ELEIÇÕES 2026

Dependente: doente ou criminoso? Veja o que pensam os estaduais

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Sampi/Franca
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Pessoas em situação de rua dormindo na Rodoviária de Franca
Pessoas em situação de rua dormindo na Rodoviária de Franca

A política de redução de danos, o tratamento de dependentes químicos, o combate ao tráfico e a crescente presença de usuários de drogas em espaços públicos dividiram os pré-candidatos a deputado estadual por Franca na campanha Franca Tem Voz. Ao responderem sobre o tema, os participantes apresentaram diferentes diagnósticos para o problema e defenderam caminhos que passam por saúde pública, reabilitação, assistência social, endurecimento no combate ao crime e investimento em políticas de acolhimento.

Enquanto parte dos pré-candidatos defendeu a ampliação das políticas de saúde pública e a adoção da redução de danos como estratégia baseada em evidências científicas, outros manifestaram preferência por modelos focados na recuperação dos dependentes e no fortalecimento do combate à criminalidade associada ao uso de drogas.

O que disseram os pré-candidatos?

A pergunta apresentada aos pré-candidatos foi a seguinte:

O senhor é a favor ou contra as políticas de redução de danos? E, na sua opinião, o dependente químico é um doente, que precisa de tratamento, ou um criminoso, que precisa de punição?

Cristiany de Castro (Republicanos): “Infelizmente a gente tem visto muitos dependentes químicos na cidade de Franca. Eu particularmente vejo a dependência química muito mais vinculada a uma situação de saúde que precisa de tratamento do que a uma situação criminal necessariamente.

Claro que a gente não retira a responsabilidade daqueles que eventualmente cometerem crimes. A própria lei já diferencia a figura do criminoso, do traficante, da figura do usuário.

O que a gente precisa de fato é olhar para as pessoas, promover políticas públicas que trabalhem a reabilitação, porque toda vida merece uma chance de recomeço.”

Flávia Lancha (PSD): “Eu faço uma distinção muito clara: traficante é caso de polícia, dependente é caso de saúde pública. Quem enfrenta dependência precisa de tratamento, apoio e oportunidade. Respeito o debate sobre a redução de danos, mas não acredito que ele seja a resposta que o Brasil precisa.

Quando estive na Secretaria de Desenvolvimento, levamos capacitação ao Centro Pop. Dez pessoas decidiram dar um passo em direção a uma nova vida. Para mim, não são números, são famílias impactadas.

A dependência química não será vencida com soluções isoladas. Será enfrentada com responsabilidade e políticas que recuperem vidas.”

Marcos Ferreira (PSB): “A política de redução de danos é uma estratégia de saúde pública que visa reduzir os impactos negativos sociais e à saúde associados ao consumo de drogas.

O foco é proteger o ser humano e promover a cidadania, uma vez que o dependente químico é uma vítima do Estado ineficiente em combater o tráfico e do traficante inescrupuloso que destrói a vida individual e familiar do dependente químico.

Portanto, sou a favor da política de redução de danos. Criminoso é o traficante e as autoridades cúmplices ou ineficientes no combate ao tráfico. Dependente químico é questão das diretrizes de saúde mental, com rede de atenção integral ao usuário, buscando evitar consequências mais graves e promover o bem-estar social.”

Professora Priscila (PT): “Vim falar que sou a favor das políticas de redução de danos porque sou a favor da ciência. A ciência já comprovou que essa abordagem é eficaz e a ciência também nos diz que a dependência química é uma doença. O dependente é alguém psicologicamente condicionado pelo uso da droga e isso requer tratamento, não punição.

Tratar um doente como criminoso não resolve o problema, aprofunda ele. Agora, a punição existe sim e precisa acontecer, mas contra quem sustenta e lucra com o vício.

A Operação Carbono Oculto da Polícia Federal mostrou exatamente isso. Foram identificados bilhões desviados para o crime organizado com envolvidos dentro da Faria Lima. É aí que a força do Estado precisa cair com todo o peso da lei.”

Alexandre Tabah (Novo): “Bem, Franca é capital do sapato, café e basquetebol. E também capital dos ‘nóia’. Esses nóia que invadem imóveis, roubam fios, destroem tudo. Isso é crime e tem que ter punição.

Dependente químico é um doente e precisa sim de tratamento e ajuda, de preferência afastado da cidade. Chega de políticas que fingem ajudar, mas só deixam as pessoas abandonadas na rua.

O cidadão de Franca quer ordem nas ruas, segurança para trabalhar e uma cidade de verdade.”

Projeto segue até as eleições

Os vídeos integram a campanha Franca Tem Voz, iniciativa que reúne entidades, veículos de comunicação e instituições da cidade com o objetivo de ampliar o debate sobre temas de interesse regional e estimular o fortalecimento da representação política de Franca e região.

Ao longo das próximas semanas, os pré-candidatos voltarão a se manifestar sobre novos temas definidos pela organização do projeto. A pré-candidata Delegada Graciela (PL) não enviou o vídeo até o fechamento do prazo.

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