Em 1998, a derrota por 3 a 0 para a França encerrou de forma dura a busca pelo pentacampeonato. Em 2018, a queda diante da Bélgica, por 2 a 1, interrompeu o caminho rumo ao hexa e reacendeu o debate sobre os rumos da Seleção. Nas páginas do Comério da Franca, esses jogos deixam de ser apenas resultados - tornam-se registros de uma emoção coletiva, com a frustração estampada nas manchetes e o esforço de traduzir, para Franca, o impacto de eliminações que ecoaram muito além dos estádios.
Separadas por 20 anos, as Copas do Mundo de 1998, na França, e de 2018, na Rússia, terminaram de forma semelhante para o Brasil: com a eliminação do sonho do título e a frustração estampada nas capas do Comércio da Franca. Enquanto a derrota por 3 a 0 para a França encerrou a busca pelo pentacampeonato, a queda diante da Bélgica, por 2 a 1, interrompeu a tentativa do hexa e reacendeu questionamentos sobre o futuro da seleção.
A expectativa antes da decisão
Na cobertura de 1998, o clima era de confiança. As manchetes destacavam a proximidade do pentacampeonato e o protagonismo de Ronaldo, chamado à época de Ronaldinho. O atacante aparecia como principal esperança brasileira, prometendo fazer “qualquer sacrifício” pelo título e minimizando o favoritismo francês.
O jornal também acompanhou os bastidores da preparação da equipe de Mário Zagallo. Reportagens destacavam a confiança do treinador, o aumento das premiações prometidas pela CBF e o desejo dos jogadores de dedicar uma eventual conquista ao técnico.
Já em 2018, o foco da cobertura estava na busca pelo hexacampeonato e na tentativa de mostrar uma seleção menos dependente de Neymar. Às vésperas do confronto contra a Bélgica, análises apontavam que outros jogadores, como Philippe Coutinho, Gabriel Jesus e Paulinho, dividiam a responsabilidade ofensiva da equipe.
As derrotas que viraram manchete
A final de 1998 produziu uma das capas mais marcantes do período. O jornal destacou a goleada francesa por 3 a 0 e o fim do sonho brasileiro. Os gols de Zidane e Petit consolidaram a conquista dos anfitriões e abriram espaço para análises sobre o desempenho da equipe comandada por Zagallo.
Em 2018, a eliminação ocorreu nas quartas de final. A manchete “Quem não faz, toma. Até gol contra” resumiu a derrota para a Bélgica e enfatizou os erros que contribuíram para a queda brasileira. O gol contra de Fernandinho tornou-se um dos símbolos daquele revés.
Os personagens de cada Copa
Em 1998, Ronaldo dominou a cobertura não apenas pelo desempenho em campo, mas pelo episódio da convulsão sofrida horas antes da final. O jornal relatou o período de incerteza vivido pela delegação, incluindo a possibilidade de Edmundo iniciar a partida entre os titulares.
A derrota também marcou uma despedida melancólica para jogadores experientes, como Bebeto, e abriu debates sobre o futuro de Zagallo e do próprio Ronaldo na seleção.
Em 2018, Neymar ocupou o centro das atenções, embora a cobertura tenha procurado destacar uma equipe mais equilibrada. Após a eliminação, o foco passou a recair sobre os erros individuais, especialmente o gol contra de Fernandinho, e sobre a permanência do técnico Tite.
Reflexos além do gramado
As duas Copas também tiveram impacto fora dos estádios. Em 1998, o Comércio da Franca registrou a preparação de hospitais da cidade para possíveis ocorrências médicas durante a final e ouviu moradores sobre suas expectativas para o confronto.
Em 2018, a mobilização ocorreu de outra forma. O jornal destacou a antecipação do feriado de 9 de julho em Franca para facilitar o acompanhamento da partida contra a Bélgica e publicou orientações relacionadas às comemorações durante o Mundial.
Memória de duas gerações
As edições analisadas mostram como o jornal acompanhou momentos históricos distintos da Seleção Brasileira. Em 1998, a cobertura girava em torno da busca pelo pentacampeonato e do drama envolvendo Ronaldo. Em 2018, a narrativa estava centrada na reconstrução da equipe após o Mundial de 2014 e na tentativa de conquistar o hexa.
Duas décadas depois, as manchetes permanecem como registros de épocas diferentes, mas unidas pelo mesmo sentimento: a frustração de ver o Brasil encerrar mais uma Copa do Mundo antes da conquista do título.
Das eliminações recentes ao fim de uma era
A sequência de frustrações brasileiras em Copas do Mundo ganhou novos capítulos nos Mundiais seguintes, mas dessa vez, o retrato da derrota ficou registrado pelo Portal GCN/Sampi. Em 2022, no Catar, a Seleção voltou a ser eliminada nas quartas de final, desta vez pela Croácia, nos pênaltis, após empate por 1 a 1 na prorrogação. O resultado interrompeu mais uma tentativa de conquistar o hexacampeonato e marcou o fim do ciclo do técnico Tite no comando da equipe.
Já na Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, o Brasil iniciou um novo projeto sob o comando de Carlo Ancelotti, mas chegou ao torneio desfalcado de uma de suas principais promessas. O francano Estêvão Willian, de 19 anos, ficou fora da lista dos 26 convocados após não se recuperar da lesão sofrida em abril, frustrando a expectativa de todos os francanos de ver um jogador revelado na cidade defender a Seleção em um Mundial.
Dentro de campo, o sentimento de tristeza novamente tomou conta de todos os brasileiros, dessa vez, a Noruega, liderados por Haaland, eliminaram o Brasil, vencendo por 2 a 1 e fazendo com que a seleção voltasse ao Brasil caindo nas oitavas de finais, se tornando uma das piores campanhas da seleção em Copas do Mundo.
O torneio também simbolizou, ao que tudo indica, a despedida de Neymar Jr. da Copa do Mundo. Principal nome da geração brasileira nas últimas três edições do Mundial, o atacante encerrou sua trajetória na competição após disputar as Copas de 2014, 2018, 2022 e 2026. Sua saída representa o fim de um ciclo que atravessou mais de uma década e abre espaço para uma nova geração, da qual o francano Estêvão desponta como um dos principais nomes para o futuro da Seleção Brasileira, em busca novamente da tão sonhada sexta estrela em 2030.
Ao longo de quase cem anos, das páginas impressas do Comércio da Franca às plataformas digitais do Portal GCN, a cobertura dos Mundiais acompanhou não apenas os resultados em campo, mas também os sentimentos de cada época. Mudaram os formatos, os protagonistas e as tecnologias. Permaneceram a paixão pelo futebol e a expectativa, renovada a cada quatro anos, de ver o Brasil voltar ao topo do mundo.
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