Uma delegação de El Salvador visitou, na semana passada, a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) de Franca para conhecer o sistema utilizado pela Sabesp na produção de biometano a partir do biogás gerado durante o tratamento do esgoto. O combustível é usado atualmente por 40 veículos da Companhia que circulam no município.
A visita integrou uma missão técnica que também passou pelas ETEs de Barueri e Paulínia. O objetivo da comitiva é conhecer experiências relacionadas ao tratamento de esgoto, aproveitamento do lodo, produção de energia e uso do biogás.
O grupo é formado por Jorge Humberto Vela Funes, diretor do Projeto Biogás da Comissão Executiva Hidroelétrica do Rio Lempa (CEL); Randy Julián Merlos Zamora, responsável pela área Ambiental da CEL; e André Luis Alves Diogo, gerente de Engenharia da ARX Group.
Projeto em El Salvador
A visita a Franca está relacionada a um projeto em desenvolvimento em El Salvador. A proposta prevê a construção de uma estação de tratamento de esgoto que utilize o biogás na geração de energia e também conte com outras fontes renováveis.
Durante a passagem pela ETE, a delegação acompanhou as etapas do tratamento de esgoto, a produção do biogás e o processo utilizado para transformá-lo em biometano. A apresentação foi conduzida pelo coordenador de Tratamento de Esgotos da Sabesp, Luciano Reami.
“Estamos iniciando um projeto em El Salvador onde temos como principal fonte de geração o biogás. Queremos, através deste intercâmbio de experiências com a Sabesp, adquirir novos conhecimentos e implementar tecnologias que possam ser compatíveis com o nosso projeto”, afirma Jorge Humberto Vela Funes.
Segundo ele, o interesse também está relacionado à experiência brasileira no setor.
“Buscávamos conhecer uma experiência de referência na região, e o Brasil é um dos principais exemplos nessa área. A Sabesp pode nos apoiar pela experiência que tem e pelas mais de 600 plantas de tratamento que estão sob sua responsabilidade”, destaca.
Como funciona o sistema
Na ETE Franca, parte do lodo produzido durante o tratamento do esgoto é encaminhada aos biodigestores. Neles, ocorre a produção do biogás, que posteriormente passa por um processo de purificação.
Nesse processo, são retirados componentes como gás carbônico (CO₂), siloxanos, gás sulfídrico e umidade. O produto final é o biometano, utilizado como combustível nos veículos da Companhia.
A ETE Franca está em operação desde 1998, trata aproximadamente 580 litros de esgoto por segundo e gera cerca de 90 toneladas de lodo por dia.
O Sistema de Beneficiamento de Biogás começou a operar em abril de 2018. Desde então, segundo a Sabesp, foram produzidos aproximadamente 187 mil metros cúbicos de biometano.
O volume corresponde, em termos energéticos, a cerca de 187 mil litros de gasolina. A substituição de combustíveis fósseis também reduz as emissões de gases de efeito estufa. A economia estimada com combustíveis ao longo de oito anos de operação é superior a R$ 1,1 milhão.
Energia a partir do esgoto
A experiência observada em Franca interessa diretamente ao projeto salvadorenho porque a proposta prevê o aproveitamento do próprio biogás produzido durante o tratamento do lodo.
Além disso, o projeto em El Salvador prevê a utilização de energia fotovoltaica e de uma pequena central hidrelétrica.
“É uma troca de conhecimento, expertise e técnica para que eles possam implementar uma ETE sustentável, fazendo a gestão e a produção própria de energia, utilizando o próprio biogás gerado pelo tratamento do lodo”, explica Patrick Schindler, da área de Relações Internacionais da Sabesp.
Para a delegação, a intenção é que a futura estação tenha capacidade de produzir parte da própria energia e, posteriormente, possa contribuir para o abastecimento de famílias na região metropolitana de San Salvador.
“No nosso caso, queremos que o projeto seja autossustentável e, além disso, que possa gerar energia elétrica para abastecer muitas famílias na região metropolitana de San Salvador. Por isso, conhecer uma experiência como a de Franca é muito importante para nós”, conclui Jorge.
A iniciativa visitada em Franca conta ainda com apoio técnico do Instituto Fraunhofer, da Alemanha.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.