O Portal GCN/Sampi teve acesso, nesta quarta-feira, 10, a áudios trocados entre Thalys Rafael, apontado pela Polícia Civil como principal suspeito pelo desaparecimento e morte do cabeleireiro Mikael Santos Lima, de 29 anos, e Mônica Pereira Santos Lima, mãe da vítima. O corpo foi encontrado no último dia 4, no Paiolzinho, zona rural de Franca.
As conversas ocorreram entre os dias 27 e 29 de maio, período compreendido entre o desaparecimento de Mikael e a prisão de Thalys Rafael pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais). Nas mensagens, o suspeito afirma não saber o paradeiro do amigo e sustenta a versão de que ele poderia ter sido vítima de uma emboscada.
Segundo os áudios, Thalys relatava à família que Mikael estaria se envolvendo com algumas mulheres e que poderia ter sido atraído para uma armadilha na região do Paiolzinho, área de chácaras na zona rural de Franca, onde o corpo foi localizado posteriormente.
'O único cara que ele confiava era em mim'
Em uma das gravações, Thalys afirma que mantinha uma relação próxima com Mikael e que era uma das pessoas de maior confiança da vítima.
"Então, é igual eu te falei, o único cara que ele contava tudo, que ele confiava, era em mim. Qualquer coisinha que acontecia, podia ser envolvendo briga, ele vinha em mim. Ele sempre correu comigo."
Na mesma conversa, ele afirma que Mikael havia comentado sobre supostas ameaças recebidas anteriormente e menciona um print enviado pelo cabeleireiro horas antes do desaparecimento.
Segundo o relato, a imagem mostrava uma conversa em que uma pessoa desconhecida enviava mensagens ameaçadoras relacionadas a um suposto envolvimento amoroso de Mikael com uma mulher casada.
Mãe relatou descoberta de segundo celular
Em outro trecho das conversas, Mônica informa que encontrou um segundo aparelho celular utilizado recentemente pelo filho e que o telefone seria encaminhado para análise da Polícia Civil.
Demonstrando esperança de localizar o filho, ela afirma acreditar que as informações armazenadas no aparelho poderiam ajudar nas buscas.
"A gente conseguiu ver alguns contatos. Tem muito contato e faz pouco tempo que ele usou. Minha mãe levou para a polícia rastrear. A gente pode conseguir alguma coisa."
Thalys respondeu dizendo que desconhecia a existência do segundo telefone e voltou a afirmar que sabia apenas das conversas de Mikael com algumas mulheres e das ameaças que ele teria recebido.
Orientação para não trocar de celular
Durante a troca de mensagens, Thalys questiona o que a polícia havia informado sobre o caso e comenta que pretendia trocar de aparelho celular, alegando que faria capturas de tela das conversas antes de perder os dados.
Mônica então o orienta a não trocar de número nem de aparelho. "Filho, não troca, não. Passei seu número na delegacia também. Se você trocar, de testemunha você pode virar acusado. Não troca, a polícia pode entender diferente."
Prisão e investigação
Thalys Rafael foi preso em 29 de maio, suspeito de tentar extorquir a família de Mikael. Segundo a investigação, ele entrou em contato utilizando outro número de telefone e pediu R$ 50 mil em troca de informações sobre o paradeiro do cabeleireiro.
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que Mikael já estivesse morto quando as mensagens foram enviadas.
Na época da prisão, Thalys alegou que mantinha contato com pessoas supostamente responsáveis por um sequestro e sustentava que terceiros seriam os autores do crime.
Familiares da vítima, no entanto, passaram a suspeitar que parte das mensagens e conversas atribuídas a Mikael possa ter sido utilizada para afastar suspeitas sobre o investigado.
Corpo foi encontrado uma semana depois
Mikael Santos Lima desapareceu no dia 27 de maio. O corpo dele foi localizado em 4 de junho na região do Paiolzinho, enrolado em tapetes de grama.
A principal linha de investigação aponta que o homicídio ocorreu ainda no dia do desaparecimento.
O delegado Márcio Murari, responsável pelo caso, deverá ouvir Thalys Rafael nos próximos dias. O suspeito será confrontado com os elementos reunidos durante a investigação, incluindo imagens que mostram Mikael seguindo Thalys de motocicleta em direção a Claraval.
Segundo a Polícia Civil, áudios, mensagens, capturas de tela e demais provas já foram incorporados ao inquérito.
Thalys segue preso e é apontado como principal suspeito tanto pelo desaparecimento quanto pela morte do cabeleireiro. A defesa dele não foi citada no material encaminhado à reportagem.
A família de Mikael afirma que espera a conclusão das investigações e cobra justiça pelo caso.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.