Famílias de usuários do programa SCFV (Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos) de Franca fizeram denúncias, nessa quinta-feira, 16, sobre supostas negligências que suas crianças vêm sofrendo por parte dos funcionários da instituição. Os relatos vão de desigualdade no atendimento a até mesmo abandono de crianças.
A instituição conta com três unidades pela cidade: a Matriz, na Vila Santos Dumont; uma no Jardim Luiza e uma no City Petrópolis. Ainda há um grupo itinerante, que é atendido num ponto na avenida Abrahão Brickmann, na região do Leporace. Segundo os denunciantes, a maioria dos casos ocorre nesse ponto onde o grupo itinerante é atendido.
Os casos
Três mães relataram situações para a reportagem. Todas não quiseram se identificar por medo de sofrer represálias da instituição, porém, o relatado por elas envolve as mesmas situações.
O primeiro caso citado é a desigualdade. De acordo com as mães, os benefícios recebidos pelas famílias seriam seletivos, como a distribuição de cestas básicas, que seriam selecionados pela psicóloga do local.
“A Prefeitura de Franca manda verbas e as cestas, os cartões de alimentação, não estão chegando até as famílias atendidas pelo serviço. Estamos sem atendimento”, afirmou.
Em festas, algumas crianças seriam deixadas de lado e até mesmo não estariam sendo chamadas para as confraternizações.
O segundo caso é o atendimento de uma psicóloga. As famílias disseram que não conseguem falar com a profissional. Ela marcaria os encontros, porém, acaba desmarcando. Quando os atendimentos são realizados, seriam de forma grosseira.
“Nunca consigo falar com ela. Quando fala, ela é grosseira. Quase te culpa pelo que está acontecendo com teus filhos”, disse uma das mães.
Essa mesma pessoa contou que seus filhos não teriam sido chamados para a última festa, que aconteceu na última terça-feira, 14. A motivação seria uma denúncia que teria sido feita no Cras (Centro de Referência de Assistência Social) e chegou à instituição.
Outra denúncia é sobre o suposto abandono de uma criança numa das unidades de atendimento. As atividades teriam sido encerradas mais cedo e os pais não teriam sido avisados. A criança teria sido deixada sozinha no local, após os funcionários irem embora.
“Quando tem atendimento, eles terminam mais cedo e vão embora. Não avisam a família. Liguei no Cras e falei com uma coordenadora, disseram que iriam se reunir com as famílias, mas não fizeram nada”, contou.
Ainda existem relatos de que as condições dos ambientes disponibilizados pelas unidades não seriam higiênicos e as comidas seriam mal conservadas e mal armazenadas.
O que diz a Prefeitura sobre o caso?
Em nota, a Secretaria de Ação Social, responsável por acompanhar o SCFV, afirmou que não recebeu nenhuma denúncia formal sobre o tema, porém, fará as apurações necessárias. Confira a nota:
"A Secretaria de Ação Social, responsável por acompanhar o SCFV (Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos), não recebeu denúncia formal sobre o tema. Sobre o teor da solicitação, a Secretaria fará as devidas apurações para compreender melhor os fatos relatados e tomar as medidas cabíveis.
É importante reforçar que as Organizações da Sociedade Civil (OSCs) executam os serviços socioassistenciais, através de Termos de Colaboração e são acompanhadas pelo setor responsável dentro da Secretaria de Ação Social. As mesmas possuem estatuto e funcionamento para além dos serviços cofinanciados, o que não se resume à prestação exclusiva de serviços em parceria com a Prefeitura.
Qualquer cidadão pode relatar informações ou denúncias sobre os serviços em Parceria com a Prefeitura, através das unidades estatais ou pela Ouvidoria."
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