POSIÇÕES

Vereador diz que fará moção às alunas se professor for condenado

Por | da Redação
| Tempo de leitura: 6 min
Sampi/Franca
Giovanna Attili/GCN
Vereadores durante entrevista no programa A Hora É Essa!, da Rádio Difusora
Vereadores durante entrevista no programa A Hora É Essa!, da Rádio Difusora

O debate sobre as moções de apoio ao professor Gabriel Cepaluni, da Unesp (Universidade Estadual Paulista), acusado de assédio e agressões por alunas, voltou a movimentar a política francana nesta quarta-feira, 15. Um dia após a Câmara Municipal aprovar, sob protestos de uma centena de estudantes da universidade, duas moções em defesa do docente, três vereadores participaram do programa A Hora é Essa!, apresentado pelo jornalista Corrêa Neves Jr, na Rádio Difusora, para explicar seus votos e avaliar a repercussão do caso.

Durante o programa, os vereadores Fransérgio Garcia (PL), Marcelo Tidy (MDB) e Marília Martins (PSOL) expuseram suas posições. O mais incisivo foi Fransérgio, que, apesar de ter votado a favor das moções de apoio ao professor, afirmou que poderá apresentar uma nova moção, desta vez em favor das alunas, caso Cepaluni seja condenado pela Justiça.

Segundo ele, o voto anterior não representou uma defesa pessoal do docente, mas um repúdio às agressões físicas que o professor teria sofrido dentro da universidade. “Fomos contra as agressões sofridas por um professor que foi à universidade exercer sua profissão”, justificou.

Ainda assim, o vereador acrescentou que, se o processo confirmar as denúncias de assédio, será o primeiro a se posicionar em defesa das vítimas. “Ele deve ser preso se for condenado, e eu serei o primeiro a fazer uma moção de apoio para essas meninas que sofreram agressões e assédio sexual”, afirmou.

O vereador Marcelo Tidy (MDB), que também apoiou as moções apresentadas pelo colega Leandro O Patriota (PL), com “apoio irrestrito” ao professor, reconheceu que pode ter se precipitado. Para ele, o caso deveria permanecer restrito às autoridades policiais e à Justiça. “Se a Justiça o pegar e puni-lo, aí eu cometi um equívoco”, disse, admitindo que, diante da gravidade das acusações, seu posicionamento poderá ser revisto à luz dos desdobramentos judiciais.

Na outra ponta do debate, Marília Martins (PSOL) manteve o tom crítico que já havia adotado na sessão legislativa. A vereadora foi a única entre os entrevistados a votar contra as duas moções, classificando a iniciativa como precipitada e desrespeitosa com as vítimas. “Não adianta apoiar alguém sem conhecer todos os fatos. Toda pessoa que cometeu agressão deve ser punida pela Justiça — seja o professor, sejam os alunos”, declarou.

As moções

As moções que originaram a polêmica foram apresentadas pelo vereador Leandro O Patriota (PL) na sessão ordinária de terça-feira, 14. Uma delas expressava apoio ao professor Gabriel Cepaluni, e a outra repúdio às agressões que ele teria sofrido em um episódio dentro do campus da Unesp, em 2 de setembro.

O caso, que segue em investigação pela universidade e pelas autoridades policiais, envolve acusações mútuas. As estudantes alegam ter sido agredidas pelo docente, enquanto ele sustenta ter sido vítima de hostilidade dentro da instituição. As alunas registraram boletins de ocorrência e passaram por exames de corpo de delito.

Resultados das votações

Na votação de terça-feira, a moção de apoio ao professor foi aprovada por 10 votos a 3, com voto contrário de Gilson Pelizaro (PT), Marília Martins e Walker Bombeiro da Libras (PL).

A segunda moção, de repúdio às agressões sofridas pelo professor, teve aprovação ainda mais ampla: 11 votos a 1, com oposição apenas de Marília Martins. Gilson Pelizaro se absteve e Lindsay Cardoso não participou da sessão por motivos de saúde.

As decisões geraram forte reação entre os estudantes da Unesp, que lotaram a galeria da Câmara e protestaram com cartazes, gritos e cópias de boletins de ocorrência. Apesar da mobilização, as moções foram mantidas.

Confira as moções na íntegra:

Moção de Apoio ao Professor Universitário Gabriel Cepaluni

A Câmara Municipal de Franca, por iniciativa do Vereador Leandro Alves, manifesta, por meio desta Moção, irrestrito apoio e solidariedade ao professor Gabriel Cepaluni, docente da Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus de Franca, que foi vítima de agressões físicas e morais no dia 2 de setembro de 2025, dentro das dependências da instituição.

Segundo informações amplamente divulgadas pela imprensa e relatadas pelo próprio docente, o professor foi agredido por um grupo de estudantes após ser acusado de forma arbitrária de racismo, fascismo e assédio, sofrendo socos, empurrões, danos materiais e furto de pertences pessoais, em um episódio que fere gravemente os princípios da convivência democrática, do respeito e da liberdade acadêmica.

O professor Cepaluni é reconhecido por sua atuação ética, por seu compromisso com o ensino superior e por defender o debate plural e o livre pensamento nas universidades públicas. As agressões sofridas configuram não apenas um ataque pessoal, mas um atentado à autonomia universitária, à liberdade de cátedra e ao direito de expressão, pilares fundamentais da democracia e da vida acadêmica.

A violência jamais pode ser admitida como forma de manifestação política ou ideológica. A universidade deve ser um espaço de construção de conhecimento, de respeito às diferenças e de promoção do diálogo, e nunca de coerção, intimidação ou silenciamento. 

A Câmara Municipal de Franca, portanto, manifesta seu apoio integral ao professor Gabriel Cepaluni, reafirmando seu repúdio a toda forma de violência e intolerância e conclamando a UNESP e as autoridades competentes a garantirem a segurança, o respeito e a liberdade de pensamento no ambiente universitário.

Requer-se, por fim, que cópia desta Moção seja encaminhada à Reitoria da UNESP, à Direção do Campus de Franca, à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, e ao próprio professor Gabriel Cepaluni, como expressão do reconhecimento e solidariedade deste Poder Legislativo.

Moção de repúdio às agressões sofridas pelo professor Gabriel Cepaluni

A Câmara Municipal de Franca, por iniciativa do Vereador Leandro Alves, manifesta, por meio desta Moção, seu veemente repúdio às agressões físicas e morais sofridas pelo professor Gabriel Cepaluni, docente da UNESP de Franca, em episódio ocorrido no dia 2 de setembro de 2025, dentro das dependências da instituição.

De acordo com informações amplamente divulgadas pela imprensa e relatadas pelo próprio docente, o professor foi covardemente agredido por um grupo de estudantes, após ser acusado de forma arbitrária e sem provas de racismo, fascismo e assédio. Durante o tumulto, o professor sofreu socos, empurrões, danos materiais e furto de pertences pessoais, em um episódio que representa um grave atentado à integridade física, à honra e à liberdade acadêmica.

É inadmissível que um ambiente universitário — que deve ser espaço de debate plural, livre expressão e respeito mútuo — se transforme em palco de violência política e tentativa de silenciamento. Divergências ideológicas jamais podem justificar a agressão física ou moral de qualquer cidadão, ainda mais de um docente em pleno exercício de suas funções.

A violência, independentemente de sua motivação, não pode substituir o diálogo e o debate democrático. O ato ocorrido na UNESP de Franca atenta não apenas contra um professor, mas contra os princípios fundamentais da educação, da convivência democrática e da liberdade de pensamento que devem reger as instituições públicas de ensino superior.

A Câmara Municipal de Franca manifesta, portanto, solidariedade ao professor Gabriel Cepaluni, ao mesmo tempo em que repudia veementemente todo e qualquer ato de intolerância, violência e censura ideológica dentro das universidades.

Requer-se, ainda, que cópia desta Moção seja encaminhada à Reitoria da UNESP, à Direção do Campus de Franca, à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação e à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, para que tomem ciência desta manifestação e adotem as providências cabíveis na apuração dos fatos e na garantia da segurança e da liberdade acadêmica dentro da instituição.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

2 Comentários

  • Valeska 16/10/2025
    Agora é tarde o leite foi derramado
  • APARECIDO DONIZETE NUNES 15/10/2025
    ESSE VEREADOR MARCIO GARCIA É UMA PIADA. KKKK