ESTRATÉGIAS

IA é usada em investigação sobre o desaparecimento de Tiago

Por Giovanna Attili | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
GCN
No lado esquerdo, o delegado Márcio Murari; do lado direito, o jovem Tiago Gomes, desaparecido
No lado esquerdo, o delegado Márcio Murari; do lado direito, o jovem Tiago Gomes, desaparecido

A DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca utilizou IA (Inteligência Artificial) como ferramenta de apoio nas investigações sobre o desaparecimento de Tiago Gomes Pereira, de 26 anos. Segundo o delegado Márcio Murari, a tecnologia analisou todas as informações reunidas no inquérito e apontou um cenário compatível com a principal linha investigativa: a de que o jovem possa ter sofrido um acidente no Parque Estadual Furnas do Bom Jesus, em Pedregulho.

A informação foi revelada por Murari durante entrevista ao programa A Hora É Essa!, da Rádio Difusora, apresentado pelo jornalista Corrêa Neves Jr. De acordo com o delegado, os investigadores reuniram todos os dados obtidos desde o desaparecimento de Tiago e os inseriram em um sistema de inteligência artificial, que cruzou as informações e apresentou um resultado alinhado ao que já vinha sendo apurado.

O delegado, no entanto, ressaltou que a análise produzida pela ferramenta não integra oficialmente o inquérito e não possui valor probatório. Segundo ele, a inteligência artificial funciona apenas como um recurso de apoio às investigações.

“Os investigadores que estão no caso pegaram todas as informações e a inteligência artificial colheu esses dados. Ao final, ela apresentou um resultado indicando que ele estaria perdido na área de mata. Claro que isso não é uma conclusão da investigação oficial, mas é uma linha que pode ser trabalhada”, afirmou.

Depoimento reforça investigação

Um dos elementos que sustentam essa hipótese é o depoimento de um amigo de Tiago, ouvido recentemente pela DIG. Conforme Murari, a última conversa entre os dois ocorreu pouco antes do desaparecimento, quando o jovem informou que pretendia descer até a Cachoeira do Chalé.

“O último que nós ouvimos é um amigo dele. Ele disse textualmente: ‘Eu vou descer na Cachoeira do Chalé’. O amigo respondeu que o local era perigoso, mas ele insistiu que precisava descer”, relatou.

Segundo o delegado, o amigo afirmou ter certeza de que Tiago realmente seguiu em direção à cachoeira, considerada uma área de difícil acesso. Apesar das buscas realizadas pelo Corpo de Bombeiros, a extensão da mata dificulta a localização.

“O amigo disse que tem certeza de que ele desceu para lá. É uma cachoeira muito perigosa, de difícil acesso. O Corpo de Bombeiros fez todas as buscas, mas é uma área gigantesca. Pode ter acontecido um acidente”, disse.

Hipóteses descartadas

Murari informou que outras linhas investigativas foram analisadas e posteriormente descartadas. Entre elas está a possibilidade de ligação entre o desaparecimento de Tiago e os irmãos presos em Minas Gerais, apesar de um veículo utilizado por eles ter sido alugado em nome do jovem.

A hipótese de crime passional também foi afastada. Segundo o delegado, pessoas próximas a Tiago, incluindo um possível namorado, prestaram depoimento à DIG, mas nenhuma das oitivas apresentou contradições ou indicativos da participação de terceiros no desaparecimento.

Relembre o caso

Tiago Gomes Pereira desapareceu em 21 de junho, após entrar sozinho no Parque Estadual Furnas do Bom Jesus para realizar uma trilha. Apaixonado pela natureza, ele costumava frequentar o local e registrar suas visitas às cachoeiras e trilhas da região.

Desde o desaparecimento, equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil e voluntários realizaram buscas com apoio de cães farejadores, drones e do helicóptero Águia. Até o momento, nenhum vestígio do jovem foi localizado, e as investigações continuam.

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