Criação de mandatos com prazo definido para ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), redução da maioridade penal para 16 anos e adoção de medidas para restringir o uso de smartphones por crianças e adolescentes. Essas são algumas das bandeiras defendidas pela candidata a deputada federal Cynthia Milhim, do MDB, durante a sabatina com Corrêa Neves Jr., jornalista do Portal GCN, promovida pelo Franca Tem Voz, iniciativa que reúne entidades, empresas e veículos de comunicação com o objetivo de defender o voto em candidatos de Franca e região nas eleições de 2026.
Durante a sabatina, Cynthia Milhim afirmou ser contrária à adoção de retaliações ao tarifaço dos Estados Unidos e defendeu a desoneração temporária do setor calçadista, uma das principais atividades econômicas de Franca. A candidata também se posicionou favoravelmente ao fim da escala 6x1, à dosimetria das penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro e à regulamentação, em vez da proibição, das apostas esportivas.
O Franca Tem Voz é uma iniciativa que reúne entidades, empresas e veículos de comunicação com o objetivo de estimular o voto em candidatos de Franca e região nas eleições de 2026. Idealizada em conjunto pela Acif, Cocapec, Unimed, Portal GCN e Rádio Difusora, tem apoio de entidades como CDL, Ciesp, OAB, Sebrae, Uni-Facef, Franca Basquete e Magazine Luiza, entre outras. O objetivo é fortalecer candidaturas com base eleitoral em Franca e na região, garantir a eleição de um deputado federal e ampliar a bancada de deputados estaduais na Alesp.
Vinte candidatos a estadual e federal com base eleitoral em Franca e região foram convidados para as sabatinas. Dezoito compareceram, de partidos de direita e esquerda, conservadores e progressistas, experientes e estreantes. Apenas dois faltaram: a delegada Graciela (PL) e o ex-prefeito Gilson de Souza (PSB) não compareceram às entrevistas.
A ordem de exibição e publicação das sabatinas foi definida por sorteio na presença dos candidatos ou representantes.
A sabatina com Cynthia Milhim pode ser assistida na íntegra no vídeo acima.
A íntegra pode ser também lida abaixo.
A sabatina
A transcrição da sabatina da candidata a deputada federal Cynthia Milhim, do MDB, pode ser lida a seguir:
Corrêa Neves Jr. - Na série de sabatinas que o Movimento Franca Tem Voz promove com os candidatos a deputado que tenham base eleitoral em Franca ou região, hoje é dia de conversar com Cynthia Milhim. Cynthia, é um prazer ter você aqui. Primeira-dama da cidade, 48 anos, advogada e especialista em PNL, em treinamento de comportamento. Como é que uma advogada se transforma em especialista em PNL e depois decide disputar uma eleição?
Cynthia Milhim - Muito bem. Primeiro, agradecer essa oportunidade, Júnior. Obrigada. Este espaço para a nossa cidade, nossa região, faz toda a diferença. E eu tenho dito, por onde passo, que Franca Tem Voz possivelmente vai salvar a nossa região, esse voto ficando aqui, com esse trabalho de vocês. Então, primeiro, agradecer. Segundo, dizer que essa jornada, a advocacia, Júnior, não foi uma escolha do coração. Ela foi aquilo que dava para eu fazer naquele momento da minha vida, porque eu sempre trabalhei, desde os 14 anos, e aí eu cheguei no momento em que eu quis fazer uma faculdade.
Corrêa Jr. - Qual foi o seu primeiro emprego?
Cynthia Milhim - Eu fui a primeira funcionária da Le Postiche quando o shopping abriu.
Corrêa Jr. - Você trabalhou ali no shopping como vendedora?
Cynthia Milhim - Eu trabalhei no shopping como vendedora. Depois trabalhei na Bunny’s como vendedora, na 775, isso muito jovem. E aí, quando chegou na época do vestibular, eu precisava fazer algo que eu pudesse continuar trabalhando e, por isso, essa opção do Direito. Fui muito feliz no Direito, advoguei e sou advogada ainda, há quase 25 anos. Mas você vai começando a observar que precisava… Tinha alguma coisa ali dentro que pulsava. Tanto é que eu era uma boa advogada conciliadora, eu era uma boa advogada no sentido de acertar os acordos do ganha-ganha.
Corrêa Jr. - Você preferia o acordo ao litígio?
Cynthia Milhim - Eu sempre fui uma advogada assim, sabe? Eu acho que um bom acordo em que ambas as partes ou ganham mais ou perdem menos é sempre melhor do que o embate. Mas, se tiver que ir para o embate também, a força é muito grande para ir. Mas aí, um dia, eu precisava olhar para uma situação pessoal minha, muito forte, que estava me causando uma angústia e eu não estava achando… Sou uma pessoa muito alegre, Júnior, sou uma pessoa muito positiva, de movimento, e aí chegou o momento da minha vida em que eu estava ali sem esse movimento e sem tanta alegria. Foi quando um cliente meu da advocacia falou assim: “Vai fazer isso aqui, porque o que eu fiz foi muito bom.” E sabe aquele cliente que você tem que obedecer porque é um ótimo cliente?
Corrêa Jr. - Sim, sim.
Cynthia Milhim - É esse cliente. E aí eu fui. Quando eu vivi uma imersão ali que tinha na sua base metodológica…
Corrêa Jr. - Então, você foi como cliente primeiro?
Cynthia Milhim - Eu fui como cliente. Ali, Júnior, uma tela, uma cortina se abriu. Eu comecei um processo de olhar para dentro de mim que eu nunca tinha feito na minha vida, não sabia que existia. Comecei a acertar alguns detalhes, algumas arestas internas, entendi o que é uma reprogramação mental, entendi como é que a gente instala as nossas crenças. A gente não acorda inseguro, a gente não nasce, desculpa, a gente não nasce inseguro, a gente não nasce medroso, a gente não nasce com alguns comportamentos que, às vezes, a gente vai desenvolvendo ao longo da nossa vida. Então, se a gente imprimiu ali aquela programação, a gente consegue reprogramar. Então, aquilo me despertou numa intensidade muito grande. Aí comecei uma série de formações e hoje eu trabalho… O principal é acabar com essa coisa chamada crença limitante. A gente instala crenças o tempo todo. “Não posso”, “não devo”, “não é permitido”, “não mereço”, “isso não é para mim”, enfim. Mas isso a gente faz o tempo todo, só que as maiores crenças nossas foram instaladas na nossa primeira e segunda infância. Então, tem muita coisinha ali que, às vezes, a gente tem consciência, às vezes não, mas que a gente precisa olhar. E aí, quando eu fiz isso, fui descobrindo uma Cynthia…
Corrêa Jr. - Você deixou a advocacia e migrou para isso?
Cynthia Milhim - Eu acabei migrando, porque aí abri meu instituto. Hoje tenho meus treinamentos, faço meus treinamentos com as empresas, com outras pessoas. Então, descobri uma nova versão em tempo.
Corrêa Jr. - Mas não é uma terapeuta, é um treinamento de comportamento.
Cynthia Milhim - Não, não é terapeuta, não. Eu não sou terapeuta. Não atendo individualmente, não tem sessão, não é psicanálise. É um treinamento. Treinamento comportamental, liderança, reprogramação de pensamento. Como é que você pode pensar algo que vai te trazer um resultado e não uma limitação?
Corrêa Jr. - E como é que essa treinadora de comportamento resolve ser agora representante de Franca e região no Congresso Nacional?
Cynthia Milhim - Ah, Júnior, é assim. A gente também, quando trabalha nesse segmento, é movido a desafios. Eu gosto de desafios, trabalho com desafios, encorajo pessoas a aceitarem desafios. Então, trabalho esse medo que paralisa as pessoas. E eu acho que, quando a gente sente que existe um chamado ali, a gente precisa dar o seu sim, e eu estou preparada para isso. Mas o fato é um só. Eu sou casada há 23 anos com o Alexandre, eu vivo administração pública há 23 anos, porque, desde que eu estou casada, ou ele está secretário, ou ele está prefeito. Então, eu vivo isso, eu sei o que é um bastidor, eu sei o que é você ter cinco pessoas numa casa e mil reais para sustentar as cinco pessoas. Porque essa é a metáfora exata que Franca vive. Nós temos cinco pessoas numa casa e mil reais, gente! E é isso que acontece. A gente tem muita vontade de fazer muitas coisas, a gente tem necessidade de fazer muitas coisas, mas nós não temos o dinheiro suficiente para fazer tudo aquilo que a gente sabe que pode fazer.
Corrêa Jr. - Como é que foi essa conversa com ele? A primeira vez que você falou: “Cara, agora eu vou”?
Cynthia Milhim - Eu sempre gostei muito de política, Júnior. E os bastidores, você já deve ter ouvido em algum momento.
Corrêa Jr. - Eu já falei algumas vezes nos meus programas ou textos que eu acho que você é mais política que o seu marido, que o prefeito Alexandre Ferreira.
Cynthia Milhim - Eu gosto de projeto, eu gosto de execução, eu gosto de resultado.
Corrêa Jr. - Você gosta de política mesmo?
Cynthia Milhim - E eu gosto de pessoas. Então, eu gosto de te ouvir e gosto de falar e gosto de achar uma solução, eu gosto do ganha-ganha.
Corrêa Jr. - Mas quando é que deu o estalo? Que momento foi isso?
Cynthia Milhim - Meus filhos estão hoje moços. Eu sempre ajudei a política do Alexandre, com mais força depois do primeiro mandato, obviamente. Mas eu sempre estive ao lado dele, então gosto muito. Sempre dei os meus pitacos, nem sempre fui ouvida, porque somos duas pessoas muito fortes no posicionamento. Mas eu sempre me posicionei, sempre falei o que eu achava e acredito que colaborei muito. Posso ter até atrapalhado em algumas vezes, mas colaborei muito e sempre gostei. E aí, Júnior, o que está acontecendo hoje especificamente? Nós olhamos para o redor do meio político nosso e não vemos ninguém que construa pontes. Estamos vendo pessoas que estão construindo muros. Então, haja vista que, hoje, todos os candidatos a deputado federal estão fazendo campanha nas suas redes contra o prefeito, contra a cidade. Não estão falando de políticas públicas para ajudar, estão criticando. Então, quem que hoje poderia construir essa ponte? E aí ele falou: “Cynthia, se você tiver isso no seu coração, um momento agora…”
Corrêa Jr. - Mas me define um momento. Quando é que foi? Nós estamos agora conversando no final de agosto, começo de setembro…
Cynthia Milhim - Foi no início do ano.
Corrêa Jr. - Início desse ano?
Cynthia Milhim - Início do ano foi quando a gente bateu esse martelo.
Corrêa Jr. - Foi uma decisão de 2026 mesmo?
Cynthia Milhim - Sim, foi.
Corrêa Jr. - Você falou: “Vou, eu vou.”
Cynthia Milhim - Vou, eu vou. A gente tem uma proximidade muito grande com o Baleia. O Baleia gosta muito.
Corrêa Jr. - O Baleia Rossi, presidente do MDB.
Cynthia Milhim - Presidente do nosso partido. E o Baleia trouxe uma demanda para o Alexandre muito grande. O Baleia disse o seguinte: “Nós precisamos de um deputado federal para Franca porque eu não vou conseguir socorrer toda a região com a mesma força que eu fiz até agora, porque nós temos uma reforma tributária.” Não sei se você vai falar sobre isso, mas uma reforma tributária que mexe grandemente no orçamento municipal e vai precisar de gente para defender a cidade. Então, o Baleia traz: “Alexandre, foque em alguém aí para você fazer federal, porque nós teremos demandas que vão precisar de representatividade.”
Corrêa Jr. - Há 20 anos, Franca, exatamente 20 anos, a última vez que elegeu um deputado federal, foi o doutor Ubiali, lá em 2006. Depois disso, ele até foi suplente em 2010, mas aí já não era com a força de ter sido eleito. Depois não conseguimos mais ninguém, tirando uma outra suplência muito rápida. Por que você acha que você tem condição de ser diferente dessa vez? De escrever uma história diferente do que foi escrito nessas duas décadas?
Cynthia Milhim - Júnior, porque, primeiro, eu tenho sede. E aí eu vou te falar. Todos os dias, o telefone que tocou de manhã, de tarde e de noite, todas as madrugadas, finais de semana, quando não tínhamos uma vaga na Santa Casa, foi o meu, o do Alexandre. Muito mais o dele, mas o meu também. Então veja que esse bastidor que eu vivi ao lado do Alexandre me dá sede de executar, sede de fazer. E eu sei. Eu sei o que é uma máquina pública. Eu sei como você faz a captação desse recurso. Eu sei o que é uma burocracia da máquina pública. Eu sei o que é possível fazer, o que não é possível fazer. Eu sei o que é mais fácil, o que é mais desafiador. Eu sei como cortar caminho. Mas eu sei também que, se eu chegar lá, neste momento, eu não chego sozinha. Eu chego com a minha força de trabalho, eu chego com o meu jeito de trabalhar, que é esse de construir ponte. Mas eu sei também que chega a força do Executivo do Alexandre, porque eu vou abrir porta e vamos trazer todos esses recursos para ele executar rápido. Eu não vou ter picuinha de partido e de “gosta que não gosta”, de quem faz e quem manda emenda. Sabe essa picuinha que, infelizmente, existe na política? Nós não vamos ser isso. Nós vamos ser… Eu tenho dito, Júnior, e falo isso…
Corrêa Jr. - Você vai ser deputada com ele dois anos, mas necessariamente não vai ser nos outros dois.
Cynthia Milhim - Eu construo ponte.
Corrêa Jr. - Mesmo que seja com um adversário histórico dele.
Cynthia Milhim - Claro. Eu vi o Alexandre entrando na prefeitura pós-gestão Gilson (de Souza). Eu vi o que é uma gestão que não conseguiu. Porque, normalmente, a gestão que entra inaugura um monte de obra. O Alexandre vai deixar inúmeras obras para o próximo inaugurar. O Alexandre não inaugurou nenhuma. Quase nenhuma.
Corrêa Jr. - Herdada do Gilson de Souza.
Cynthia Milhim - É. Então, veja, isso é uma dor, porque o gestor que entra na sequência entra com o desafio de fazer a máquina girar de novo. Isso demora tempo.
Corrêa Jr. - Isso é… Mas você fez uma crítica que acho muito correta. E eu lamento que, nessa campanha, acho que realmente tem candidatos que não estão entendendo o cargo que disputam.
Cynthia Milhim - Não, não estão.
Corrêa Jr. - Porque fazem promessas de prefeito. Tem alguns que estão fazendo promessas que nem o presidente da República conseguiria executar. Mas, então, vamos deixar o Alexandre de lado aqui. O que você vai poder fazer em Brasília como deputada federal que um prefeito ou um vereador não fazem?
Cynthia Milhim - Com certeza absoluta. Bom, um monte de coisas que o deputado pode fazer. Uma delas, e que eu acho que vou atuar fortemente, é sugerir mudanças na nossa Constituição. Depois nós podemos até falar um pouquinho sobre isso. Enfim, tem muita coisa. A começar pelo Fundo dos Municípios.
Corrêa Jr. - O FPM, o Fundo de Participação dos Municípios.
Cynthia Milhim - Isso. O Fundo de Participação dos Municípios. Júnior, aquilo precisa ser revisto. Porque o ministério cria lá as demandas, as políticas públicas, e aí ele não passa o recurso e o município não tem como executar. Cada dia está pior ser um gestor municipal. Mas, enfim, nós podemos… O deputado federal faz isso. Só que o deputado federal é o elo de ligação. Brasília não escuta nenhum prefeito, Júnior. Quantas vezes o Alexandre já procurou ir lá, já tentou abrir caminho, já tentou… A moeda de troca dos ministérios é o voto do deputado, gente. “Ah, eu não acho certo esse jogo”. Gente, eu também não acho, mas o jogo é esse. Você só muda o jogo na hora que você está dentro do jogo. Entendeu? Então, na verdade, nós precisamos chegar lá. Nós precisamos chegar lá, nós precisamos fazer essa diferença, nós precisamos abrir. Tem muito… Nós estivemos com o Marcos Pontes, que é o senador. Nós tivemos uma hora de conversa com ele naquele momento da inauguração. Em uma hora, o Alexandre contou para ele um projeto. Ele falou assim: “Alexandre, no Ministério da Infraestrutura, você vai conseguir uma verba para isso aí, para te ajudar.” A gente não sabia, Júnior. Uma hora de conversa. Agora, imagina eu estando lá o tempo todo, gostando de conversar do jeito que eu gosto. Eu vou achar esse dinheiro. Esse dinheiro vai vir. E a gente vai executar, mas numa força de trabalho muito grande. Então, é claro que existe o trabalho do deputado federal, que é essencial, e o nosso país precisa de pessoas que não tenham medo de se debruçar e estudar questões. Nós precisamos de algumas mudanças seríssimas no nosso país.
Corrêa Jr. - Me fale, então, duas ou três bandeiras suas que vão para além da representação de Franca. Você vai estar lá lutando por verbas e recursos para a cidade, para fazer a cidade ser ouvida. Mas, para além disso, a Cynthia, como deputada…
Cynthia Milhim - Júnior, se eu estivesse lá hoje, eu legislaria para tirar dos nossos jovens o celular digital até pelo menos 14 anos. Isso é uma coisa que tem meu coração fortemente, porque tenho filhos adolescentes. Acho que os meus filhos adolescentes terão em algum momento…
Corrêa Jr. - Você, então, não é contra a regulação das redes sociais?
Cynthia Milhim - Não, eu acho que você precisa fiscalizar. Eu acho que você precisa ter mecanismo que fiscalize a criminalidade, como em qualquer outro sistema. Você tem que fiscalizar a criminalidade. Isso faz parte… Se eu crio uma plataforma, eu tenho que ter uma segurança dessa plataforma. Mas, se você falar assim para mim: “Aconteceu um crime dentro de uma plataforma, vamos extinguir?” Então, tem que extinguir todas. Porque no Instagram também acontece um monte de crime, um monte de instigação de crime.
Corrêa Jr. - Então, você quer legislar sobre isso ou é uma coisa que teria a sua atenção?
Cynthia Milhim - Muita. Mas eu digo sobre o prejuízo que nós estamos tendo com os nossos jovens no excesso de tela. Porque nós não temos ainda, Júnior, uma pesquisa real do tamanho desse problema. Nós temos alguns sinais de que teremos problemas.
Corrêa Jr. - A Meta acabou de fechar um acordo bilionário nos Estados Unidos, admitindo que temos problemas. Que vicia.
Cynthia Milhim - Vicia. Altamente viciante. Eu tenho um adolescente de 15 e um de 18. A briga, que eu acho que é de todas as famílias, é: “Saia do celular e sente à mesa.” Agora não é celular, vamos… É isso. Então, eu vejo alguns países na Europa que já proibiram o celular digital. Eu caminharia ontem. Se eu chegar lá, possivelmente vai ser o primeiro (projeto), porque isso já está muito claro e consolidado no meu coração. Eu acho que, não sei se 16 ou 14 anos, digital… Sabe o telefoninho que a gente abria e tocava o telefone para pai e para mãe? Esse pode. Digital, não. Eu já faria isso. Então, isso é algo que tem no meu coração.
Agora, Júnior, nós precisamos nos debruçar sobre o nosso Supremo Tribunal Federal. Eu sou uma pessoa extremamente legalista. Eu entendo que decisão do Judiciário, você tem que cumprir. Você não questiona. Eu acho isso. Eu acho que, para um país democrático, você tem que respeitar a Suprema Corte. Mas não é pelo fato de eu acreditar que a gente tem que respeitar que eu esteja concordando com o que está acontecendo. Eu vejo hoje que a escolha dos nossos ministros precisa passar por outro critério. Não está dando certo. Não está dando certo. Eu vejo assim… Até como operadora do Direito, eu acredito que o ministro do Supremo tem que ser de carreira. Ele não pode ser um advogado, mesmo com…
Corrêa Jr. - Você não acha que essa experiência não funciona no mundo? Todas as cortes constitucionais têm essa característica. Elas são no mundo inteiro. Vale para a Corte Constitucional alemã ou para a Corte Constitucional americana. Exatamente porque ele é um organismo que não é mera corte de apelação. Ela é uma corte constitucional. Normalmente, eles não são formados… Eu não conheço nenhuma que seja formada apenas por juízes de carreira. O que não quer dizer que a nossa não tenha problemas graves que precisam ser discutidos. Especialmente as tais decisões monocráticas. Porque aí você não tem um Supremo. Você tem, nesse momento, dez, porque está faltando um ministro. Você tem dez Supremos capazes de decidir coisas…
Cynthia Milhim - Do jeito que quiser.
Corrêa Jr. - Do jeito que quiser. Eu acho que esse talvez seja o grande problema.
Cynthia Milhim - Você sabe que eu… Eu entendo isso que você está dizendo. Seria melhor a gente ter ali uma diversidade de visões da vida para poder decidir um ordenamento jurídico. Só que, para nós, com a realidade que temos hoje, nosso país não está dando certo. Não está dando certo.
Corrêa Jr. - Por quê?
Cynthia Milhim - Eu vejo a atuação do ministro Alexandre de Moraes como um grande advogado dentro de uma Corte Suprema. Porque, até se você analisar o comportamento dele, o movimento dele na fala, no voto e tudo mais, ele faz o voto dele com uma paixão. Ele está ali como um grande advogado de uma das partes. Ele não está ali numa ambiência em que ele está dissociado daquela situação e está vendo ali duas partes, olhando calmamente para… Ele faz com paixão. Então, ele está ali dentro daquela experiência de vida dele da advocacia. E ele, possivelmente, até sei que é um grande defensor. Ele é um grande advogado. E ele traz essa paixão pela causa para dentro do Supremo. Só que ali não podemos ter isso. Temos que ser sequenciais.
Então, eu vejo isso. Vejo que não está dando certo. Entendo que o Congresso precisa ter coragem de se posicionar. Acho que não pode ser vitalício. Acho que precisa ter um prazo. Assim como uma política é cíclica e ela tem um ciclo que é benéfico e depois precisa de uma oxigenação, o Supremo também precisa. Hoje eu vejo isso.
Corrêa Jr. - Então seriam essas duas áreas onde você priorizaria?
Cynthia Milhim - Poderia pensar um monte de outras coisas, mas eu acho que hoje seriam bem fortes as que fazem o meu coração pulsar.
Corrêa Jr. - Você falou sobre a reforma tributária. E a gente tem, antes dela - que está entrando em vigor ainda -, o tarifaço. Essa questão dificílima. O tarifaço americano colocou ali uma série de produtos brasileiros sobretaxados. Tem algumas exceções. A carne é exceção, o café é exceção, mas o calçado não é exceção. Tomou aí 37,5% de tarifa. Como é que você acha? Por que isso aconteceu e o que você pretenderia fazer se estivesse lá, ou se estiver lá, para enfrentar questões como essa?
Cynthia Milhim - Bom, simplesmente o dono do tarifaço, que é o Trump, entendeu que o calçado não é algo essencial para o país dele. Nós não temos um representante hoje que bata a mão na mesa e obrigue o nosso governo federal a colocar em um pacote de ajuda o nosso calçado. Isso é uma… Porque também a gente não pode… “Ah, aconteceu isso. Abre linha de crédito.” Gente, nós não queremos endividar o nosso empresário. Não é sobre abrir linha de crédito. É sobre você desonerar esse empresário e dar para ele um mínimo de tempo para ele abrir outros mercados.
Corrêa Jr. - Como é que seria feito isso?
Cynthia Milhim - A gente tem que desonerar imposto para ele. Ele tem que respirar de alguma maneira e aí a gente precisa ver onde é que a gente corta para ele não precisar pagar, para ele poder ter um respiro. Porque, sim, esse empresário vai ter que se reinventar. A gente não sabe quanto tempo e a gente não sabe o que sai da cabeça do Trump. Hoje nós não temos um governo que negocia bem. Eu acho isso. Acho que falta uma postura mais diplomática e mais… A gente fica vendo, muitas vezes, o nosso presidente mandar recadinho. Tem uma história da jabuticaba, depois uma história de não sei o quê. E esses recadinhos de internet… Eu acho que nós não estamos nessa posição.
Corrêa Jr. - Mas você, especialista em PNL, o que fazer para negociar com um cara como o Trump, já que o mundo inteiro não conseguiu? Ele mudou o nome de um lago que divide os Estados Unidos e o Canadá essa semana. Ele brigou com aliados históricos como França, Inglaterra, Espanha. Como negociar com um cara como ele?
Cynthia Milhim - Em alguns momentos, Júnior, não negociar é você também diminuir prejuízos.
Corrêa Jr. - Mas não é isso que tem feito o governo brasileiro?
Cynthia Milhim - Não, eu acho que eles ficam mandando… Eu acho que, em muitos momentos, mandaram recadinhos desnecessários. Eu acho que nomeia alguém, vai alguém seriamente lá, senta, conversa. Eu tenho uma opinião pessoal. Eu acho que o Lula é muito inteligente e ele aproveita qualquer situação para fazer disso um palanque. E eu acho que ele fez alguns palanques com o Trump que…
Corrêa Jr. - Inclusive no tarifaço. Você defenderia a retaliação ou não?
Cynthia Milhim - Não. Olha que engraçado. É claro que eu não posso falar sim ou não. Em alguns momentos, acho que você faz uma reciprocidade, sim, mas eu não iria para o embate, não, porque tem tempo para acabar o Trump. Eu acho que o presidente Lula tem que cuidar do seu empresário. Então, eu acho que ele precisa cuidar com mais eficiência desse empresário. Estamos falando especificamente do setor calçadista. Ele tinha que desonerar o máximo que ele conseguisse, ou praticamente tudo, por um determinado tempo, para que esse empresário consiga abrir novos mercados.
Corrêa Jr. - Você acha que seria uma medida mais efetiva a concessão de crédito, por exemplo?Cynthia Milhim - Não, o crédito o empresário está devendo. Ele vai ter que pagar. Eu acho que não é sobre isso. O cara não vai conseguir pagar. Ele ainda não tem mercado para pagar. Dá um tempo para ele. Dá seis meses, dá um ano. Ele consegue abrir novo mercado. Ele tem lá o produto dele. Ele é empresário. Todo empresário se reinventa muito rápido. Mas tem que ser imediato. Tem que ser rápido. Para o governo, o seu aporte total não é tão grande. Ele pegar lá hoje… Quantas indústrias nós temos aqui? Cem indústrias, por exemplo, que exportam. Eu não sei exatamente o número… Júnior, eu estive numa fábrica essa semana e o cara falou: “Vem hoje que amanhã eu estou dando férias.” Aí cheguei lá, ele parou. Eu nunca vi isso. Parar uma fábrica inteira. Porque a linha de produção, as máquinas vão girando. Você não para a linha de produção. Na fábrica, quando você vai visitar, você passa de um a um. Ele parou todo mundo, 150 pessoas. Colocou dentro de um refeitório e falou assim: “Conversa com eles sobre isso que você falou para mim.” Ele estava pedindo para eu falar com os funcionários sobre esse voto em Franca. Aí ele falou assim: “Amanhã eu vou dar 100% de férias coletivas porque a minha produção aqui é 75% dos Estados Unidos.”
Corrêa Jr. - Não tinha para onde mandar os sapatos que ele faz.
Cynthia Milhim - E aí, Júnior, uma angústia, porque são 150 famílias.
Corrêa Jr. - Cynthia, vamos avançar aqui porque o tempo passa rápido.
Cynthia Milhim - Vamos.
Corrêa Jr. - Escala 6x1. Está sendo discutido nesse momento em que a gente conversa, ainda está no Senado. Mas, se você estivesse lá, você votaria contra ou a favor do fim da escala 6x1 e por quê?
Cynthia Milhim - A favor, mas com as minhas ressalvas.
Corrêa Jr. - Quais?
Cynthia Milhim - Nós temos alguns segmentos, Júnior, que não foram feitos e, pelo menos, eu não vi nenhum estudo técnico do impacto. A começar pela saúde pública, que vai custar infinitamente mais. Uma saúde que funciona 24 horas por dia vai custar muito mais para os municípios, essa hora extra, nova contratação, e não se tem dinheiro. Eu não sei como o governo vai fazer para repassar dinheiro, porque nós estamos falando de quase um terço a mais de pessoas a serem contratadas. Então, falando pela realidade de Franca, não sei o que vai ser feito. Você tem hotéis, você tem alguns comércios, restaurantes, você tem alguns setores que você precisa, como governo, ao dar uma medida como essa, entender quem vai pagar a conta. Então, sim, todos somos a favor de uma qualidade de vida. Aliás, nós todos precisamos. E hoje o que a gente mais tem falado é sobre esse equilíbrio da vida. Mas, espera aí, enquanto o governo faz uma medida, você não pode fazer uma medida populista. Você tem que dar soluções para aqueles que vão pagar a conta, porque não existe almoço de graça. Se aumentar o custeio, é o povo que paga. E é isso que acho que a população precisa entender. O governo não vai deixar de arrecadar, o preço final dos produtos vai subir. Então, como é que vai ser essa métrica?
Corrêa Jr. - Mas você votaria sim, se estivesse lá?
Cynthia Milhim - Ah, sim. Mas eu faria meus apontamentos lá, minhas sugestões de…
Corrêa Jr. - Se você for eleita, você vai ter R$ 40 milhões por ano, mais ou menos, em emendas. Fora emendas de bancada e outras, mas pelo menos R$ 40 milhões você tem ali para destinar. Metade você tem que mandar para a saúde, a outra metade você manda para as áreas que você quiser. Você está na posição privilegiada de saber o que a cidade precisa por conta, digamos, do ofício do seu marido. Para onde você mandaria esses R$ 40 milhões? A metade que é da saúde, você ia mandar para onde? E a metade que não é da saúde, você ia fazer o quê?
Cynthia Milhim - Bom, a saúde… Eu penso muito, Júnior, que hoje Franca, como a cidade-mãe, vamos dizer assim, acaba atendendo uma região de 720 mil pessoas, na sua UBS, no seu pronto-socorro, e não ganha por isso. Nós sabemos disso. Então, o que eu vejo hoje? Tem muita coisa que a gente consegue fazer nessas cidades menores, e é por isso que eu falo que é uma deputada não só de Franca, mas de região. Eu tenho certeza de que, se eu equipo essas pequenas cidades com algumas ferramentas e tecnologias, eu consigo deixar esse paciente sendo mais rapidamente atendido na sua cidade. E aí, consequentemente, eu desonero a saúde pública de Franca. Isso é uma coisa simples de resolver, só que precisa de dinheiro. Então, a gente chegando como deputada, esse dinheiro vai chegar e a gente vai fazer raio-X, ultrassom, etc. O exame laboratorial que sai na hora.
Corrêa Jr. - E extra saúde? Para onde iria esse dinheiro?
Cynthia Milhim - Extra saúde. Eu penso muito em dois pilares. O primeiro é desenvolvimento econômico. Franca está num nível, quando a gente olha a saúde, nota B+, a nossa educação, selo ouro, a gente olha os nossos índices, saneamento básico, 100% de água tratada. Então, a gente tem índices muito bons do ponto de vista da infraestrutura mínima para uma cidade, a ponto de colocar a gente como a segunda cidade melhor para se viver.
Só que Franca, Júnior, está num nível para a gente fazer uma grande alavancagem de empresa, de melhorar recurso financeiro dos nossos profissionais, e a gente precisa dar essa alavancagem econômica. Então, eu trabalharia fortemente nesses dois pontos, ajudando a nossa economia. Franca hoje é a maior cidade de e-commerce do país, precisa de centro logístico, precisa desse apoio logístico, precisa de uma lógica dessa distribuição para o resto do país. A gente pode falar de um aeroporto de cargas, meu sonho.
Corrêa Jr. - Transformar o aeroporto de Franca num aeroporto de cargas.
Cynthia Milhim - Imagina o quanto a gente conseguiria atender toda essa região de Minas. Enfim, imagina a gente distribuindo, porque Franca hoje, tirando São Paulo, é a maior produtora de e-commerce. Eu acho que isso seria um salto muito grande. E Franca, Júnior, tem se tornado a capital tecnológica também. A gente está criando uma ambiência tecnológica na nossa cidade que tem sido destaque em todo o Brasil. Então, a gente hoje tem leis que incentivam tecnologia e inovação. A gente criou aquela lei também do sandbox que a gente pode trazer.
Corrêa Jr. - Mas para onde o seu dinheiro iria?
Cynthia Milhim - Para essas iniciativas. E segurança.
Corrêa Jr. - Segurança pública. A PEC da Segurança está no Senado. É aquela proposta do governo de criar uma espécie de coordenação maior entre forças de segurança federais e estaduais. Você é contra ou a favor?
Cynthia Milhim - Super a favor. Temos que colocar todo mundo junto. Temos que colocar essas cidades todas monitoradas. Vamos falar de sonho, sonho. Porque eu falo que a gente tem que mirar sempre no máximo para a gente caminhar naquela direção. Imagina todas as nossas cidades monitoradas, tudo isso em uma central. O bandido vai ser encontrado em algum momento em alguma cidade. Então, esse monitoramento, essa tecnologia facial, enfim, tudo isso. Só que a gente tem que tomar só um cuidado. Nós não podemos tirar a autoridade, a autonomia do policial e também do Estado. Porque é aquela história: Brasília está lá. Brasília não tem condição de fazer gerência nem sobre o Estado, muito menos sobre o município. Então, está lá essa regulação, essa ordem, essa diretriz. Eu entendo que tem que continuar no Estado.
Corrêa Jr. - Mas você não é contra. Você votaria a favor do projeto da PEC da Segurança?
Cynthia Milhim - Sim.
Corrêa Jr. - Maioridade penal é outro tema que está muito em discussão. Você é a favor ou contra a redução?
Cynthia Milhim - Júnior, a princípio, eu vou dizer: eu sou uma pessoa que tenho tranquilidade para me flexibilizar. Então, eu posso achar uma coisa hoje e posso mudar amanhã, a depender dos argumentos que eu estude e que eu ouça. Hoje, eu sou a favor.
Corrêa Jr. - Da redução da maioridade penal.
Cynthia Milhim - Isso.
Corrêa Jr. - 16 ou 14 anos?
Cynthia Milhim - 16. Até por conta do acesso à informação. Então, eu vejo pelos meus filhos. Eles são pessoas muito mais maduras do que eu era na minha idade. Infinitamente mais maduras do que eu era. Hoje, os meninos, nessa idade, eles já sabem o que é certo e o que é errado. Eles já sabem quais são as leis, etc., etc., etc. E eles já sabem o que podem cometer. E eu vejo muita gente, muitos adolescentes, sendo usados como esse instrumento para cometer esse crime por serem menores de idade. Então, a princípio, eu acho. Mas eu já estive conversando com algumas pessoas, até dessa área da assistência social, que já me falaram algumas coisas e aí me trouxeram uma reflexão, sabe?
Corrêa Jr. - Então, você é a favor, mas não convicta.
Cynthia Milhim - Eu sou a favor. Hoje, eu sou a favor. Mas eu acho que eu me debruçaria um pouco mais.
Corrêa Jr. - Vamos lá, que nós temos que avançar. A reforma tributária, você falou, vai trazer um problema. Ninguém sabe… Na verdade, eu não vi ninguém que consiga explicar exatamente o que vai acontecer.
Cynthia Milhim - Tudo que é novo gera muito incômodo, desconhecimento.
Corrêa Jr. - Na sua opinião, você consegue entender? Você falou que os municípios sofrerão um impacto qualquer, que não dá para dimensionar ainda. Ela é boa ou ruim? E o que, como deputada federal, você pretende fazer?
Cynthia Milhim - Eu acho que essa avaliação de boa e ruim não dá para ser feita agora, porque a gente ainda não sabe. Está tudo muito incerto. A gente precisa ver como é que o governo vai operar, como é que a Receita opera tudo isso, se realmente vai funcionar. Tudo isso a gente vai precisar ver. Tudo que trabalha a desburocratização e uma facilidade maior de pagamento de tributo, uma clareza maior, isso nos ajuda. Ajuda a economia. O nosso país é um país com muitas leis, com muita burocracia, e o empresário sofre muito. Então, a ideia central da reforma tributária é ajudar. Isso vai acontecer? Nós não sabemos. Qualquer pessoa que disser “isso e aquilo”, a gente ainda não sabe. Nós sabemos alguns problemas. Por exemplo, a empresa recebia no cartão de crédito, ela tinha aquele tempo ali, aquele dinheirinho ali com ela, que ela podia fazer aquele fluxo de caixa dela. Hoje ela não pode. Então, isso já é um impacto previsto. A gente não sabe como é que as empresas vão trabalhar isso. Eu me preocupo um pouco com as nossas empresas, porque a gente sabe que pequena e média não tem fluxo de caixa suficiente para manter. Não sei como isso vai acontecer. Nós vamos ter que esperar e ver quais as medidas que nós vamos fazer para socorrer. Agora, do ponto de vista do governo municipal, Júnior, o que está acontecendo? A gente tem dois impostos que ficam aqui direto, que são o IPTU e o ISS. O IPTU continua ficando direto aqui, mas o ISS vai ser recolhido junto com o estadual. Então, vai para Brasília para depois retornar. E aí que entra a grande insegurança dos municípios. Será mesmo que esse valor vai entrar? Será que ele vai entrar na sua totalidade? Como é que vai ser essa distribuição? Porque vai ter uma comissão. E aí isso nos preocupa absurdamente. Porque, veja, Franca já é o sexto orçamento pior do Estado de São Paulo. Imagina o que vai ser de nós.
Corrêa Jr. - Bets. É um assunto nacional.
Cynthia Milhim - É.
Corrêa Jr. - Permite, proíbe, contra ou a favor?
Cynthia Milhim - Hoje, o maior caso de endividamento é o bets. Eu acho que tudo que proíbe vai virar um jogo de bicho. Eu não gosto de coisas que são proibidas, mas eu gosto de coisas que são regulamentadas. Eu acho que adolescente não poderia jogar. Isso é uma coisa que eu acho. E eu vou te falar por quê. Um dia estive conversando com um grupo, até lá da Esac, a meninada lá, jovem. Eu fui falar, não lembro o tema que fui falar, mas eles estavam tendo uma aula de finanças. Até fiquei muito feliz de ver que a meninada lá da Esac estava tendo aula de finanças. E aí, em algum momento, eu falei: “Gente, vocês sabiam que isso está hoje endividando as famílias?” Aí falei: “É o Mounjaro, é o carrinho da Shopee, da Shein e a bet”. Na hora que eu falei isso, Júnior, a meninada começou a… Ficou alvoraçada. Todo mundo alvoraçado, alvoraçado. Falei: “Gente, vocês jogam aí?” Todo mundo… No dia seguinte, o diretor me ligou, a pedagoga me ligou e falou: “Cynthia, estou recebendo um monte de menino aqui”, porque eu falei muito firme sobre o que é a depressão de uma família que não tem dinheiro, o que gera na psique mesmo, a angústia e tudo mais. E aí a meninada começou a pedir ajuda da psicóloga, porque pegaram o dinheirinho que estavam ganhando lá na Esac, que era para tirar a carta… Para jogar. Perderam tudo. Júnior, ela falou assim: “Estou montando neste momento um projeto contra a bet.” Um projeto, um trabalho com esses meninos contra a bet.
Corrêa Jr. - Mas você, no Congresso, votaria para banir?
Cynthia Milhim - Não, banir não. Eu acho que não é sobre banir, é sobre regulamentar.
Corrêa Jr. - E a regulamentação seria, essencialmente, o que você vê neste instante: restringir o acesso de jovens.
Cynthia Milhim - Restringir. Eu acho que tem que começar pelos jovens.
Corrêa Jr. - Acho que já é restrito. Enfim, algum mecanismo de controle sobre isso.
Cynthia Milhim - Precisa ter.
Corrêa Jr. - Cynthia, vamos lá para a parte final aqui. Na sua opinião, houve uma tentativa de golpe de Estado no Brasil ou não?
Cynthia Milhim - Sim, o Supremo já decidiu.
Corrêa Jr. - Você acha que está resolvido?
Cynthia Milhim - Veja, não é a minha opinião, mas, se é a minha opinião…
Corrêa Jr. - Não, eu quero a sua opinião. Houve ou não?
Cynthia Milhim - Lembra que eu te falei? O Supremo, o que ele decide, é a regra. Então, o Supremo diz que sim, houve. Mas, quando você olha todo o imbróglio desse processo, eu sou extremamente a favor da dosimetria, por exemplo.
Corrêa Jr. - Da dosimetria que foi vetada pelo Lula.
Cynthia Milhim - A dosimetria foi vetada, mas aí que eu te falo: nós temos um grande problema no nosso Supremo. Ela foi vetada, mas o veto foi derrubado. E aí o Moraes suspendeu.
Corrêa Jr. - Sim, verdade.
Cynthia Milhim - Então, veja, nós temos hoje, o nosso grande problema no nosso país é esse avanço na competência do outro. O Judiciário, quando a gente vê o Alexandre de Moraes suspendendo a eficácia de um comando legislativo, ele está, sim, infringindo a regra dos três Poderes.
Corrêa Jr. - Acho que eu concordo. A gente está num momento muito complicado, mas no mundo inteiro se discute o seguinte... Se a gente puder comparar, a gente tem 30 segundos, nem vai dar muita coisa, mas é assim: você tem alguns modelos, as democracias estão sendo testadas no mundo inteiro. Nos Estados Unidos, a Suprema Corte é minimamente invasiva. Então, ela deixa correr, e aí você tem um Trump operando com muita tranquilidade. No Brasil, a gente teve uma Suprema Corte que foi para cima. E aí a gente tem distorções absurdas. Na sua opinião, o que é melhor?
Cynthia Milhim - Acho que é o respeito, acho que é a não invasão e acho que é melhor… A gente precisa respeitar, Júnior. Então, na medida em que o Congresso decide, certo ou errado, o Judiciário tem que respeitar.
Corrêa Jr. - Perfeito. Cynthia, nós temos que ir para a parte final. Vamos lá. Aqui é o Pinga-Fogo. Eu vou te fazer uma série de 12 perguntas aqui, que eu quero a sua resposta sim ou não, ou, no máximo, uma palavrinha curta para dizer o que você pensa. Vamos lá. Cynthia Milhim, candidata a deputada federal. Anistia ampla ao 8 de janeiro?
Cynthia Milhim - Ampla, não. Com restrições, talvez sim.
Corrêa Jr. - Fim da escala 6x1?
Cynthia Milhim - Sim, com aportes.
Corrêa Jr. - Supersalários, esses salários do funcionalismo público acima do teto constitucional?
Cynthia Milhim - Nunca, jamais. Eles precisam ser cortados. É um dos grandes problemas da nossa economia.
Corrêa Jr. - Legalização do aborto?
Cynthia Milhim - Não, contra.
Corrêa Jr. - Em todos os casos? Ou nos casos previstos em lei?
Cynthia Milhim - Nos casos que já estão previstos, já estão operando, não. Mas, nos demais, sim.
Corrêa Jr. - Descriminalização do porte de drogas?
Cynthia Milhim - Contra. Contra.
Corrêa Jr. - Então, você é a favor de que drogas continuem ilegais?
Cynthia Milhim - Isso, todas as drogas. Claro, não o canabidiol para tratamento, isso não. O restante, sim, porque a porta é para todos os outros marcos.
Corrêa Jr. - Mesmo a maconha?
Cynthia Milhim - Sim.
Corrêa Jr. - Retaliação comercial dos Estados Unidos pelo tarifaço?
Cynthia Milhim - Não.
Corrêa Jr. - Não?
Cynthia Milhim - Não. É uma formiguinha contra o elefante.
Corrêa Jr. - Redução da maioridade penal?
Cynthia Milhim - Sim, talvez com ressalvas.
Corrêa Jr. - Regulação das Big Techs? Você já falou sim, né? Reforma administrativa, mudando a estabilidade do servidor público, que hoje é quase absoluta?
Cynthia Milhim - Eu acho que a estabilidade é necessária, mas a gente precisa de um mecanismo de medir a eficiência. A medição da eficiência. Eu vejo, Júnior, hoje… Eu sei que é só uma frase, mas eu vejo muita gente trabalhando e alguns sem penalização.
Corrêa Jr. - Mandato fixo para ministro do Supremo?
Cynthia Milhim - Não. De jeito nenhum. Temporário. Tem que reciclar.
Corrêa Jr. - É isso, desculpa. Mandato com prazo.
Cynthia Milhim - Com prazo.
Corrêa Jr. - Que não seja até a aposentadoria.
Cynthia Milhim - Não, não. Com prazo. Oito anos está bom.
Corrêa Jr. - Reeleição para presidente da República?
Cynthia Milhim - Eu gosto da reeleição, mas eu prefiro se fossem seis anos. Acho que seria…
Corrêa Jr. - Um mandato maior ou melhor.
Cynthia Milhim - Eu acho.
Corrêa Jr. - E o Estado laico?
Cynthia Milhim - Eu acho que você tem que respeitar as crenças. Ele não pode gerir a sua ordem social coletiva, mas eu acho que as pessoas precisam se respeitar.
Corrêa Jr. - Então, o Estado laico. Obrigado, Cynthia.
Cynthia Milhim - Obrigada, Júnior.
Corrêa Jr. - Você tem um minuto para dar suas considerações finais.
Cynthia Milhim - Olha, gente, com muito carinho, com muita força, com muita sede de fazer. Quero dizer para vocês que eu tenho certeza de que, chegando lá, a gente vai tirar a diferença desses 20 anos sem uma representação em quatro. Nós temos condições, somos capazes, construímos pontes. E eu tenho certeza de que, com a minha força de trabalho, a minha forma de fazer e também a ajuda aqui na execução do prefeito Alexandre e dos nossos próximos prefeitos, nós vamos levar a nossa cidade para um outro patamar. Mas, para isso, a gente precisa do seu voto. Então, nesse momento, eu peço que você me dê o seu voto de confiança: 1534, Cynthia, deputada federal.
Corrêa Jr. - Obrigado, Cynthia.
Cynthia Milhim - Obrigada, Júnior, por esse momento.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.
Comentários
4 Comentários
-
Juarez 3 dias atrásQuer dizer que o marido dela diz que :"para obter verba no governo tem que apoiar candidatos". Ora, isso não parece ser verdade, pois as obras da cidade são financiadas pelo governo federal e o prefeito apoia justamente aqueles do contra e ele é contra quem lhe financia drenagem, escolas, postos de saúde etc. Muito blá blá blá e pouco conteúdo. Lembrando que as penas do 8 de janeiro foram votadas pelos bolsonaristas no Congresso e para diminuir a pena de generais e do Capitão golpista, vêm com essa conversa mole. -
Antonio Carlos 4 dias atrásExperimenta o Mounjaro, diz que funciona, me falaram isso. Pelo menos as reclamações na frente do espelho diminuem. -
Juarez 4 dias atrásAchei que a Flávia era despreparada, mas depois dessa, acho que os filhos dela tem mais juízo. -
Georgina bang bang 4 dias atrásFiquem atentos trabalhadores ,essa senhora em nenhum momento criticou,os irmãos milicianos que trabalharam junto aos EUA para que nossos produtos fossem taxados,em nenhum momento citou os empenhos,da,equipemde LULA Haddad,Alkimim e Simone Tebetm,com reuniões,com todos os setores tentando,dar suporte a quem foi prejudicado ,preferiu esconder a,Família bolsonaro achando que,vai ter algum ganhocom isso,portanto eleitores do,PT e do Osol que ajudaram eleger o marido dela no segundo turno ,vamos analisar as outras candidatas já que não podemos votar em alguém simplesmente por ser mulher ou ser a esposa do prefeito