ELEIÇÕES 2026

Pré-candidatos discutem proteção ao calçado em meio ao tarifaço

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Sampi/Franca
Reprodução/Abicalçados
Linha de produção de fábrica de calçados
Linha de produção de fábrica de calçados

O impacto da tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre o calçado produzido em Franca foi tema do novo debate entre os pré-candidatos a deputado federal na campanha Franca Tem Voz. Ao responderem quais medidas podem adotar, dentro das atribuições do Congresso Nacional, para proteger a indústria calçadista e preservar empregos na região, os participantes apresentaram propostas voltadas à redução da carga tributária, ampliação do crédito às empresas, fortalecimento da competitividade, abertura de novos mercados e utilização de instrumentos legais para defesa da produção nacional.

As respostas mostraram diferentes estratégias para enfrentar os efeitos da medida sobre um dos principais setores da economia francesa. Entre as propostas estão a defesa de incentivos fiscais, ampliação das exportações, atuação junto a órgãos de promoção comercial, fortalecimento da indústria nacional, aprovação de leis de proteção ao setor produtivo e destinação de recursos para inovação e expansão de mercados.

O que disseram os pré-candidatos?

A pergunta apresentada aos pré-candidatos foi a seguinte:

"A partir de 22 de julho o calçado de Franca passa a pagar 25% de tarifa para entrar nos Estados Unidos, enquanto o café da região ficou isento. Um deputado federal não negocia tarifa com Washington, mas vota crédito, tributo e orçamento: o que o senhor vai fazer, dentro do que de fato cabe a um deputado, para proteger o emprego no calçado de Franca?"

Cynthia Milhim (MDB): "O tarifaço bateu direto no emprego de Franca. E nesse momento não adianta discurso, é preciso ação. Um deputado federal não negocia a tarifa com os Estados Unidos, mas ele pode votar medidas para proteger quem produz e quem trabalha.

Meu compromisso será criar uma lei para efeitos permanentes, para crédito emergencial e capital de giro para as empresas, redução de tributos para recuperar a competitividade e recursos no orçamento da União para inovação, exportação e abertura de novos mercados. 

Enquanto o café da nossa região ficou isento, o calçado foi duramente atingido. E Franca, gente, precisa de uma voz forte em Brasília para defender a sua indústria, principalmente o emprego de milhares de famílias."

Daniel Bassi (PSD): "Esse episódio mostra a posição de fragilidade na nossa região e nos temas nacionais. Não vai ser o governo Lula nem um deputado de fora que vão sensibilizar com as nossas agendas. Tem que ser um de nós para fazer o seguinte.

A indústria francana precisa ter definida uma agenda de interesse de curto e longo prazo. Um deputado federal francano pode e deve ser o porta-voz dessa agenda na Agência Nacional de Exportação e Investimento, Apex, na Confederação Nacional da Indústria, CNI, no próprio Ministério da Indústria e do Comércio e nas diversas câmaras de comércio entre o Brasil e outros países. 

Além disso, trabalhar nas agendas de investimentos em competitividade, mais logística, tributação mais favorável ao setor produtivo, integração da nossa oferta de produto com outros centros comerciais”.

Guilherme Ubiali (PSDB): "Eu trabalhei com exportação, então eu conheço muito bem o tema e sei o impacto que uma tarifa como essa pode ter nas empresas. De fato, um deputado não negocia com Washington, mas se engana quem acha que ele não pode fazer nada. Existem duas coisas que eu quero fazer e que vão ajudar muito.

Primeira, precisamos trabalhar na redução dos impostos, principalmente aqueles que recaem sobre a folha de pagamento e o salário das pessoas. É hora do Brasil rediscutir esse tema. 

Segundo, precisamos buscar novos mercados. O Brasil tem a Apex, uma agência dedicada a isso e que precisa voltar os seus esforços para os setores afetados, principalmente o calçadista. Defendo isso e defendo também que tenhamos em Franca uma agência da Apex."

Mariana Negri (PT): "A tarifa americana é uma guerra comercial, mas sabe o que um deputado federal pode fazer? Pode votar leis que protejam a nossa indústria. Tem a lei da reciprocidade, por exemplo, que já está em vigor desde abril de 2025 e ela autoriza o Brasil a impor contramedidas. Por exemplo, bloqueando remessas, suspendendo o direito de propriedade intelectual e outras possibilidades. 

Tem ainda alguns projetos em votação que aumentam a preferência para produtos nacionais nas compras do governo, de 10% até 30% se for sustentável.

Minha função é garantir que Franca se beneficie dessas proteções, que os empresários entendam que têm lei defendendo eles e que a gente vote sempre por quem trabalha."

Sidney Elias (Novo): "Realmente não é papel do deputado tentar negociar tarifas, como aqueles quatro deputados da esquerda foram lá em Washington gastar o nosso dinheiro. Nós temos que tentar diminuir o custo brasileiro, reduzir impostos, burocracia, tentar um acesso ao crédito com juros compatíveis com o mercado, fortalecer a indústria.

Esse sim vai ser o papel de um deputado. E outra coisa, eu quero também prorrogar a desoneração da folha para toda a indústria calçadista francana. 

Como pré-candidato a deputado federal pelo Partido Novo, vou trabalhar para um país mais livre, com mais competitividade, para que nossas empresas não migrem para o Paraguai, como tem acontecido."

Projeto segue até as eleições

Os vídeos integram a campanha Franca Tem Voz, iniciativa que reúne entidades, veículos de comunicação e instituições da cidade com o objetivo de ampliar o debate sobre temas de interesse regional e estimular o fortalecimento da representação política de Franca e região nas esferas estadual e federal.

Ao longo das próximas semanas, os pré-candidatos voltarão a se manifestar sobre novos temas definidos pela organização do projeto. Após a homologação das candidaturas, a iniciativa também promoverá debates individuais com os candidatos confirmados.

Guilherme Cortez (PSOL), Gilson de Souza (PSB), João Rinoceronte (PSDB) e João Rocha (União) não enviaram seus vídeos até o fechamento do prazo estabelecido pela organização.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

6 Comentários

  • Alex 30/07/2026
    É inacreditável o quanto a ignorância torna a pessoa cega. Até parece que o bananil foi o único país a sofrer ameaças de taxação e podemos citar: Brasil, Colômbia, Peru, Uruguai, China, Austrália, Japão, Corea do Sul, Filipinas, Russia, Noruega, Suiça, Arábia Saudita, México, Canadá, Argentina, Reino Unido, União Européia (Bloco) e Índia. Qual governante dos países citados deixou de apresentar seus relatórios e sentar à mesa de negociação a não ser o bravateiro de garanhuns? É o mesmo que disse que acabaria com a guerra Russia x Ucrânia com uma cervejinha na mesa de bar ou será o que disse que roubam celular só para tomar uma cervejinha ou será aquele que tentou responsabilizar o viciado pelo traficante ou aquele que agrace um país africano pelos 350 anos de escravidão no Brasil. É muita infantilidade achar que Eduardo, Flavio, Paulo Figueiredo, Nikolas, Romário, ou qualquer um outro seja capaz de manipular a nação mais poderosa do mundo ao ponto de dar diretrizes à sua política externa. É uma piada de mau gosto ou atestado de demência mesmo.
  • Darsio 30/07/2026
    É inacreditável o quanto a ignorância torna a pessoa cega. Todas as justificativas do Governo Trump para sobretaxar os nossos produtos foram derrubadas por meio de argumentos respaldados em dados técnicos e confiáveis e, vários encontros foram feitos e, inclusive devidamente registrados. A mídia e especialistas em comércio exterior sao praticamente unânimes nessa questão. É uma iniciativa de Marco Rúbio que, hoje governa a Venezuela e controla o seu petróleo e, explicitamente atua para eleger governos de extrema direita na América Latina, que como vira-latas coloquem suas riquezas e economias a mercê dos interesses dos EUA. Além disso, ha vídeos e mensagens dos próprios filhos do Bolnonaro comemorando a sobretaxa dos EUA a produtos brasileiros, algo cmpartilhado por apoiadores como o neto do ditador Figueiredo. O próprio Trump deixou claro em carta que, tais medidas se justicavam pela prisão do golpista Bolsonaro, um verdadeiro presidiário. E, só agora percebendo que a ampla maioria do povo brasileio atribui aos Bolsonaros a culpa pelo tarifaço e, que Trump está sendo um ótiimo cabo eleitoral do Lula, os bolsonaristas tentam se limpar da cagada que eles mesmos fizeram. E, diante de tudo isso, ainda temos idiotas que acreditam na inocência dos Bolsonaros e da extrema direita. Haja espaço no saco do Trump para tanta lambida, heim!!!!
  • Alex 23/07/2026
    A culpa é do Flávo, do Eduardo, do Bolsonaro que está preso, incomunicável, proibido de receber visitas até dos filhos. Até parece que os membros do governo americano são uns mentecáptos que não conseguem fazer uma investigação e precisam de pessoas alheias ao governo para impor medidas contra outros países. A culpa é do Nicolas, do Romário ou de qualquer um que critique nosso presidemente. Vários países foram ameaçados de tarifas extras, mas correram para negociar com o governo americano e mitigar os "estragos" de uma tarifação maior, obtendo sucesso em suas negociações. Em direção oposta nosso presidemente optou por ficar fazendo bravatas e ofendendo o presidente americano ao invés de sentar-se à mesa de negociação, mas a culpa é do incomunicável do Bolsonaro.
  • Valeska 23/07/2026
    Se o candidato ou candidata for do PL PP,Republicanos vai,discutir o que ?eles tem e que explicar o uso do bone do MAGA pelos seus comparsas
  • Darsio 22/07/2026
    Esse tal Sidney se mostra um despreparado. Oras! Deve ser mais um daqueles que brigam por espaço nas genitálias do Bolsonaro, louco para dar aquele suculenta lambida. Se o sujeito fosse mais razão e muito menos ignorância, saberia muito bem que jorram documentos inquestionáveis do envolvimento da família Bolsonaro na criação da taxação. Tudo o que foi dito pelos candidatos não passa de mais blá, bla´, blá, pois praticamente todos analistas entendidos no assunto apontam que tais taxas se devem a interesses políticos e, não a razões técnicas. Agora, pergunto ao tal Sidney por qual motivo não criticou o Nícolas, o Romário e outros tantos da direita que estiveram curtindo a copa e com todos os custos bancados por nós idiotas contribuintes. Os mesmo que que são contra o trabalhador brasileiro ter dois dias para descanso. E, o Eduardo Bolsonaro que, por meses curtiu férias nos EUA e não teve um centavo se quer descontado do seu maravilhoso salário?
  • Antonio Carlos 21/07/2026
    Que belo prato cheio para os nossos digníssimos fazer palanque, né??...agora todos eles tem a solução, vão resolver o problema, vão salvar a lavoura, deixa comigo que eu mato no peito e chuto de bico. Mas tem que me eleger, tem que votar em mim, vota em mim, vota em mim pelamor........