O presidente da Câmara Municipal de Franca, Fransérgio Garcia (PL), anunciou um "pente-fino" em todos os contratos do Legislativo. Em entrevista ao jornalista Corrêa Neves Jr., do Portal GCN/Sampi, na Arena GCN, podcast semanal, ele disse que a revisão faz parte de uma “política de austeridade e transparência”, com o objetivo de reduzir despesas, identificar possíveis irregularidades e garantir maior responsabilidade na aplicação dos recursos públicos. Apesar de evitar nominar, implicitamente mira em contratos e compras feitas ou encaminhadas por seu antecessor, o vereador Daniel Bassi (PSD).
Segundo Fransérgio, todos os contratos vigentes estão sendo analisados individualmente. O presidente afirmou que o trabalho já resultou no cancelamento de um contrato de manutenção da rede de internet, após o departamento jurídico apontar irregularidades no processo que originou a contratação.
"O que eu estou fazendo é olhar todos os contratos da Câmara Municipal, um por um. Primeiro para entender onde consigo enxugar gastos e, depois, verificar se existe necessidade de outras providências", afirmou.
De acordo com ele, após a conclusão dessa análise, será criada uma comissão composta por vereadores para avaliar os contratos revisados e decidir se haverá encaminhamentos administrativos ou jurídicos.
Corte de gastos e devolução de recursos
Fransérgio também afirmou que pretende “devolver” R$ 10 milhões do orçamento previsto para a Câmara neste ano. Segundo ele, a economia faz parte do compromisso assumido quando disputou a presidência da Casa.
Outra medida anunciada foi a redução de 25% no contrato da TV Câmara, equivalente a cerca de R$ 400 mil. O presidente considera que o serviço é importante, mas avalia que o custo ainda permanece elevado. Na gestão de Daniel Bassi, a TV Câmara foi ampliada, contando com dezenas de profissionais em três turnos, em valor superior a R$ 1,5 milhão anuais.
Durante a entrevista, ele também mencionou apontamentos feitos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre o contrato da TV Câmara, entre eles a ausência de estudos que justificassem um aumento de aproximadamente 700% nos custos da estrutura, além da manutenção de três turnos de trabalho, considerados desnecessários.
Compra de móveis caiu de R$ 5,4 milhões para pouco mais de R$ 1 milhão
Outro ponto destacado por Fransérgio foi a revisão do projeto de compra de mobiliário para a Câmara.
Segundo ele, havia um “termo de referência” que permitiria uma compra de até R$ 5,4 milhões, também feito por seu antecessor. O presidente disse que interrompeu o processo após considerar o valor incompatível com a realidade financeira do município.
Ele afirmou ter revisado pessoalmente os orçamentos, eliminando itens considerados excessivos, como cadeiras avaliadas em cerca de R$ 8 mil cada. Após solicitar novos levantamentos de preços, a estimativa passou para pouco mais de R$ 1 milhão.
"Eu fui excluindo tudo aquilo que achava exagerado. Não consigo imaginar gastar mais de R$ 5 milhões em móveis enquanto a cidade tem tantas necessidades", declarou.
Fransérgio também informou que a reforma física da Câmara já consumiu mais de R$ 3 milhões. Segundo ele, a obra precisou ser retomada após a empresa responsável abandonar os trabalhos.
Presidente vê perseguição e cita vazamento de documentos
Durante a entrevista, Fransérgio voltou a afirmar que sofre “perseguição política”desde que lançou sua candidatura à presidência da Câmara.
Segundo ele, documentos internos têm sido repassados à imprensa antes mesmo de serem oficialmente protocolados, sempre de forma que, na sua avaliação, provoquem desgaste político.
Como exemplo, citou o episódio envolvendo a utilização de um veículo oficial enquanto estava com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa e um estudo solicitado para avaliar uma possível reclassificação salarial de servidores.
No caso do estudo, ele afirmou que o objetivo era apenas verificar se havia distorções na estrutura de cargos, mas disse que o documento foi divulgado antecipadamente para criar a impressão de que estaria promovendo aumento salarial.
"Percebi que aquilo foi uma casca de banana para dizer que o presidente da Câmara estava aumentando o salário de servidores", afirmou.
CNH suspensa e disputa familiar
Fransérgio também comentou questões pessoais que ganharam repercussão pública.
Sobre o episódio envolvendo a CNH, admitiu que dirigiu um veículo oficial enquanto cumpria suspensão do documento e afirmou que nunca negou o ocorrido. Segundo ele, a suspensão ocorreu em razão do acúmulo de pontos decorrentes, em parte, de multas registradas em um veículo que havia sido vendido a um sócio, mas que ainda permanecia em seu nome.
O presidente afirmou ainda que a habilitação acabou sendo cassada posteriormente pelo Detran e que permanecerá impedido de dirigir até 2027.
Ele também abordou a disputa judicial envolvendo um tio, relacionada, segundo disse, a questões familiares e de herança. Fransérgio preferiu não entrar em detalhes e afirmou que o caso será resolvido nas instâncias competentes.
Críticas a projetos inconstitucionais e à polarização
O presidente defendeu maior rigor na tramitação de projetos considerados inconstitucionais. Segundo ele, propostas sem viabilidade jurídica criam falsas expectativas na população e acabam prejudicando a credibilidade do Legislativo.
Fransérgio afirmou que já discutiu o tema com os vereadores e disse acreditar que haverá maior cuidado na aprovação de matérias que apresentem inconstitucionalidade evidente.
Outro ponto criticado foi o aumento da polarização política nas sessões. Para o presidente, debates sobre temas nacionais, como disputas entre apoiadores de Lula (PT) e Bolsonaro (PL), acabam desviando o foco das discussões de interesse do município.
Ele afirmou que pretende exigir maior respeito ao tema em debate durante as sessões para evitar que o plenário se transforme em palco de disputas ideológicas.
Imagem da Câmara e futuro político
Ao avaliar a imagem do Legislativo, Fransérgio reconheceu que a percepção da população sobre os vereadores é negativa.
Segundo ele, parte dessa visão decorre de um estigma histórico, mas também é alimentada pela aprovação de benefícios considerados excessivos e por projetos que acabam não produzindo efeitos práticos.
Sobre a disputa da reeleição para a presidência da Câmara, afirmou que ainda não tomou uma decisão. Disse que sua prioridade é concluir a reforma do prédio do Legislativo e finalizar as medidas de reorganização administrativa que colocou em prática neste primeiro ano de gestão.
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Comentários
2 Comentários
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Gabiroba 18 horas atrásEste nobre político é dono de uma ambição e ego que me causa receio! Ele quer ser tudo e quem quer ser tudo acaba sendo bom em nada. Quer ser presidente da francana, presidente da câmara, prefeito, etc... Mas vamos lá! Cadê a promessa de campanha de devolver os salários que protocolou em cartório? Foi feito isso? Agora pente fino no prefeito? Duvido muito que mova qualquer esforço para isso. Transformar a Francana em SAF? Quanto ele vai embolsar nessa transação? Cuidado Sr. Político quanto maior a escalada, maior o tombo! -
Virgulino 1 dia atrasOk, mas em todo caso é bom esconder a chave do carro, vai que.....kkkkk