franca. E como que eu vou distribuir essas emendas? R$ 20 milhões é para a saúde. Saúde precisa. A saúde de Franca... Nós temos um hospital que não começa a funcionar por várias razões. Uma delas, por falta de investimento em equipamento. Não adianta ter o prédio, você tem que ter o equipamento para aquilo funcionar. Então, esse recurso vai ajudar outro hospital, vai ajudar o NGA, vai ajudar na contratação de médicos, vai ajudar na estruturação das UPAs.

Então, esses R$ 20 milhões vão ficar na saúde. Lembrando que isso é por ano. E os outros R$ 20 milhões? Aí eu vou... Muita coisa que eu quero enviar para a questão de desenvolvimento econômico, muita coisa eu quero enviar para a questão de infraestrutura, porque eu acho que isso faz falta da nossa região e vai ajudar muito a nossa cidade, todos os municípios da região.

Corrêa Jr. - A PEC de Segurança pública está sendo discutida também, está andando no Senado nesse momento. O governo disse que é uma forma de integrar as forças policiais do Brasil sob coordenação do governo federal. Os governadores dizem que sentem que podem perder o comando das suas próprias polícias. Muita gente acha que o caminho é essa integração. Você é contrário ou a favor? Você votaria contra?

Guilherme Ubiali - 100% a favor. E a maioria das pessoas que entende de segurança pública defende. Tanto que esse projeto teve mais de 400 votos a favor e um único partido foi contra esse projeto, o Psol. Por quê? Porque todo mundo sabe que esse projeto é fundamental. Não faz sentido não haver integração entre as polícias. Então, o cara comete um crime aqui em Franca, pelo lado de Minas Gerais, e ele vai se esconder em Cássia e pronto? A polícia de Cássia não sabe que ele está lá. Gente, é óbvio que tem que integrar. Não faz o menor sentido ser contra isso. Quem é contra isso, a única razão de ser contra isso, como o Psol é contra, é se você não quiser combater o crime. Não tem outra razão.

Corrêa Jr. - Mas o governador Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado, Zema eram contrários também.

Guilherme Ubiali - Se eles fossem contrários de verdade, o projeto não tinha sido aprovado por 417 votos. É só discurso, na verdade, discurso para a polícia local. Todo mundo sabe que isso é importante. Os governadores do Brasil, se forem contra qualquer projeto desse, ele não passa na Câmara.

Porque o Tarcísio tem 70 deputados ali que dependem dele. Cada um desses governadores tem uma série de deputados que dependem deles. O que eles criticam no projeto é a perda de autonomia, mas é completamente possível haver compartilhamento de dados sem perda de autonomia. Isso pode ser ajustado, como foram ajustadas várias coisas no projeto. Foi aprovado por imensa maioria, só foi conta de quem não quer combater o crime.

Corrêa Jr. - Maioridade penal é outro assunto que dá essa discussão no Brasil. Muita gente propõe a redução, outro grupo grande é contrário. Você defende ou não a redução da maioridade penal?

Guilherme Ubiali - Sou 100% a favor da redução da maioridade penal para 16 anos e eu vou te dizer um exemplo. Poucas pessoas sabem, mas há alguns anos eu sofri uma tentativa de homicídio. A pessoa deu um tiro. Esse tiro bateu 10 centímetros de distância de mim, passou do meu lado. Foi num assalto. Foi um assalto. Ele chegou e deu um tiro. Esse tiro foi 10 centímetros de distância de mim. Por 10 centímetros um tiro de calibre 12 não me acertou. Se tivesse me acertado, eu teria morrido. E a pessoa que atirou estava solta porque tinha 17 anos na época.

Faz sentido isso no Brasil? Faz sentido uma criança protegida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, de 17 anos, andar armada, dar tiro nos outros e não ser punida por isso? Eu acho que não. Eu acho que a redução da maioridade penal tem que acontecer. E aqui eu vou falar de outro: por que ela não acontece? Por causa dos partidos de extrema-esquerda no Brasil. Especificamente, o pessoal já falou várias vezes que, se o tema for pautado, ele vai parar o Congresso. Eu sou 100% a favor da redução da maioridade penal para crimes hediondos e para 16 anos.

Corrêa Jr. - 16 anos e crimes hediondos. É. Porque tem gente propondo, por exemplo, redução mesmo para crianças.

Guilherme Ubiali - Eu acho que uma criança de oito anos não comete um crime de maneira consciente. Mas um rapaz de 17 que põe na porta da minha casa ou que vai na porta da casa de qualquer um de vocês com uma arma, ele sabe o que está fazendo.

Corrêa Jr. - Crimes contra a vida ou tentativa de crimes contra...

Guilherme Ubiali - Exato. O furto, essas coisas, acho que a gente pode continuar trabalhando da maneira como está.

Corrêa Jr. - Reforma tributária está aí, né? Vai começar hoje... O governo adiando aí o...

Guilherme Ubiali - É aquela parte que eu conversei, não sei ainda de cabeça, a sequência não ser seguida, mas as coisas que todos os candidatos sobre isso é a grande dúvida, né? É aquele Split payment, em tese, aí o seu Pixzinho que você recebe, você que é o pequeno empreendedor, outra cidade, é que você faz compra de aplicativo ou você vende o bolo, tem uma confecção e aí recebe muito por Pix. Isso aí ia ficar retido, esse dinheiro, a parte do imposto, até que você explicasse se era devido ou não. Retém primeiro e devolve depois. Isso foi adiado para 2028, pelo menos.

Corrêa Jr. - Em linhas gerais, a reforma tributária é boa ou ruim pra você?

Guilherme Ubiali - Júnior, para mim a reforma tributária é a prova de tão ruim é o nosso Congresso brasileiro. O Congresso não leu a reforma quando ele aprovou ela. Os deputados não leram o projeto que eles votaram, porque, se tivessem lido, não teriam aprovado. Eu sou a favor da reforma tributária, da simplificação que a reforma tributária traz, e acho o Split payment uma atrocidade. Eu sou comerciante. Recentemente, o governo de São Paulo fez uma alteração no imposto e ele parou de cobrar um imposto na fonte que eu já tinha pago e passou a cobrar na saída. Então, eu estou pagando duas vezes o mesmo imposto. Falei para o meu contador e falei assim: “Olha, eu quero receber”. Então, você tem direito a receber, que é o exemplo do Split payment. Ele cobra antes e depois você tem que provar que é seu aquele dinheiro que ele cobrou errado. Aí eu falei para o contador: “Ótimo, eu estou com problema de fluxo de caixa, vai me ajudar muito. Que dia que sai? Semana que vem? Na outra?” E não. São dois anos com o Estado para te devolver esse dinheiro. Gente, isso não faz o menor sentido. O governo cobrou errado, mudou a regra e vai demorar dois anos para me devolver o meu dinheiro. O Split payment é isso. Qualquer Pix que cair na sua conta, o governo vai tirar 18%, 20%, dependendo do que você está configurado, até 28%, e depois você vai ter que...

Corrêa Jr. - Não entenderam o horror. Imagina assim: você, a gente chama de Pix hoje em dia. 90% das movimentações financeiras são via Pix, né? Mas o dinheiro caiu na sua conta, o governo retém primeiro. Aí você tem que explicar aquilo ali.

Guilherme Ubiali - A gente sabe lá quanto tempo você vai demorar para provar isso.

Corrêa Jr. - E aí, em tese, para qualquer valor. Então, sei lá, a mesada que você deu para o seu filho pode... O Haddad, quando eu conversei com ele, que eu entrevistei, ele disse que não é bem assim.

Guilherme Ubiali - O Haddad é outro que, quando foi aprovado, não entendeu o que estava sendo votado. O Congresso recebeu, votou e não leu. Mas eu vou te dar um exemplo assim... Você é um comerciante, você está ali, você faz uma venda. Beleza. Você fez uma venda de R$ 1 mil. 28% já está aí. Só vai cair na sua conta R$ 720. Aí essa pessoa foi embora com o produto, tal, ou então ela pegou e, por alguma razão, às vezes entre duas empresas, por exemplo, você pegou e ele cancelou a venda. Aí você tem que devolver para ele os R$ 1 mil. Só que você só recebeu R$ 720. E ele lá... “Eu vou receber R$ 720 de novo porque caiu outro Pix na conta dele”. É como se fosse o IOF que todos nós lembramos. Só que começou com o imposto cheque. Só que o IOF não é de 0,01, e sim o IOF de 28%. Isso é uma loucura. Eu acho que vai ser adiado. Foi adiado e acho que vai ser adiado de novo. E, se depender de mim, nunca vai ser implantado. Existem diversas maneiras de ser mais inteligente, mais eficiente, sem precisar fazer uma atrocidade dessa.

Corrêa Jr. - Regulação das Big Techs também é um tema que muita gente tem opinião, ainda que não tenha conhecimento. No seu caso, você acredita que precisa de uma regulação mais efetiva ou não?

Guilherme Ubiali - Júnior, eu acho que tanto o tema de Big Tech como o tema de inteligência artificial, de deepfake, golpe, fraude, precisa de uma legislação nova. Hoje todas as decisões tomadas pelo Judiciário nesses temas estão sendo baseadas em leis que foram criadas em 1980, 1990, quando não se pensava nesse mundo. Então precisa de uma atualização dessa lei.

Atualização dessa lei não significa cortar a liberdade de expressão. Se a atualização dessa lei limitar as pessoas a falarem o que elas pensam, por exemplo, a fazer uma crítica ao Supremo, aí não faz sentido nenhum. Mas que precisa de uma atualização, precisa.

Corrêa Jr. - Você tem direito de criticar, mas pode ser responsabilizado pelo que você disser. Como você é no dia a dia.

Guilherme Ubiali - No dia a dia...

Corrêa Jr. - E para remover conteúdo, por exemplo, teve essa menina que se matou durante uma live do Discord, que não tinha mecanismo de...

Guilherme Ubiali - Você precisa ter uma lei que permita o Judiciário atualizar. Então, o Judiciário pega outras leis que não têm nada a ver, que foram feitas em 1980... Porque o Brasil está sendo atrasado. Esse aí não... Quem falou não fui eu. Quem falou isso foi o presidente da Nvidia, a maior empresa de tecnologia do mundo hoje. Ele falou, produziu e falou assim: “O Brasil está sempre atrasado”. Então, nós novamente estamos atrasados nesse tema.

Corrêa Jr. - Vamos lá. Pinga-fogo. Parte final aqui, Guilherme, mas antes uma pergunta importante sobre o país ter passado por uma tentativa de golpe de Estado ou não? Por quê? O 8 de janeiro é o capítulo final? 

Guilherme Ubiali - Existiam pessoas com vontade de dar um golpe de Estado. As pessoas não conseguiram chegar a executar ou andar com isso. Aquelas pessoas do 8 de janeiro eram apenas pessoas simples que estavam ali manipuladas com notícias falsas, por histórias falsas, por enganação e que acabam sendo vítimas.

Corrêa Jr. - O brigadeiro Carlos Baptista Júnior, comandante da Aeronáutica no plano de Bolsonaro, acaba de escrever um livro agora chamado “Eu Digo Não”, onde ele relata esses meses. Ele relata pelo menos 18 reuniões do Bolsonaro, Jair, com a cúpula militar, Forças Armadas, com Marinha, Exército, Aeronáutica, Estado-Maior, e ele disse claramente que Bolsonaro queria impedir a posse do presidente eleito. E ele disse que, no final, na última reunião que tiveram ali, já em novembro, dezembro, então depois da vitória do Lula, Bolsonaro chega com uma reunião com eles com a minuta do golpe. E aí prevê estado de exceção, anulação das eleições, prisão do Lula e do Alckmin, prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal e a criação de um governo militar no com a de 64. O comando do governo e haveria uma nova eleição em X dias, sem Lula, só com o Bolsonaro concorrendo. E ele disse que, nesse momento, o almirante Garnier disse: “Ó, presidente, a Marinha está contigo. Conte conosco”. E ele, Baptista Júnior, disse: “Presidente, neste documento que o senhor vai me entregar, existe algum mecanismo que impeça a posse do presidente eleito?” Bolsonaro disse que sim. Então, ele não recebeu. E aí o Freire Gomes, ministro do Exército, disse: “Presidente, se o senhor continuar esse curso, assim terei que prende-lo”. E aí que a gente tem uma tentativa de golpe.

Guilherme Ubiali - Aí a gente vai entrar em semântica. Na minha intenção, no meu entendimento, existiam pessoas que gostariam de dar um golpe de Estado, impedir que o eleito... Por exemplo, vou te dar um exemplo. A gente pode estar aqui discutindo a possibilidade de matar alguém, mas, para isso se virar uma tentativa de assassinato, você tem que dar o tiro.

Corrêa Jr. - Mas o crime não é golpe de Estado? O crime no Brasil é a tentativa de golpe de Estado mesmo, porque você não tem que... juridicamente é aceitável.
Guilherme Ubiali - E é aceitável? Não. Essa situação é um absurdo. Eu sou um admirador do general que disse não. Acho que, se não fosse ele, talvez tivesse tido uma tentativa real de golpe de Estado. Mas, na minha forma de ver, é semântica. Eu acho que existiu a intenção de golpe de Estado. A tentativa, para mim, teria que... juridicamente, para ter crime, ele teria pedido o... E aí a gente teria tido uma tentativa de golpe de Estado e, eventualmente, não um golpe de Estado de fato.

Corrêa Jr. - Vamos lá. Pinga-fogo. Perguntas rápidas. Se responde sim ou não ou, no máximo, uma definição muito curta. Anistia ampla ao 8 de janeiro.
Guilherme Ubiali - Não.

Corrêa Jr. - Fim da escala 6x1.
Guilherme Ubiali - A favor do fim da escala 6x1.

Corrêa Jr. - Supersalários acima do teto constitucional.
Guilherme Ubiali – Não, absurdo.

Corrêa Jr. - Legalização do aborto.
Guilherme Ubiali - Não.

Corrêa Jr. - Nem nas formas previstas em lei hoje?
Guilherme Ubiali - Na forma prevista, sim.

Corrêa Jr. - Retaliação comercial aos Estados Unidos pelo tarifaço?
Guilherme Ubiali - Não.

Corrêa Jr. - Redução da maioridade penal.
Guilherme Ubiali - Sim.

Corrêa Jr. - Regulação das Big Techs?
Guilherme Ubiali - Acho que precisa discutir isso.

Corrêa Jr. - Reforma administrativa, mudando a estabilidade do servidor público.
Guilherme Ubiali - Não.

Corrêa Jr. - Você defende a estabilidade do servidor público?
Guilherme Ubiali - Eu defendo e defendo o que acho que a gente pode discutir: é o tamanho do Estado, a quantidade e o que pode ser terceirizado e precisa ser feito pelo Estado. Mas aquele que é servidor de carreira precisa ter estabilidade, porque, senão, troca o político, troca o prefeito e troca todo mundo. Não dá certo.

Corrêa Jr. - Mandato fixo, com prazo determinado, para ministro do Supremo?
Guilherme Ubiali - Com certeza.

Corrêa Jr. - Reeleição para presidente?
Guilherme Ubiali -> Sou contra.

Corrêa Jr. - Para todos os cargos?
Guilherme Ubiali - Mandato único para todos os cargos.

Corrêa Jr. - Estado laico?
Guilherme Ubiali - Sou a favor do Estado laico.

Corrêa Jr. - Guilherme Ubiali, tem suas considerações finais.
Guilherme Ubiali - Quero agradecer você, Júnior, a Acif, Cocapec, Unimed, Difusora, GCN, por esse momento e principalmente a você, que está de casa, que está assistindo isso. Espero que você tenha me conhecido um pouco melhor, conhecido um pouco das minhas ideias e considere votar em mim. Guilherme Ubiali, 4515, nessa eleição, para representar Franca, representar São Paulo em Brasília.

Corrêa Jr. - Obrigado, Guilherme. Boa sorte.
Guilherme Ubiali - Obrigado.

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