TARIFAÇO AMERICANO

Tarifa dos EUA ameaça exportações e empregos em Franca

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Arquivo/GCN
Sapatos produzidos em Franca são comercializados no Brasil e no exterior
Sapatos produzidos em Franca são comercializados no Brasil e no exterior

A entrada em vigor da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre os calçados brasileiros acendeu um sinal de alerta na indústria de Franca. A medida passa a valer nesta quarta-feira, 22, e pode afetar diretamente um dos principais mercados consumidores do polo calçadista francano.

Em entrevista ao Portal GCN/Sampi, o presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), Toni Hajel, afirmou que os Estados Unidos respondem por cerca de 40% das exportações do setor na cidade. Segundo ele, as empresas locais embarcam aproximadamente 650 mil pares de calçados por ano para o país, movimentando cerca de US$ 20 milhões.

Para Hajel, a principal preocupação é a dificuldade de substituir esse mercado no curto prazo. "Você não encontra outro país para substituir esse volume de exportação em curto prazo", afirmou.

O dirigente destacou que a presença das empresas francanas no mercado norte-americano foi construída ao longo de muitos anos e que uma eventual perda de clientes pode gerar reflexos duradouros para o setor.

"O trabalho que você tem para conquistar um cliente norte-americano é gigantesco. Não é fácil. Demora anos. Se a gente perde esse cliente por uma guerra política, isso prejudica toda a cadeia."

Empresas buscam alternativas

Diante do novo cenário, algumas indústrias já estudam estratégias para tentar preservar contratos e manter o relacionamento com compradores dos Estados Unidos.

Segundo Hajel, uma das alternativas adotadas por parte das empresas tem sido reduzir suas margens de lucro para amenizar o impacto da tarifa e garantir a continuidade dos embarques.

"São negociações que muitas empresas acabam fazendo para não perder o cliente. O objetivo é manter esses embarques e demonstrar que existe interesse em continuar atendendo esse mercado."

Apesar disso, ele avalia que a medida tem alcance limitado, já que as empresas continuam enfrentando custos operacionais e produtivos que não podem ser reduzidos indefinidamente.

Setor teme reflexos sobre o emprego

O presidente do Sindifranca também demonstrou preocupação com os possíveis efeitos da taxação sobre o mercado de trabalho. Embora considere prematuro prever quais medidas serão adotadas pelas empresas, ele não descartou impactos sobre os empregos.

Segundo Hajel, os efeitos de uma eventual redução das exportações não ficariam restritos às fábricas de calçados, mas alcançariam toda a cadeia produtiva instalada em Franca.

"A cadeia produtiva não é formada apenas pelas fábricas de sapatos. Envolve fabricantes de solados, componentes, prestadores de serviços e muitos outros setores. É muita gente que depende dessa atividade."

Questionado sobre a possibilidade de fechamento de postos de trabalho, respondeu de forma objetiva: "Pode".

Busca por acordo diplomático

O Sindifranca informou que continuará atuando junto a entidades representativas, autoridades brasileiras e norte-americanas na tentativa de reduzir os impactos da medida sobre a indústria calçadista.

De acordo com Hajel, a prioridade é preservar a competitividade das empresas, manter mercados já consolidados e evitar prejuízos à economia local.

"Nós vamos continuar trabalhando. Não vamos cruzar os braços. Vamos buscar um acordo diplomático para reduzir esse impacto sobre o setor e preservar empregos e empresas."

Ao final da entrevista, o presidente reforçou a preocupação com os possíveis reflexos da tarifa para a indústria francana.

"Vamos trabalhar para que essa perda de empregos e de indústrias não aconteça."

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