CONDENADO

Pai Joaquim vai cumprir pena por ameaça contra taróloga

Por Laís Bachur | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
GCN
Panfleto da taróloga e do vidente em postes de Franca
Panfleto da taróloga e do vidente em postes de Franca

A prisão do vidente conhecido como Pai Joaquim, nessa quinta-feira, 26, em Franca, ocorreu por causa de uma condenação definitiva relacionada a um processo que estava em andamento desde março de 2024. Ele foi julgado por ameaça contra uma taróloga e agora terá que cumprir dois anos em regime aberto.

Em entrevista exclusiva ao portal GCN/Sampi, o delegado responsável pelo SIG (Setor de Investigações Gerais) de Franca, Eduardo Bonfim, confirmou que a detenção é resultado direto da conclusão do processo. “É um processo de 2024. O processo terminou, ele recorreu e agora vem a sentença definitiva e ele vai ter que cumprir esses dois anos em regime aberto”.

Segundo Eduardo, apesar de o vidente possuir passagens anteriores por crimes como roubo e furto, o mandado atual foi expedido exclusivamente pela condenação por ameaça contra a taróloga.

“É o crime de ameaça. Ele foi julgado, foi condenado no regime aberto a dois anos, agora vai ter que cumprir esse tempo. Fora os outros inquéritos que ele responde, tanto pelo crime de poluição, que inclui poluição visual, por pregar cartazes nos postes da cidade. Ele também tem várias multas da Prefeitura e, dependendo do que aconteça, pode perder esse benefício”, explicou.

De acordo com o delegado, Pai Joaquim não costumava colar pessoalmente os cartazes com propaganda de seus serviços espirituais. Ele teria funcionários responsáveis por espalhar o material em postes e muros da cidade.

“Normalmente ele manda uma pessoa pregar, não é ele que prega pessoalmente. Mas, como da última vez que foi pego aqui um funcionário dele, nós tentamos encontrá-lo no dia, não conseguimos. O funcionário foi preso em flagrante e ele também pode ser preso em flagrante caso seja encontrado pregando os papéis”, destacou.

Natural de Barretos, o vidente teria se mudado para Franca após enfrentar problemas semelhantes na cidade onde morava. “Ele é de outra cidade e teve os mesmos tipos de problemas de pregar cartazes. Também deve dinheiro de multa à Prefeitura Municipal de Barretos. Só em Franca, o valor das multas ultrapassa R$ 600 mil”, informou o delegado.

O caso de ameaça contra a taróloga

O episódio que resultou na condenação aconteceu na noite de 14 de março de 2024, no bairro Cidade Nova, em Franca.

Na ocasião, o vidente Pai Joaquim, de 37 anos, foi preso em flagrante por injúria, stalking (perseguição) e associação criminosa. Ele estava em frente ao prédio onde mora uma taróloga, de 28 anos, que o denunciou por ameaças.

A confusão entre os dois teria começado por disputa de postes de iluminação pública para colocação irregular de propagandas dos serviços que oferecem.

Segundo a vítima, ele foi até a frente do prédio onde ela mora, tirou fotos e espalhou panfletos. As imagens foram enviadas para o WhatsApp da taróloga junto com mensagens de ameaça. Nas mensagens, ela teria sido chamada de “safada” e “lixo”.

A mulher acionou a Polícia Militar e apresentou as mensagens e fotos, além de informar que já possuía medida cautelar protetiva contra ele.

Enquanto os policiais atendiam à ocorrência, Pai Joaquim e a mulher retornaram ao local e foram abordados. Eles confirmaram que tiveram uma discussão com a taróloga e que sabiam do boletim de ocorrência registrado contra eles, assim como do pedido de medida protetiva.

O casal foi conduzido até a CPJ (Central de Polícia Judiciária). No plantão, o delegado entendeu que houve prática de injúria, stalking — devido ao histórico de boletins registrados pela vítima — e associação criminosa, pela participação de uma terceira pessoa com a dupla.

Na época, os dois foram presos em flagrante, mas liberados para responder ao processo em liberdade até a conclusão do julgamento.

Agora, com a sentença definitiva pela ameaça, Pai Joaquim deverá cumprir dois anos em regime aberto.

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