A política de redução de danos, o tratamento de dependentes químicos, o combate ao tráfico e a crescente presença de usuários de drogas em espaços públicos dividiram os pré-candidatos a deputado estadual por Franca na campanha Franca Tem Voz. Ao responderem sobre o tema, os participantes apresentaram diferentes diagnósticos para o problema e defenderam caminhos que passam por saúde pública, reabilitação, assistência social, endurecimento no combate ao crime e investimento em políticas de acolhimento.
Enquanto parte dos pré-candidatos defendeu a ampliação das políticas de saúde pública e a adoção da redução de danos como estratégia baseada em evidências científicas, outros manifestaram preferência por modelos focados na recuperação dos dependentes e no fortalecimento do combate à criminalidade associada ao uso de drogas.
O que disseram os pré-candidatos?
A pergunta apresentada aos pré-candidatos foi a seguinte:
O senhor é a favor ou contra as políticas de redução de danos? E, na sua opinião, o dependente químico é um doente, que precisa de tratamento, ou um criminoso, que precisa de punição?
Cristiany de Castro (Republicanos): “Infelizmente a gente tem visto muitos dependentes químicos na cidade de Franca. Eu particularmente vejo a dependência química muito mais vinculada a uma situação de saúde que precisa de tratamento do que a uma situação criminal necessariamente.
Claro que a gente não retira a responsabilidade daqueles que eventualmente cometerem crimes. A própria lei já diferencia a figura do criminoso, do traficante, da figura do usuário.
O que a gente precisa de fato é olhar para as pessoas, promover políticas públicas que trabalhem a reabilitação, porque toda vida merece uma chance de recomeço.”
Flávia Lancha (PSD): “Eu faço uma distinção muito clara: traficante é caso de polícia, dependente é caso de saúde pública. Quem enfrenta dependência precisa de tratamento, apoio e oportunidade. Respeito o debate sobre a redução de danos, mas não acredito que ele seja a resposta que o Brasil precisa.
Quando estive na Secretaria de Desenvolvimento, levamos capacitação ao Centro Pop. Dez pessoas decidiram dar um passo em direção a uma nova vida. Para mim, não são números, são famílias impactadas.
A dependência química não será vencida com soluções isoladas. Será enfrentada com responsabilidade e políticas que recuperem vidas.”
Marcos Ferreira (PSB): “A política de redução de danos é uma estratégia de saúde pública que visa reduzir os impactos negativos sociais e à saúde associados ao consumo de drogas.
O foco é proteger o ser humano e promover a cidadania, uma vez que o dependente químico é uma vítima do Estado ineficiente em combater o tráfico e do traficante inescrupuloso que destrói a vida individual e familiar do dependente químico.
Portanto, sou a favor da política de redução de danos. Criminoso é o traficante e as autoridades cúmplices ou ineficientes no combate ao tráfico. Dependente químico é questão das diretrizes de saúde mental, com rede de atenção integral ao usuário, buscando evitar consequências mais graves e promover o bem-estar social.”
Professora Priscila (PT): “Vim falar que sou a favor das políticas de redução de danos porque sou a favor da ciência. A ciência já comprovou que essa abordagem é eficaz e a ciência também nos diz que a dependência química é uma doença. O dependente é alguém psicologicamente condicionado pelo uso da droga e isso requer tratamento, não punição.
Tratar um doente como criminoso não resolve o problema, aprofunda ele. Agora, a punição existe sim e precisa acontecer, mas contra quem sustenta e lucra com o vício.
A Operação Carbono Oculto da Polícia Federal mostrou exatamente isso. Foram identificados bilhões desviados para o crime organizado com envolvidos dentro da Faria Lima. É aí que a força do Estado precisa cair com todo o peso da lei.”
Alexandre Tabah (Novo): “Bem, Franca é capital do sapato, café e basquetebol. E também capital dos ‘nóia’. Esses nóia que invadem imóveis, roubam fios, destroem tudo. Isso é crime e tem que ter punição.
Dependente químico é um doente e precisa sim de tratamento e ajuda, de preferência afastado da cidade. Chega de políticas que fingem ajudar, mas só deixam as pessoas abandonadas na rua.
O cidadão de Franca quer ordem nas ruas, segurança para trabalhar e uma cidade de verdade.”
Projeto segue até as eleições
Os vídeos integram a campanha Franca Tem Voz, iniciativa que reúne entidades, veículos de comunicação e instituições da cidade com o objetivo de ampliar o debate sobre temas de interesse regional e estimular o fortalecimento da representação política de Franca e região.
Ao longo das próximas semanas, os pré-candidatos voltarão a se manifestar sobre novos temas definidos pela organização do projeto. A pré-candidata Delegada Graciela (PL) não enviou o vídeo até o fechamento do prazo.
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Comentários
3 Comentários
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Darsio 20/06/2026E, por falar de sucateamento dos seriços públicos, digo que a péssima qualidade da educação derivada das políticas do Tarcísio de Freitas, está fazendo com que toda uma geração de jovens seja perdida, sem a mínima formação para lidar com a própria vida e com o mundo do trabalho. Logo, a população de rua tende apenas a aumentar. -
Darsio 20/06/2026Moradores de rua não são mais exclusividades dos grandes centros urbanos, pois também estão presentes nas pequenas cidades. É um produto das desigualdades sociais que, somente se aprofundam com o sucateamento dos serviços públicos, com a corrupção nos meios político, empresarial, policial, religioso e judiciário e, com o desperdício do dinheiro público na manutenção dos privilégios e salários estratosféricos da classe política e das elites do funcioalismo publico. Aliás, diga-se de passagem que o vagabundo do Nicolas Ferreira, árduo combatende da redução da escala de trabalho para 5X2, está nos EUA, curtindo a copa e com todos os custos pagos por nós, idiotas contribuintes. E, assim também fazem outros personagens políticos, juízes e promotores. A Nicolete exige que o pobre trabalhe até a exaustão, mes ele próprio se quer sabe o que é trabalhar na vida. -
Antonio Carlos 11/06/2026São o subproduto da sociedade atual onde o ter sobrepõe o valor do ser humano e que produz esses desgraçados que não conseguem pelas vias legais ser o incluídos num sistema que os oprimem e que agora usam dessa justificativa para negar-lhes até o direito de reconhecimento como seres humanos. Drogas, álcool, marginalidade e o crime é o que lhes sobraram para subsistir apenas respirando e sofrendo. A humanidade é um corpo único e essas são as chagas desse corpo humano numa sociedade cada vez mais injusta e perversa. E antes que me mandem levar todos eles pra minha casa eu vou dizer não está nesse tipo de ação que vai resolver nada, mas vou adiantar que são os que não se envergonham com essa situação são todos cúmplices desse crime perante os céus.