O Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo marcou para 15 de setembro, às 14h, a audiência de instrução e julgamento dos dois policiais militares acusados pela morte do sargento francano Rullian Ricardo Adrião da Silva, de 40 anos. A sessão será realizada na sede do tribunal, em São Paulo.
O crime ocorreu em 5 de abril de 2023, dentro da 4ª Companhia do 46º Batalhão da Polícia Militar Metropolitano, na região do Ipiranga. Rullian foi atingido por disparos no pescoço e no tórax e chegou a ser socorrido pelo helicóptero Águia, mas não resistiu.
Os réus são o então capitão, hoje major, Francisco Carlos Laroca Junior, e o cabo Fabiano Rizzo. Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público Militar em janeiro deste ano, os dois respondem por homicídio qualificado e fraude processual.
Versões sobre a morte
Inicialmente, os policiais afirmaram que Rullian teria sacado uma arma durante uma discussão sobre a escala de trabalho em um feriado e apontado o armamento para os colegas. Laroca teria efetuado três disparos, enquanto Rizzo teria feito outro.
A defesa sustenta que os policiais agiram em legítima defesa. Segundo essa versão, momentos antes, Rullian teria se alterado com uma policial da área administrativa.
A investigação, porém, levantou questionamentos sobre a dinâmica apresentada inicialmente. Imagens das câmeras corporais dos policiais passaram a ser analisadas pela Corregedoria, enquanto a posição em que o corpo de Rullian e a arma foram encontrados no alojamento chamou a atenção dos investigadores.
A família do sargento e o Ministério Público Militar sustentam uma versão diferente para a dinâmica da morte e apontam elementos que, segundo a acusação, afastariam a hipótese de reação legítima dos policiais.
Suspeita de esquema
Para a família de Rullian, a motivação do crime estaria relacionada à descoberta, pelo sargento, de um suposto esquema envolvendo jogos de azar e a participação de policiais militares.
Sargento era de Franca
Rullian tinha 40 anos e cerca de 17 anos de carreira na Polícia Militar. Ele trabalhou em Franca, na 5ª Companhia, responsável pela região Norte da cidade, e havia ido para a Capital para realizar o curso de formação de sargentos, concluído poucos meses antes da morte.
Antes de morrer, Rullian também havia enviado um áudio a um amigo relatando estar cansado da rotina de trabalho e dizendo que queria deixar a unidade onde estava. O conteúdo passou a integrar o contexto das investigações.
Desde a morte, familiares cobram a responsabilização dos envolvidos. Em 2025, dois anos após o crime, a irmã de Rullian esteve na Câmara Municipal de Franca para pedir apoio das autoridades na conclusão das investigações.
Com a audiência marcada para setembro, o caso entra em uma nova etapa na Justiça Militar. O julgamento será acompanhado pela família, que há mais de três anos busca respostas sobre a morte do policial francano.
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