ELEIÇÕES 2026

PEC das drogas expõe divergências entre pré-candidatos

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Sampi/Franca
Divulgação/Dise
Pés de maconha encontrados em residência no Jardim Piratininga, em Franca
Pés de maconha encontrados em residência no Jardim Piratininga, em Franca

Criminalização do porte de qualquer quantidade de droga, a competência do Congresso Nacional para legislar sobre o tema, o combate ao tráfico, políticas de prevenção e tratamento e o uso medicinal da cannabis dominaram as respostas dos pré-candidatos a deputado federal por Franca, dentro da campanha Franca Tem Voz nesta semana.

Ao responderem a uma pergunta sobre a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que busca tornar crime o porte de qualquer quantidade de droga, os postulantes apresentaram posições distintas sobre o tema. A maioria manifestou apoio ao endurecimento da legislação, enquanto uma das participantes se posicionou contra a proposta por considerar que ela pode comprometer o acesso a tratamentos com cannabis medicinal.

Vídeos semanais

Os pré-candidatos poderão apresentar semanalmente suas propostas e posicionamentos sobre temas considerados relevantes para a população. No caso dos postulantes à Câmara Federal, a equipe de reportagem do GCN enviará uma pergunta até às 10h das segundas-feiras. As respostas deverão ser encaminhadas em vídeo, com duração máxima de 45 segundos, até às 16h do mesmo dia. O material será reunido em uma publicação única no Instagram do GCN, acompanhada de texto jornalístico divulgado às terças-feiras. A ordem das respostas será alterada semana a semana.

O que disseram os pré-candidatos?

A pergunta apresentada aos pré-candidatos foi a seguinte:

"A Câmara discute projetos que tornam crime o porte de qualquer quantidade de drogas, na contramão da decisão do STF que descriminalizou o porte de maconha para uso pessoal. O senhor votaria a favor ou contra essa PEC — e por quê?"

Guilherme Ubiali (PSDB): “Essa PEC é importante porque o combate ao tráfico exige uma distinção clara entre usuário e traficante, até para a polícia poder focar os seus esforços nos criminosos. Mas quem faz leis deve ser o Congresso, representante da população, não o judiciário. É fundamental que seja o Legislativo a decidir as regras que separam o traficante do usuário.

Mas mais importante do que isso, apenas criminalizar não resolve o problema. É preciso repressão ao crime organizado, fortalecimento do trabalho da polícia, sempre investindo em prevenção e tratamento dos dependentes químicos. O Brasil precisa de regras claras e duras no combate ao tráfico.”

João Rocha (União): “O STF descriminalizou o porte de maconha até 40 gramas ou 6 pés plantados para diferenciar o traficante do usuário.

Mas na verdade, corre no Legislativo Federal uma PEC, ou seja, um projeto de lei, para criminalizar qualquer tipo de droga. E eu devo dizer, nós vamos para Brasília, se Deus quiser, e qualquer tipo de legislação para criminalizar as drogas, eu sou favorável, a não ser que seja uso medicinal. Caso contrário, nós somos contra, sim, a legalização ou a descriminalização de qualquer tipo de droga.”

Mariana Negri (PT): “Eu sou contra a proposta de emenda à Constituição que prevê a criminalização de todas as drogas em qualquer quantidade e explica os motivos. Aqui em Franca, nós temos a Associação Flor da Vida, que é uma associação reconhecida nacionalmente de cannabis medicinal. A cannabis que é produzida aqui em Franca vira remédio para milhares de pessoas em sofrimento intenso.

São idosos com dores crônicas, são crianças com autismo, epilepsia, uma série de doenças. É preciso, gente, ter responsabilidade com o acesso à saúde dessas pessoas. Uma PEC que criminalize todas as drogas em qualquer quantidade impediria o acesso de quem precisa a esse tratamento.

Então, o parlamentar precisa pensar com respeito à ciência, com ética e com responsabilidade.”

Sidiney Elias (Novo): “Eu sou totalmente favorável à proposta de emenda constitucional 45 de 2023, que tramita atualmente no Congresso Nacional. Na minha visão, ela traz um equilíbrio que diferencia o traficante do usuário, sendo que o usuário tem a possibilidade de cuidado e tratamento, mas reforça que o porte de drogas não pode ser relativizado. Então, a medida busca segurança jurídica, proteção social e uma resposta mais firme do estado. A competência de legislar ela é exclusiva do Congresso Nacional e não do STF, como que nós temos visto muito ultimamente.”

Cynthia Millhim (MDB): “Enquanto muitos discutem flexibilizar as regras sobre drogas, eu acredito que o caminho precisa ser outro, proteger as nossas famílias, os nossos jovens e as nossas comunidades. Por isso, eu vejo como fundamentais os projetos que estão sendo debatidos no Congresso para endurecer a legislação e reforçar o combate às drogas.

Quem convive com a realidade nas ruas sabe o impacto que o tráfico e a dependência química causam na vida de milhares de famílias. Se eu tiver a oportunidade de votar esse tema, meu voto será favorável a medidas mais rigorosas no enfrentamento às drogas. Nós precisamos de políticas de prevenção, de tratamento e acolhimento, mas também precisamos de firmeza para proteger a nossa sociedade.”

Projeto segue até as eleições

Os vídeos integram a campanha Franca Tem Voz, iniciativa que reúne entidades, veículos de comunicação e instituições da cidade com o objetivo de ampliar o debate sobre temas de interesse regional e estimular o fortalecimento da representação política de Franca e região nas esferas estadual e federal.

Ao longo das próximas semanas, os pré-candidatos voltarão a se manifestar sobre novos temas definidos pela organização do projeto. Após a homologação das candidaturas, a iniciativa também promoverá debates individuais com os candidatos confirmados.

O pré-candidato a deputado federal Daniel Bassi (PSD) excedeu o tempo limite e, por isso, sua gravação foi invalidada. Guilherme Cortez (Psol), Gilson de Souza (PSB) e João Rinoceronte (PSDB) não participaram dessa edição, pois não enviaram o vídeo até o fechamento do prazo já estabelecido.

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