Um espelho instalado para dar sensação de amplitude a um pequeno gabinete da Câmara dos Deputados acabou, anos depois, ganhando um papel inusitado na história política brasileira. É que, segundo o médico de Franca e ex-deputado federal Marco Aurélio Ubiali, foi justamente aquele detalhe da decoração que fez Jair Bolsonaro reparar pela primeira vez em Michelle Bolsonaro, então secretária do parlamentar e futura primeira-dama do país.
O relato integra o primeiro episódio do podcast Michelle, produzido pelo UOL Prime. Ubiali contou em detalhes como Michelle chegou ao seu gabinete , em 2007, e relembrou os bastidores do início do relacionamento entre ela e o então deputado federal.
A contratação, segundo ele, aconteceu por indicação do brigadeiro da Aeronáutica Átila Maia, que conhecia Michelle antes de sua entrada na política e tentava ajudá-la a conquistar uma oportunidade profissional em Brasília. "Fui procurado por um brigadeiro chamado Átila, que me falou: 'Tem uma moça precisando de emprego, tem uma filha e precisa trabalhar'. Tinha uma vaga de secretária e eu a contratei", relembra.
Ubiali conta que seu gabinete era pequeno e, para dar a impressão de um ambiente mais amplo, decidiu instalar um grande espelho em uma das paredes. Michelle trabalhava justamente em frente a ele. O gabinete do então também deputado federal Jair Bolsonaro ficava ao lado.
Foi aí, diz o ex-deputado, que a história começou. "Quem vinha pelo corredor via a Michelle sentada em frente ao espelho, e o gabinete do Bolsonaro era do lado do meu. Esse charme a mais foi decisivo na história que a gente está contando", afirma.
Flores e interesse imediato
Ubiali também recorda um episódio que, para ele, deixou evidente que o interesse de Bolsonaro havia surgido rapidamente. Ao chegar ao gabinete em um determinado dia, encontrou sobre a mesa de Michelle um enorme buquê de rosas vermelhas. "Pensa numa coisa grande. Era um ramalhete enorme, ocupava quase a mesa toda", lembra o ex-deputado, atribuindo o presente ao então parlamentar.
O papel do brigadeiro
Outro personagem central do episódio é o brigadeiro Átila Maia, apontado por Ubiali como o responsável por abrir as portas da Câmara para Michelle.
No podcast, ele conta que conheceu Michelle quando ela trabalhava em uma loja de vinhos em Brasília. Impressionado com a dedicação da jovem, passou a ajudá-la profissionalmente até conseguir uma vaga para ela no Congresso Nacional. Mais tarde, acabaria desempenhando outro papel decisivo: intermediar a aproximação entre Michelle e Bolsonaro.
Segundo Átila, o então deputado o procurou para dizer que havia se apaixonado. "O Bolsonaro me chamou e disse que tinha visto, gostado, se apaixonado e queria a Michelle", relata.
O brigadeiro afirma que Michelle, num primeiro momento, não demonstrava interesse pelo relacionamento. Ainda assim, decidiu conversar com ela e expôs, de forma direta, a intenção de Bolsonaro. "Eu disse: 'O cara quer casar. Pode ser a solução dos seus problemas. Agora, quem tem que decidir é você'. Ela precisava avaliar se aquilo realmente valia a pena", recorda.
Casamento em poucos meses
O podcast também resgata uma entrevista antiga concedida por Michelle Bolsonaro à TV Record, na qual ela relembra a rapidez com que o relacionamento evoluiu. "Nos conhecemos, namoramos, noivamos e nos casamos em cinco meses", afirma a ex-primeira-dama.
Depois de deixar o gabinete de Ubiali, Michelle passou a trabalhar na liderança do PP. Poucos meses depois, foi contratada para o gabinete de Jair Bolsonaro, onde permaneceu até 2008, quando deixou a Câmara dos Deputados.
Em 2019, Michelle chegou ao Palácio do Planalto como primeira-dama. Em 2022, viu o marido perder a reeleição para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Hoje, como Bolsonaro em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado, Michelle protagoniza com o enteado Flávio (PL) - senador pelo Rio de Janeiro e pré-candidato à presidência da República - um embate que pode definir as eleições presidenciais de outubro.
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