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‘Mercadão está morto’ e serviços sociais vão para a Estação

Por Pedro Baccelli | Editor do Portal GCN/Sampi
| Tempo de leitura: 3 min
Pedro Dartibale/GCN
Prefeito Alexandre Ferreira e jornalista Corrêa Neves Jr. durante entrevista na Casa GCN
Prefeito Alexandre Ferreira e jornalista Corrêa Neves Jr. durante entrevista na Casa GCN

“O Mercadão está morto”. O prefeito Alexandre Ferreira (MDB) descartou a construção de um Mercadão Municipal no prédio reformado da antiga Estação Mogiana, em Franca. Em entrevista ao jornalista Corrêa Neves Jr., do Portal GCN/Sampi, nesta quinta-feira, 18, ele explicou que desistiu do projeto após três licitações fracassadas para preencher os boxes e quiosques do empreendimento e que usará o espaço para abrigar serviços de assistência social e atividades culturais.

“O Mercadão está morto. Está resolvido. E eu vou para o serviço público lá”, declarou o prefeito.

Estação enfraquecida

De acordo com Alexandre, a proposta do Mercadão Municipal surgiu a partir de reivindicações dos próprios comerciantes, que buscavam alavancar a economia da região. A área perdeu força comercial em razão de mudanças no sistema de transporte coletivo, que reduziram o fluxo de passageiros e, consequentemente, de potenciais clientes para os estabelecimentos do entorno.

O prefeito relembrou que recebeu uma ligação de um representante da rede de fast-food McDonald's questionando se a reforma do prédio realmente sairia do papel. O restaurante foi inaugurado em 2023 e está localizado na avenida Integração. “O McDonald's me ligou e disse o seguinte: ‘Você vai mesmo fazer?’ Eu falei: ‘Vou’. Então eles disseram: ‘Nós vamos prosseguir com o nosso prédio lá na Estação, porque, se você não for fazer, vamos desistir do projeto’.”

A Prefeitura investiu cerca de R$ 4 milhões na reforma do prédio, iniciada em 2022. A previsão era concluir a obra até o fim de 2023, mas a entrega ocorreu apenas no final de 2025, com dois anos de atraso.

Pelo projeto original, o Mercadão Municipal contaria com 26 espaços comerciais, sendo cinco quiosques, 20 boxes e um bar/café, além de um centro cultural. Os quiosques foram planejados para atividades de gastronomia e artesanato, enquanto os boxes seriam destinados, prioritariamente, à venda de hortifrutigranjeiros, temperos e utilidades domésticas.

Três tentativas, três decepções

A administração municipal também procurou a Associação dos Feirantes e, segundo Alexandre, recebeu uma resposta positiva. “A gente vai participar sim”, relatou o prefeito sobre o posicionamento da entidade. Naquele momento, o prefeito acreditava contar com o apoio tanto dos comerciantes da Estação quanto dos feirantes.

“Quando ficou pronto, nós licitamos e ninguém apareceu, nem os da Estação”. Diante do desinteresse, Alexandre ligou para os comerciantes. “O preço por metro quadrado de aluguel que vocês vão pagar numa associação dentro do mercado é menos do que você paga de aluguel hoje na sua empresa”.

Alexandre relatou que a administração municipal realizou uma segunda licitação e promoveu reuniões para identificar possíveis obstáculos ao projeto. Segundo ele, ajustes foram feitos a partir das sugestões recebidas, mas o resultado permaneceu o mesmo.

“A gente foi ajustando. Quando fez a primeira licitação, que não deu certo, a gente foi nas pessoas. ‘O que te incomodou lá que fez você não ir?’ A gente mudou. Publicou a segunda vez. De novo ele não foi.”

A Prefeitura também organizou plantões para auxiliar interessados no processo de inscrição. No entanto, a iniciativa seguiu sem adesão mesmo ao final da terceira licitação.

“Ninguém me dá resposta. Ninguém fala assim: a gente não quis porque o prédio ficou feio, a gente não quis porque demorou ou a gente não quis porque a gente não quer ninguém mais aqui na Estação. Não, ninguém fala nada”, criticou.

Apesar dos esforços, apenas três boxes tinham sido arrematados, inviabilizando o projeto original.

Novo destino

Diante da falta de interessados, Alexandre afirmou que decidiu encerrar definitivamente o projeto do Mercadão Municipal e destinar o espaço a equipamentos públicos.

Entre os serviços previstos para o prédio estão o Cras (Centro de Referência de Assistência Social), Creas (Conselho Regional de Serviço Social), Centro Cultural Salles Douner e a biblioteca. “Nós vamos colocar serviços lá culturais, de lazer e serviços de assistência”, finalizou.

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