EM FRANCA

Polícia exuma corpo de Tatiane após suspeita de envenenamento

Por Laís Bachur | da Redação
| Tempo de leitura: 10 min
Sampi/Franca
Laís Bachur/GCN
Autoridades e familiares acompanhando a exumação do corpo de Tatiane, no cemitério Jardim das Oliveiras, em Franca
Autoridades e familiares acompanhando a exumação do corpo de Tatiane, no cemitério Jardim das Oliveiras, em Franca

A exumação do corpo da orientadora educacional Tatiane Cintra dos Santos Cardozo, de 42 anos, foi realizada na tarde desta quarta-feira, 11, no cemitério Jardim das Oliveiras, em Franca. Autoridades e familiares acompanharam de perto o procedimento, que faz parte da investigação para esclarecer as circunstâncias da morte da educadora, encontrada sem vida em sua residência no dia 20 de abril de 2025.

A exumação ocorreu após autorização judicial e tinha como objetivo coletar o máximo possível de material biológico para análises laboratoriais. Segundo a Polícia Civil, foram retiradas amostras de órgãos e sangue, que serão encaminhadas para perícia em laboratório especializado, localizado em São Paulo.

O caso ganhou repercussão na cidade desde que familiares passaram a questionar os laudos iniciais e levantaram suspeitas de que a morte poderia não ter sido natural.

Exumação estava marcada para 15h30 e foi acompanhada pela família

A exumação da orientadora, marcada para as 15h30, mobilizou equipes da Polícia Civil, perícia técnica, IML (Instituto Médico Legal), médicos e familiares da vítima.

O ambiente foi isolado para garantir segurança e evitar a aproximação de curiosos. Fitas zebradas foram utilizadas para delimitar a área e restringir o acesso de outras pessoas durante o procedimento.

Os coveiros foram responsáveis pela abertura do túmulo e realização da retirada do caixão, enquanto peritos e médicos supervisionavam cada etapa.

O momento foi acompanhado por dois irmãos de Tatiane, que permaneceram próximos durante toda a ação.

Procedimento foi feito em área isolada e amostras foram coletadas para análise

Após a abertura do túmulo, os profissionais realizaram a retirada do material necessário para exames detalhados. A intenção, segundo os investigadores, é identificar se havia alguma substância ou indício que possa ter contribuído para a morte da orientadora.

O delegado responsável pelo caso, Davi Abmael Davi, destacou a importância do procedimento, afirmando que a exumação é considerada uma prova essencial na investigação. “A expectativa dessa exumação é muito grande, é uma prova muito efetiva, muito contundente.”

O delegado ainda explicou que, apesar de o corpo ter passado por procedimentos que inicialmente impediam a realização da exumação, a Justiça autorizou que ela fosse feita.

Corpo passou por tanatopraxia, mas Justiça liberou exumação

No início das investigações, a exumação não poderia ser realizada, já que o corpo havia passado por tanatopraxia (procedimento de conservação). Isso levou o próprio IML a negar a solicitação da família em um primeiro momento, sob a justificativa de que o exame poderia não ter validade devido às alterações causadas no corpo.

Mesmo assim, com a insistência dos familiares e o acionamento judicial, a exumação foi autorizada.

Vísceras, órgãos e sangue foram coletados

Durante o procedimento, os especialistas conseguiram coletar grande parte do que era necessário para exames laboratoriais. Entre os materiais recolhidos estavam órgãos e vísceras, incluindo rim, fígado, baço, além de outras amostras internas, como vísceras e sangue.

Segundo o delegado, até mesmo sangue foi obtido, o que pode ser crucial para o resultado final. “Apesar de todo este tempo, também conseguimos sangue.”

As amostras serão encaminhadas para análise em laboratório especializado, na capital paulista.

Material será analisado em São Paulo e não há prazo para resultado

De acordo com o delegado, ainda não existe um prazo definido para a conclusão do laudo pericial. “Não temos ainda um prazo definido para que sejam nos trazidos os resultados. Acreditamos que o mais breve possível.”

Ele reforçou que há uma grande expectativa em torno do resultado e que o caso segue sendo tratado como uma situação incomum.

Delegado afirma que investigação busca saber se houve ação de terceiros

O delegado Davi Abmael Davi explicou que a Polícia Civil ainda não tem uma conclusão sobre autoria, e que a intenção é esclarecer se houve participação de terceiros na morte. “Nós não temos ainda uma definição em relação à autoria, isso que queremos, que o autor pague, que a sociedade seja esclarecida se realmente houve uma provocação por parte de terceiro sobre a morte.”

Ele reforçou que somente após o resultado das análises será possível direcionar a investigação de forma mais concreta. “A partir daí podemos direcionar para algum autor, se realmente tiver as comprovações que nós estamos encaminhando para ter.”

Defesa do acusado afirma confiar na Justiça e diz acreditar na inocência

A advogada Letycia Antinori, que representa a defesa do acusado, também falou sobre o caso e disse que a equipe jurídica está colaborando com as investigações. Ela afirmou que acredita na inocência do acusado e confia no trabalho das autoridades.“Nós estamos colaborando com as investigações, acreditamos na inocência dele, estamos acreditando também no trabalho da polícia, da perícia e do Ministério Público e vamos confiar que a justiça seja feita da melhor forma possível para todos”, disse ela.

A advogada ainda explicou que era melhor que o acusado não comparecesse pessoalmente ao local da exumação, já que estaria representado pela equipe jurídica.

Irmão de Tatiane acredita que homem tem relação com a morte

O irmão de Tatiane, Luiz Henrique, falou de forma emocionada e afirmou que acredita que o homem investigado tenha envolvimento direto com a morte da irmã. “Eu não estou acusando ninguém, quem vai resolver isso é a justiça, mas de uma maneira ou outra ele acabou com a vida da minha irmã, ele bateu, agrediu e ameaçou. Eu acredito que ele tenha sim relação com a morte dela.”

Justiça autorizou exumação após família contestar laudo inicial

A autorização judicial para a exumação havia sido concedida na última sexta-feira, 6, após insistência da família, que desde o início desconfiava da versão de morte natural.

O laudo inicial apontava broncoaspiração e morte natural, mas familiares passaram a questionar a causa, alegando que Tatiane era uma mulher saudável e não tinha histórico de problemas graves.

A educadora trabalhava como orientadora educacional e atuava em escolas da região do Jardim Vera Cruz, em Franca.

Tatiane foi encontrada morta na cama após reatar o relacionamento

Tatiane foi encontrada morta em sua cama, dentro da própria casa, cerca de um ano após ter reatado com o marido. Segundo a família, ela havia enfrentado uma crise emocional profunda após uma traição descoberta anos antes.

De acordo com os familiares, quando Tatiane estava grávida do terceiro filho — hoje com 5 anos — ela descobriu que estava sendo traída pela melhor amiga.

O casal se divorciou e, posteriormente, o homem chegou a se casar com a mulher apontada como amante, mas, segundo familiares, nunca deixou Tatiane completamente.

A família afirma que ele dizia amar as duas.

Viagem para Barretos marcou a tentativa de reconciliação

Ainda segundo os parentes, em abril de 2024, durante uma viagem da família para Barretos, Tatiane contou que tentaria novamente reatar o relacionamento.

O homem teria se divorciado da mulher com quem se casou e, em outubro de 2024, ele e Tatiane se casaram novamente.

No casamento, apenas os pais e uma sobrinha participaram. “Eu fui por ela”, disse a sobrinha.

A sobrinha relatou que o homem demonstrava desinteresse no cartório, e que até mesmo o cerimonialista teria precisado chamá-lo à atenção.

Após a cerimônia, a sobrinha teria visto a ex-companheira do homem dentro do comércio dele

Ainda de acordo com o relato da sobrinha, após a cerimônia, ela passou em frente ao comércio do homem e teria visto a ex-companheira dele dentro do estabelecimento, enquanto Tatiane e ele comemoravam o casamento em um restaurante. “Ele mentiu para as duas mulheres. Casou com uma dizendo para a outra que estava trabalhando.”

Para a família, esse episódio foi mais um sinal de que Tatiane continuava vivendo uma situação de sofrimento emocional.

Família diz que Tatiane voltou a ficar triste e debilitada

Os familiares afirmam que, após o retorno do relacionamento, perceberam que nada havia mudado. Tatiane teria voltado a demonstrar tristeza profunda e sinais de abatimento.

Em abril de 2025, durante uma nova viagem a Barretos, ela estava com dores, abatida e não conseguia sair da cama. Segundo a família, o marido teria ido embora antes e deixado Tatiane passando mal.

Morte aconteceu após um churrasco em família em 20 de abril

No dia 20 de abril de 2025, Tatiane participou de um churrasco em família em sua casa. Depois do encontro, ela foi para o quarto junto do marido.
Horas depois, foi encontrada morta.

A filha mais velha de Tatiane, hoje com 20 anos, contou que dormia na sala com os irmãos naquela noite, algo que acontecia com frequência. Ela descreveu com detalhes o momento em que percebeu que algo estava errado. “Eu dormi na sala com meus irmãos. Estávamos assistindo televisão e acabamos dormindo no sofá. Isso acontecia com frequência. Até que, durante a noite, eu acordei sentindo uma coisa muito ruim, mas não sabia explicar o que era.”

A jovem disse que foi ao banheiro e ouviu o pai chamando. “Fui até o banheiro e, nesse momento, escutei meu pai me chamando. Saí correndo e o vi sentado na escada, chorando.”

Ela conta que o pai disse que ela precisava subir rapidamente, pois Tatiane não estava bem. “Ele disse que eu precisava subir até o quarto, porque minha mãe não estava bem e ele não sabia se ela ainda estava viva.”

Ao chegar ao quarto, ela encontrou a mãe sem vida. “Tentei socorrer, fiz o que eu pude. Tentei fazer massagem de reanimação, eu estava em desespero, gritava e ela não me respondia.”

Em choque, a filha acionou o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

A jovem também questionou a atitude do pai naquela noite. “Por que meu pai não chamou o Samu, não colocou ela no carro e a levou ao hospital quando viu que ela estava mal?”

O Samu constatou a morte dentro da residência.

Marido disse que não sabia o que havia acontecido

Ainda segundo informações do caso, o marido afirmou que não sabia o que havia ocorrido e disse que Tatiane estava bem.

Ele também relatou que os dois haviam mantido relações íntimas naquela noite.

Dois laudos apontaram causas diferentes e a família questiona

A família afirma que há divergências em documentos e que existem dois laudos apontando causas diferentes para a morte. Um aponta morte natural e o outro broncoaspiração.

Para os familiares, isso reforça a necessidade de uma investigação aprofundada.

Mensagens no celular aumentaram as suspeitas da família

Após a morte, a família teve acesso ao celular de Tatiane e encontrou mensagens consideradas suspeitas.

Segundo a irmã, em uma das conversas, Tatiane cobrava que o marido resolvesse uma situação, e ele teria respondido que tudo se resolveria “no dia 20”.

A família relaciona essa mensagem com o fato de Tatiane ter morrido exatamente no dia 20. “No dia 20 minha irmã morreu. Isso é coincidência?”, questiona a irmã.
Após isso, a família procurou a Polícia Civil e formalizou a denúncia, dando início ao inquérito.

Filhas estão sob cuidados de familiares

Atualmente, as duas filhas de Tatiane — uma de 20 anos e outra de 12 — estão sob cuidados da família.

A filha mais velha possui guarda provisória da irmã mais nova e luta para conseguir a guarda definitiva.

Segundo a irmã de Tatiane, a criança demonstrava tristeza quando ia para a casa do pai. “Quando ele ia para casa do pai e da madrasta, voltava triste, chorava e pedia para que o pai não a buscasse.”

Polícia aguarda laudo e diz que busca esclarecer a verdade

Com o procedimento realizado nesta quarta-feira, a expectativa agora é que o laudo laboratorial traga respostas definitivas sobre o que causou a morte de Tatiane.

O delegado reforçou que a polícia está empenhada em esclarecer a verdade e dar uma resposta à sociedade. “As vísceras e o que era necessário coletar foram coletados, vão ser encaminhados a laboratório e nós vamos aguardar para ver se realmente havia alguma outra substância no corpo que poderia ter ocasionado a morte dela.”

Ele finalizou afirmando que o caso ainda não tem conclusão, mas que será tratado com prioridade. “Nosso pedido está para manifestação do Promotor. Após a decisão do Juiz, penso que estarei apto a prestar informações públicas, independente do que for decidido. Antes acredito ser muito temerário. Mas em breve sairá esta decisão”, finalizou.

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