DOIS MESES DE DOR

Morte de Mikael completa dois meses e mãe faz apelo em Franca

Por Ariane Jud | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Mikael Santos Lima e Thalys Rafael Veiga, em festa de aniversário do acusado
Mikael Santos Lima e Thalys Rafael Veiga, em festa de aniversário do acusado

A morte de Mikael Santos Lima completa dois meses nesta segunda-feira, 27. Nascido e criado em Franca, o jovem de 29 anos estava desaparecido desde o dia 27 de maio e foi encontrado morto em 3 de junho, em uma área de mata na zona rural do município.

As investigações apontaram que Mikael foi vítima de um homicídio. O laudo necroscópico do IML (Instituto Médico Legal) confirmou que ele foi executado com seis disparos de arma de fogo na região da cabeça e do rosto.

Segundo o exame pericial, foram identificadas seis perfurações compatíveis com tiros de calibre .380, todas concentradas na face e na cabeça da vítima. Os peritos também constataram a mutilação das pontas dos dedos e do polegar.

De acordo com o delegado da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Márcio Murari, a principal hipótese é que o autor do crime tenha tentado dificultar a identificação do corpo por meio das impressões digitais.

Família convive com a dor da perda

Dois meses após o crime, a família afirma que a dor da perda continua presente na rotina.

A mãe de Mikael, Mônica Santos, diz que a ausência do filho transformou todos os dias da família. "É uma dor que não passa. É saudade eterna de um filho que amava viver, que tinha sonhos. Todo dia eu acordo e lembro que ele não está aqui do meu lado me dando bom dia, mamãe."

Além da saudade, ela pede celeridade no andamento do processo e que o acusado seja submetido a julgamento. "Eu peço que esse 'amigo' vá a júri popular o mais rápido possível. Nenhuma mãe deveria enterrar um filho assim. Nenhuma família deveria passar por essa dor."

Amizade terminou em tragédia

A Polícia Civil identificou como principal suspeito do crime Thalys Rafael Veiga, amigo de Mikael. Ele foi preso inicialmente após, segundo a investigação, exigir R$ 50 mil da família em troca de informações sobre o paradeiro do jovem, que ainda era considerado desaparecido. Durante a apuração, a DIG reuniu imagens de câmeras de segurança, vestígios e outros elementos que passaram a apontá-lo como autor do homicídio.

Atualmente, Thalys está preso preventivamente e foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio qualificado. De acordo com a Polícia Civil, vestígios de sangue foram encontrados no veículo utilizado pelo acusado, além de restos de grama semelhantes à vegetação usada para ocultar o corpo. A investigação também identificou imagens que mostram o suspeito comprando grama antes de o cadáver ser localizado. Até o momento, a DIG não encontrou indícios da participação de outras pessoas no crime.

Nas redes sociais, Mikael chegou a publicar uma fotografia ao lado do acusado, a quem se referia como "o irmão que Deus me deu". Para a família, a imagem simboliza a relação de confiança que existia entre os dois antes da tragédia.

Fé sustenta esperança por justiça

Mesmo diante da perda, Mônica afirma que encontra forças na fé para seguir em frente e aguardar o desfecho do caso.

"Minha fé é o que me sustenta. Ela me dá a esperança de justiça aqui na terra e a esperança de reencontrar meu Mikael."

Ela também cita uma passagem bíblica que, segundo diz, ajuda a enfrentar o luto.

"Eu me apego à promessa da Bíblia, em Apocalipse 21:3,4, que diz que Deus vai enxugar toda lágrima, e não haverá mais morte, nem dor. Eu acredito no paraíso terrestre, sem dor, sem maldade. E lá eu vou abraçar meu filho de novo."

Dois meses após a morte de Mikael Santos Lima, a família segue acompanhando o andamento do processo e pede que o caso tenha continuidade na Justiça para que o crime seja esclarecido e os responsáveis respondam pelos atos.

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