Planejamento, gestão e prevenção marcaram a entrevista do advogado Guilherme Del Bianco ao podcast Arena GCN, apresentado pelo jornalista Corrêa Neves Jr. Ao longo da conversa, ele defendeu uma atuação estratégica na advocacia, alertou para os riscos da falta de organização patrimonial e resumiu sua visão sobre o mundo dos negócios em uma frase que chamou atenção: "Negócio que não dá dinheiro, ou você para ou você é parado". O episódio está disponível no YouTube e pode ser visto acima.
Formado em Direito pela Faculdade de Direito de Franca em 2006, Guilherme possui especialização em Gestão Jurídica da Empresa pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É sócio-fundador do escritório Moisés, Volpe, Vicari e Del Bianco Sociedade de Advogados (MVB), com atuação em Franca, Ituverava, Ribeirão Preto e São Paulo.
Planejamento para evitar crises
Durante a entrevista, Guilherme destacou a importância do planejamento patrimonial e empresarial, especialmente para pequenos e médios empreendedores.
Segundo ele, é comum encontrar empresários que misturam patrimônio pessoal e empresarial ao longo dos anos e só percebem os riscos dessa prática quando enfrentam processos judiciais ou dificuldades financeiras. "As crises financeiras não vêm de uma vez. Elas começam a dar sinais", afirmou.
O advogado relatou que muitos clientes chegam ao escritório com patrimônio suficiente para quitar dívidas, mas encontram bens bloqueados por não terem realizado uma organização patrimonial adequada.
"Como você construiu um patrimônio ao longo de uma vida inteira de trabalho e uma pequena fase da sua vida está te impedindo de vender, inclusive, bens que você quer vender para resolver o problema?", questionou.
Ao defender uma atuação preventiva, resumiu seu entendimento sobre gestão empresarial em uma frase que ganhou destaque durante a conversa: "Negócio que não dá dinheiro, ou você para ou você é parado."
Para Guilherme, buscar orientação profissional nos primeiros sinais de dificuldade amplia as possibilidades de reorganização das atividades, protege o patrimônio e evita que problemas financeiros se agravem.

Advocacia além dos processos
Ao comentar a expansão do MVB, Guilherme afirmou que o crescimento foi resultado de uma construção ao longo dos anos. Atualmente, o escritório reúne cerca de 92 profissionais distribuídos em quatro unidades.
Segundo ele, o diferencial da banca está na busca por soluções efetivas para os clientes, indo além da condução de processos judiciais. "O que a gente quer é uma advocacia que consiga entregar para o cliente algo que efetivamente resolva o problema dele."
Na avaliação do advogado, o profissional deve participar das decisões antes que os conflitos surjam. "As pessoas precisam entender que o advogado não está à frente do cliente, não está atrás, ele deve estar ao lado."
Ele acrescentou que a atuação jurídica tende a ser mais eficiente quando ocorre antes dos problemas.
"O advogado pode estar ao lado do cliente no momento em que ele vai tomar as decisões, não quando ele vai sofrer os efeitos das decisões tomadas."
Carreira e os desafios da profissão
Guilherme relembrou o início da trajetória profissional e atribuiu parte importante da formação à convivência com o pai, que atuava como despachante. Ele contou que começou a trabalhar aos 13 anos e permaneceu por mais de oito anos no negócio da família.
A experiência, segundo ele, permitiu compreender diferentes perfis de clientes e conhecer de perto os desafios enfrentados por empresários, produtores rurais, profissionais liberais e operadores do Direito.
"Eu fui vendo que todas as pessoas, em todas as profissões e em todas as áreas, têm seus dramas, seus desafios e suas necessidades", disse.
A escolha pela advocacia, afirmou, aconteceu de forma gradual. "Não foi uma paixão à primeira vista. Foi uma construção."
Guilherme também avaliou que exercer a advocacia se tornou mais desafiador nos últimos anos em razão da exposição proporcionada pelas redes sociais. "Hoje, a advocacia enfrenta desafios maiores do que enfrentava, por exemplo, há 10 anos."
Segundo ele, a velocidade da circulação das informações aumentou a cobrança sobre os profissionais e influenciou a percepção dos próprios clientes sobre processos e decisões judiciais. "O nível de cobrança do advogado hoje é maior também pelo seu cliente."
Tentativa de incêndio
Ao final da entrevista, Guilherme comentou a tentativa de incêndio registrada recentemente na sede do MVB, em Franca. Segundo ele, o caso continua sendo investigado pela Polícia Civil, com apoio da OAB de Franca e da OAB do Estado de São Paulo.
Sem entrar em detalhes sobre a investigação, afirmou que o episódio não alterou a rotina de trabalho da equipe.
"Quem mirou na gente para tentar intimidar com esse ato, errou o alvo. Isso não vai parar a gente, isso não vai fazer com que a gente mude a nossa forma de advogar."
Segundo o advogado, o escritório manteve normalmente suas atividades após o ocorrido.
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