Enquanto grande parte da cidade dormia na madrugada dessa quinta-feira, 28, Lucca Miguel de Oliveira Garcia, de 10 anos, acompanhava o eclipse lunar em Franca. Munido de uma câmera e movido pela curiosidade, o menino conseguiu localizar a Lua no céu e registrar imagens do fenômeno.
Para Lucca, porém, a madrugada representou mais do que uma oportunidade para fotografar. Diagnosticado com TEA (Transtorno do Espectro Autista) e superdotação, ele tem a astronomia entre seus principais hiperfocos e gosta de observar, pesquisar e entender como funcionam os corpos celestes.
“Eu fiquei muito admirado de ter corpos celestes gigantes, absolutamente gigantes. Tem vários quilômetros, centenas de quilômetros de altura, de diâmetro”, conta.
O interesse do menino passa por planetas, luas, buracos negros, buracos brancos e outros temas relacionados à astronomia e à física. Quando fala sobre o assunto, Lucca tenta explicar com as próprias palavras aquilo que aprendeu.
Uma madrugada olhando para cima
O eclipse desta quinta-feira acabou se transformando em uma pequena aventura para Lucca. Ele ajudava a mãe, Valdirene Nascimento de Oliveira, durante a madrugada quando começou a procurar a Lua no céu.
A concentração, uma das características que fazem parte de sua relação com os assuntos que despertam seu interesse, ajudou na tarefa. “Eu tenho uma habilidade para focar. Eu fico vendo aonde a Lua está, aí eu fico movendo para onde a Lua está, aí simplesmente, ver uma claridão assim, aí é só achar ela”, conta.
E ele achou.
Lucca conseguiu localizar a Lua e apontar a câmera para o céu. O resultado foram registros feitos durante a madrugada, em meio à observação do fenômeno.
Mas nem mesmo o interesse pela astronomia foi suficiente para afastar o sono. “Eu não consegui ficar por muito tempo, porque eu estava com sono, também com fome. Aí eu fui comer e deitar.”
A Lua de Lucca
Mais do que observar o céu, Lucca quer entender o que está vendo. Ao explicar o eclipse lunar, ele conta que a Terra fica entre o Sol e a Lua e que a sombra do planeta é projetada sobre o satélite natural.
Ao falar sobre a chamada “Lua de Sangue”, também tenta explicar o motivo de a Lua adquirir uma coloração avermelhada durante o fenômeno.
Na explicação de Lucca, a atmosfera terrestre interfere na luz do Sol e permite que os tons avermelhados alcancem a Lua. “É como se a atmosfera da Terra entregasse as cores mais quentes e escuras, vermelho, laranja e dourado. Aí vai pra Lua”, conta.
É dessa forma que ele transforma o que aprendeu em uma explicação própria sobre o fenômeno que observou naquela madrugada.
Um universo inteiro para descobrir
O eclipse pode ter terminado, mas a curiosidade de Lucca pelo espaço continua. Ele ainda demonstra interesse por temas como corpos celestes, gravidade, tempo e fenômenos que acontecem além da Terra.
Quando fala sobre buracos negros, sua curiosidade acompanha o que aprendeu sobre a força gravitacional desses objetos. Ele também demonstra interesse pelos buracos brancos, uma hipótese teórica relacionada às equações da relatividade geral.
Para Lucca, a astronomia não se resume a observar pontos brilhantes no céu. O interesse está nas perguntas que surgem a partir deles.
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