DENTRO DO QUARTEL

MPM denuncia policiais militares por morte de sargento francano

Por | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Reprodução
À esquerda, Major Laroca, e à direita, sargento Rullian
À esquerda, Major Laroca, e à direita, sargento Rullian

O Ministério Público Militar do Estado de São Paulo ofereceu denúncia, em 27 de janeiro, contra dois policiais militares acusados de envolvimento na morte do sargento francano Rullian Ricardo Adrião da Silva, de 40 anos. O crime aconteceu em 5 de abril de 2023, dentro da 4ª Companhia do 46º Batalhão da Polícia Militar Metropolitana, na região do Ipiranga, em São Paulo.

Os denunciados são o agora major Francisco Laroca e o cabo Fabiano Rizzo. A dupla foi indiciada por homicídio qualificado e fraude processual. Eles foram afastados das funções na corporação em setembro do ano passado, quando a Justiça Militar aceitou o indiciamento.

Segundo o boletim de ocorrência, registrado no dia da morte, o sargento foi atingido por disparos no pescoço e no tórax após uma discussão sobre a escala de trabalho em um feriado. Durante a apuração, apontou-se que Laroca teria efetuado três disparos, enquanto Rizzo teria feito um disparo, depois que a vítima mencionou sacar uma arma.

Mesmo após ser socorrido de helicóptero pela Águia da Polícia Militar, Rullian não resistiu aos ferimentos. Depois que o caso foi registrado, as circunstâncias da morte começaram a ser questionadas por amigos e familiares de Rullian.

Áudio enviado por ele a um amigo, dias antes da morte, mostrou que o policial estava cansado da escala de trabalho e se sentia perseguido pelo então capitão da companhia, Laroca.

“Rapaz, eu tenho que ir embora desse lugar aqui. O quanto antes, embora daqui. Pelo amor de Deus. Eu trabalhei essa noite, aí ia ficar… fiquei aqui, que eu ia cobrir folga do outro sargento, que faz 14 dias que está sem tirar folga. Aí eu cobri a folga dele e o que acontece? Me mandaram uma mensagem aqui agora que vai ter operação amanhã, aí eu vou trabalhar à noite. Em vez de eu trabalhar de dia, na folga dele, que eu não fui embora, que eu perdi, podia ter ido embora.”

De acordo com a apuração da corregedoria, as imagens das câmeras corporais usadas pelos policiais colocaram em dúvida a versão apresentada por eles no dia do crime. As imagens chegaram a ser divulgadas pela Record TV e mostram Rullian deitado com a arma em seu peito. A posição da arma e do corpo do sargento também chamaram a atenção dos investigadores.

Em nota, a Polícia Militar informou, na época, que os envolvidos foram afastados e que “todas as providências de Polícia Judiciária Militar estão sendo adotadas, com acompanhamento da Corregedoria”.

Família já esperava

A defesa da família do sargento afirmou que o oferecimento da denúncia já era esperado “diante da robustez das provas técnicas e periciais produzidas ao longo da investigação”. Segundo a nota, os elementos colhidos indicam uma dinâmica “extremamente grave, incompatível com qualquer narrativa de legalidade ou de atuação regular no exercício da função policial”.

Ainda de acordo com a defesa, a família repudia os atos praticados, que, segundo a denúncia, revelam abusos inadmissíveis, violação dos deveres funcionais e desrespeito à vida humana dentro da própria unidade policial.

“A confiança da família permanece no sistema de Justiça, com a expectativa de que o processo penal transcorra de forma séria, técnica e imparcial, assegurando a responsabilização dos envolvidos”, diz outro trecho da nota.

Desde a morte do sargento, os familiares cobram justiça. Os parentes estiveram no Tribunal de Justiça Militar para pressionar pela conclusão das investigações e pelo julgamento dos responsáveis.

Na época do crime, a irmã de Rullian, Daiane Fernandes, afirma que a demora causa revolta. “Quando é uma praça, a justiça é mais rápida. Mas quando se trata de um oficial, quem está por trás protegendo?”, questionou.

O inquérito já foi recebido pela Justiça Militar, e a denúncia apresentada pelo Ministério Público Militar deverá ser analisada nas próximas fases do processo. O caso segue em segredo de justiça.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos acusados.

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Comentários

1 Comentários

  • Sebastião 11/02/2026
    Não vai mudar nada, só haviam três pessoas naquele alojamento e uma morreu, os outro dois dizem o que disseram e não vão mudar a versão, então não haverá nenhuma nova prova no processo e a conclusão será a mesma de que a vítima reagiu à abordagem do capitão armado com um .32, que ninguém sabe de onde apareceu, e o capitão e o sargento reagiram em legítima defesa. Esses são os aspectos técnicos jurídicos do caso. Sim, crime perfeito pode existir, não estou dizendo que tenha sido isso, eu não sei nada do caso mais do que o que todos sabem, mas é uma possibilidade. E lembram do caso Pesseghini?, aquele é outro caso que tbm é muito estranho.