REFLEXÃO

Desvencilhando-se dos pesos da vida

Por José Antonio Pereira e Marília Gabriella R. Peres | especial para o Portal GCN
| Tempo de leitura: 2 min

“Ando devagar porque já tive pressa e trago este sorriso porque já chorei demais.”
Almir Sater e Renato Teixeira

Se queremos ir mais longe, é necessário ir devagar. Andamos devagar quando percebemos que a nossa única urgência real é conhecer a nós mesmos e que todas as situações forjadas exteriormente pela sabedoria da vida são oportunidades de autodesenvolvimento. Diante desta consciência, conseguimos habitar o presente.

Andamos devagar quando entendemos que ante as maiores adversidades e sofrimentos, temos um limite de ação, cabendo a nós somente o que podemos fazer e o mais é dever do tempo e de cada um dos envolvidos.

Andamos devagar quando descobrimos que nossos adversários estão dentro de nós e decidimos não mais fugir das circunstâncias que nos desafiam, mas parar e ver o que querem nos ensinar, deixando que nos afetem e modifiquem, quando necessário.

Andamos devagar quando trocamos a culpa pelo aprendizado, lembrando que tropeços e equívocos fazem parte do caminho e que o importante é manter o foco em aonde se pretende chegar.

Andamos devagar quando aprendemos a contemplar as flores e também os espinhos e a sorrir quando se quer chorar, pois compreendemos que dificuldades são desafios que grafam no pergaminho da nossa alma de aprendiz, as lições mais preciosas.

Sorrimos quando aceitamos nossas dificuldades, próprias ao ser inacabado que somos e que cotidianamente busca se construir e ser melhor, deixando assim de brigar consigo.

Sorrimos quando reconhecemos nossos esforços e nos lembramos que estamos a caminho de uma condição melhor de existência, a qual constantemente nos empenhamos para edificar.

Sorrimos quando nossas necessidades diminuem e, desapegados das ilusões que tantas vezes nos distraem do essencial, nos encontramos na simplicidade de tudo o que é perene.

Sorrimos quando nos damos conta da teia de afetos que nos sustenta na vida e que não existe fora de nós, obstáculo capaz de deter o nosso passo.

Deste modo, coloquemos no chão da vida os pesos desnecessários e nos acostumemos com a sensação de leveza que esta decisão pode nos proporcionar. A sobrecarga que muitas vezes sentimos quase sempre não é inerente aos fatos vividos, mas à interpretação que temos ou fazemos sobre eles e, não raro, nos apegamos a estes desconfortos, como forma de justificar o sentido da vida.

Ser leve, portanto, exige recalcular a rota e descobrir que não é sobre chegar lá, mas sobre chegar em si mesmo, pois como diz a canção: "Pela longa estrada eu vou, estrada eu sou...”

José Antônio Pereira é psicólogo e membro da Academia Francana de Letras; Marília Gabriella R. Peres é doutoranda em Educação pela Universidade de São Paulo

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários