NAIA

Mães denunciam caos em núcleo que atende crianças com TEA e TDAH

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Sampi/Franca
Leonardo Oliveira/GCN
Prédio de atendimento do Naia, anexo ao Centro de Saúde de Franca
Prédio de atendimento do Naia, anexo ao Centro de Saúde de Franca

Mães de crianças com transtornos do neurodesenvolvimento denunciam o cenário de abandono no atendimento do Naia (Núcleo de Atenção à Infância e Adolescência), localizado na rua Ouvidor Freire, ao lado do Centro de Saúde, na região central de Franca.

Relatos colhidos pela equipe do portal GCN/Sampi entre os dias 30 e 31 de janeiro apontam esperas superiores a seis horas, falta de estrutura básica e falhas de gestão na unidade de saúde. A situação, que sobrecarrega famílias e agrava o quadro de ansiedade dos pacientes, motivou um clamor por melhorias urgentes no acolhimento a crianças com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), TEA (Transtorno do Espectro Autista) e outras comorbidades.

Espera exaustiva 

Uma mãe que preferiu não se identificar, com um filho diagnosticado com TDAH, relata que chegou para uma consulta agendada às 8h, mas o atendimento ocorreu apenas às 14h30. Segundo ela, a desorganização forçou crianças agitadas a permanecerem em um ambiente insalubre por mais de seis horas.

O longo tempo de espera gera uma contradição terapêutica: embora médicos orientem evitar o uso de telas, o atraso obriga pais a usarem celulares para conter a inquietude dos filhos. O próprio profissional que atendeu a família teria reconhecido a desordem e sugerido que a situação fosse denunciada.

"Meu filho passou mal durante a espera. O ambiente é antigo e pouco acolhedor, o que gera ansiedade não apenas nas crianças, mas também nos responsáveis", desabafa a mãe.

Estrutura precária

Os relatos também descrevem que a unidade sofre com problemas graves de infraestrutura. As queixas incluem a falta de trocadores, escadarias perigosas, falta de assentos e até a presença de pombos no local onde os pacientes aguardam na fila, muitas vezes expostos ao frio desde as 5h da manhã.

A rotatividade de profissionais é outro obstáculo citado. Mães afirmam que a troca constante de médicos impede a continuidade do tratamento. Em alguns casos, diagnósticos e exames feitos na rede particular não são aceitos ou sequer analisados pelos novos profissionais da unidade.

A dificuldade em conseguir receitas e a falta de retorno por telefone completam o quadro de reclamações, deixando pais de crianças com autismo e epilepsia desamparados diante de crises e necessidades imediatas.

Próximos passos

Apesar do cenário crítico, há uma previsão de mudança. O Naia será transferido para um novo prédio dentro do complexo do novo NGA, cujas obras estão em fase final, no Jardim Botânico. A entrega está prevista para o segundo semestre deste ano.

Em nota, a Secretaria de Saúde informou que já iniciou uma reestruturação para que todos os atendimentos passem a ser realizados estritamente por agendamento, visando eliminar as filas por ordem de chegada.

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