O Centro do Autismo de Franca deve começar a sair do papel no início de 2027, segundo o presidente da Câmara Municipal, Fransérgio Garcia (PL), nesta terça-feira, 25. O projeto prevê a construção de um prédio de quase 2 mil metros quadrados na área onde atualmente funciona o NGA (Núcleo de Gestão Assistencial), na região central da cidade, com investimento estimado em R$ 6 milhões.
Segundo Fransérgio, a proposta começou a ser estruturada a partir de visitas a clínicas especializadas em outras cidades do estado de São Paulo. Entre elas, Mogi das Cruzes, onde o modelo de atendimento serviu como principal referência para o projeto de Franca, inclusive, sendo visitado pela secretária municipal de Saúde, Waléria Mascarenhas. O equipamento de Mogi atende atualmente cerca de 570 crianças.
“Aqui vai ser muito melhor. Nós vamos também virar referência nacional em cuidado com crianças do espectro autista”, afirmou o prefeito Alexandre Ferreira (MDB), em vídeo ao lado de Fransérgio reproduzido no telão do Plenário.
Para viabilizar a obra, foram obtidos R$ 2 milhões em emendas parlamentares. Outros R$ 4 milhões serão destinados à obra por meio da economia feita pela Câmara Municipal. O valor corresponde a parte do duodécimo — repasse obrigatório feito mensalmente pelo Poder Executivo ao Legislativo para custear o funcionamento da Câmara. No início do mandato à frente da presidência da Casa, Fransérgio anunciou que, dos cerca de R$ 40 milhões previstos para o orçamento da Câmara em 2026, R$ 10 milhões não seriam usados e devolvidos à Prefeitura. A previsão é que aproximadamente R$ 4 milhões dessa “economia” sejam devolvidos agora e utilizados na obra.
“Essa economia vai gerar um centro, vai possibilitar um centro gigantesco para cuidar das crianças autistas nas áreas da saúde, assistência e escolar”, completou.
“Eu já vou fazer a devolução para a Prefeitura, nós já estamos com o dinheiro em caixa e vai ser construído lá onde é o NGA”, afirmou.
Projeto arquitetônico está em fase final
Projeto de infraestrutura
O projeto arquitetônico foi doado à Prefeitura por Ivo Gonçalves, pai do jogador Estêvão Willian, no valor de R$ 40 mil. De acordo com Fransérgio, a planta baixa está pronta e o projeto arquitetônico está quase concluído.

A doação, segundo ele, deverá acelerar o cronograma porque a Prefeitura não precisará contratar, por meio de licitação, a elaboração do projeto arquitetônico. A expectativa é que essa etapa seja concluída nos próximos 60 dias. Também está prevista a apresentação de uma maquete em 3D.
Ainda será necessário finalizar projetos complementares, incluindo a parte elétrica, antes da abertura da licitação da obra.
A previsão é que o NGA deixe o imóvel até novembro. Com o espaço liberado, a expectativa de Fransérgio é que a Prefeitura realize a licitação no fim de 2026 e inicie a construção no começo de 2027.
O presidente da Câmara afirmou que a obra poderá ser executada de forma mais rápida porque já existe uma estrutura no local. Apesar da demolição do prédio atual, algumas partes, como fundações, poderão eventualmente ser aproveitadas.
Atendimento será concentrado em um único espaço
A proposta é reunir no mesmo equipamento diferentes etapas do atendimento às pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista). A criança deverá passar por investigação dentro do próprio centro, inicialmente com neuropediatras e, posteriormente, com outros profissionais.
Entre as áreas citadas estão fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia e terapia ocupacional. A intenção é que o diagnóstico seja realizado dentro da própria estrutura e, depois, a criança tenha acesso às terapias no mesmo local.
O novo modelo pretende reduzir a necessidade de deslocamentos das famílias entre diferentes serviços. Segundo Fransérgio, atualmente um laudo pode levar de dois a três anos para ser concluído.
O centro deverá contar com espaços destinados à motricidade, quadra, jardim sensorial, sala multissensorial, terapia ABA, investigação e elaboração de laudos.
Os atendimentos deverão ocorrer no contraturno escolar.
Meta é atender pelo menos 570 crianças
A capacidade estimada ainda dependerá da implantação gradual do serviço e da contratação dos profissionais. A expectativa apresentada pelo presidente da Câmara é que o centro atenda pelo menos 570 crianças, podendo superar esse número quando estiver em pleno funcionamento.
A referência é novamente a unidade de Mogi das Cruzes, que atende essa média de pacientes.
O atendimento deverá ocorrer, no mínimo, duas vezes por semana, com pelo menos duas terapias por dia. Dessa forma, uma criança poderia realizar ao menos quatro sessões de terapia por semana.
A contratação dos profissionais deverá ocorrer de forma gradativa, conforme a estrutura for entrando em funcionamento.
Famílias também terão atendimento
A proposta prevê ainda o acolhimento parental. O serviço deverá ser destinado aos familiares das pessoas com TEA, além do atendimento direto às crianças e adolescentes.
Segundo o presidente da Câmara, a intenção é oferecer uma estrutura que reúna saúde, assistência social e atendimento às famílias em um mesmo equipamento.
Educação especial terá projeto separado
A Prefeitura pretende construir uma estrutura voltada à educação especial. O projeto, porém, será separado do centro.
A estrutura de educação especial não está incluída nos R$ 6 milhões previstos para o Centro do Autismo. Apesar de serem projetos distintos, os dois equipamentos deverão funcionar de maneira integrada, por ficarem lado a lado.
Com a construção, Fransérgio afirma que Franca poderá se tornar referência no atendimento às pessoas com TEA. “A ideia é concentrar um centro realmente de referência no Estado de São Paulo e no Brasil”, finalizou.
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