CULINÁRIA

Pão de tapioca

Por Sonia Machiavelli | especial para a Sampi
| Tempo de leitura: 3 min

Ingredientes

  • 2 ovos
  • 1 xícara (chá) de tapioca 
  • 1 xícara (chá) de amido do milho (maisena)
  • 100 ml de leite integral
  • 5 colheres (sopa) de óleo
  • 1 colher (sopa) de fermento químico
  • 2 colheres (sopa) de parmesão ralado
  • Sal a gosto
  • Salsinha a gosto

Falar sobre pão é abordar a própria história da humanidade. Ele é o alimento que nutre não apenas o corpo, mas a alma e a cultura. Enquanto houver trigo, água e fogo, o pão continuará sendo o centro da mesa humana - um lembrete diário de nossa dependência da natureza e de nossa capacidade de transformar o simples no extraordinário. Valorizar o pão é reconhecer a importância da partilha e a dignidade fundamental de que todo ser humano merece ter o seu sustento garantido.

Mais do que um simples aglomerado de farinha, água e sal, o pão representa a transição do nomadismo para o sedentarismo e o nascimento da agricultura. Ao longo de milênios, consolidou-se como o "alimento de todos", atravessando fronteiras geográficas, barreiras linguísticas e divisões de classe social para se tornar a base da dieta global.

A importância do pão reside, primeiramente, na sua simplicidade e eficiência nutricional.

Historicamente, ele ofereceu uma fonte densa e acessível de carboidratos, essencial para sustentar a força de trabalho que construiu impérios. Das pirâmides do Egito às revoluções europeias, o acesso ao pão foi frequentemente o termômetro da estabilidade política. Quando o pão faltava, o povo se levantava; quando ele era abundante, a sociedade florescia.

Além do aspecto biológico, o pão carrega um peso simbólico e espiritual inigualável. Na maioria das culturas, o ato de "partir o pão" é sinônimo de hospitalidade, paz e comunhão. Ele é o alimento que nivela a mesa: do camponês ao monarca, a essência do sustento é a mesma. Em rituais religiosos e celebrações seculares, personifica a vida e o sacrifício, servindo como um elo entre o sagrado e o cotidiano.

Uma das razões para sua onipresença é a incrível capacidade de adaptação aos recursos locais. Essa diversidade mostra que, embora a técnica mude, a necessidade humana de transformar o grão em sustento é constante. O pão é democrático porque exige poucos ingredientes, mas recompensa com uma infinidade de texturas e sabores.

Ele não possui uma forma única, mas sim múltiplas identidades que refletem o território de onde provém: a baguete francesa é focada na técnica e crocância; o naan indiano foi adaptado para acompanhar especiarias e molhos; a tortilha de milho tornou-se a base das civilizações nas Américas; o pão preto nórdico, denso e resistente, foi desenvolvido por habitantes de climas rigorosos; o pão francês só existe no Brasil e é maravilhoso quando sai estalando do forno. E este pão que a leitora, o leitor, veem na foto, foi pensado para os intolerantes ao glúten. Fácil para preparar e rápido para assar, é uma surpresa muito agradável ao paladar.

Faça assim. Coloque no copo do liquidificador ovos, leite e óleo. Bata por dois minutos e desligue. Junte a tapioca, o amido e o sal. Bata mais dois minutos. Se for usar salsinha, pique bem fino e acrescente. Por último agregue o fermento e bata por dez segundos, apenas apara misturar. Transfira essa massa para uma forma untada de bolo inglês, tamanho 20cmx10cm e polvilhe na superfície o queijo ralado. Leve ao forno já aquecido a 200 graus por 25 minutos ou até dourar. Espere amornar antes de desenformar.

Sonia Machiavelli é professora, jornalista, escritora; membro da Academia Francana de Letras

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