A Prefeitura de Claraval (MG) publicou na última sexta-feira, 26, uma nota em suas redes sociais alertando os cafeicultores sobre a ocorrência de uma florada antecipada em parte dos cafezais do município. Segundo a administração municipal, o fenômeno foi registrado durante o período de colheita após as chuvas dos últimos dias, que interromperam o período seco e estimularam a abertura das flores.
Na publicação, a Secretaria Municipal de Agricultura informou que já foram identificadas lavouras com frutos maduros e flores recém-abertas ao mesmo tempo, uma situação considerada incomum para esta época do ano. Conforme a pasta, o cenário exige atenção dos produtores devido aos possíveis reflexos sobre o desenvolvimento das plantas e das próximas etapas do ciclo produtivo.
“A planta passa a dividir sua energia entre a maturação dos grãos que estão sendo colhidos e o desenvolvimento da nova florada. Esse processo pode comprometer tanto a qualidade da colheita atual quanto o potencial produtivo da próxima safra. Além disso, durante a colheita, muitas dessas flores acabam se desprendendo dos ramos, reduzindo o aproveitamento da florada”, explicou a Prefeitura de Claraval, na nota.
Diante desse cenário, a Secretaria Municipal de Agricultura orientou os cafeicultores a intensificarem o acompanhamento técnico das lavouras e o monitoramento das condições climáticas, adotando estratégias de manejo capazes de minimizar possíveis impactos provocados pelas alterações no regime de chuvas.
O que dizem os especialistas?
Na avaliação do gerente de comercialização da Cocapec (Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas), Willian Cesar Freiria, a florada registrada neste período realmente não é desejável do ponto de vista agronômico. Segundo ele, o principal efeito não é uma perda de produtividade da planta, mas a desuniformidade da maturação dos frutos, que podem amadurecer antes da época ideal de colheita.
“Do ponto de vista agronômico isso é ruim. A planta não vai perder potencial produtivo. Mas ela dá preferência às primeiras floradas. Então essa florada ela deve pegar, por mais que ela não é volumosa. Ela deve ter o vingamento bom, tomar espaço da próxima florada e infelizmente maturar mais cedo. O principal dano disso é que esse café, muito provavelmente, ele vai madurar numa hora errada e muito provável dele cair no chão e virar café de varreção. Então, você tem uma desuniformidade de maturação muito grande.”
Freiria explicou que a maior parte das plantas que apresentaram flores neste momento é de lavouras mais novas, que sofreram maior estresse hídrico antes das chuvas. Ele afirmou que a florada observada é pequena, não corresponde à principal florada da cultura e que somente as próximas emissões de flores permitirão avaliar se haverá algum reflexo mais significativo nas lavouras.
“Esse evento é um evento pontual, não é um evento que deva acontecer todo ano. Então, no geral, não é algo que a gente pode falar em prejuízo para o ano que vem.”
O gerente da Cocapec acrescentou que a cooperativa acompanhará o desenvolvimento das próximas floradas para medir os efeitos do fenômeno. Segundo ele, somente após esse acompanhamento será possível dimensionar se haverá algum impacto econômico, embora a avaliação inicial seja de que se trata de um episódio isolado, provocado pela combinação entre um período prolongado de estiagem e o alto volume de chuva registrado nos últimos dias.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.