MISSÃO INTERNACIONAL

'Discutir as dores': Alexandre vai aos EUA contra tarifaço

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Pedro Dartibale/GCN
Prefeito Alexandre Ferreira (MDB) durante coletiva de imprensa nesta terça-feira, 23.
Prefeito Alexandre Ferreira (MDB) durante coletiva de imprensa nesta terça-feira, 23.

O prefeito de Franca, Alexandre Ferreira (MDB), embarca nesta quarta-feira, 24, para os Estados Unidos em uma missão diplomática e econômica. Ele participa de um evento promovido por uma organização de prefeitos norte-americanos para discutir o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump.

Representando a FNP (Frente Nacional de Prefeitos) no Fall Leadership Meeting, promovido pela US Conference of Mayors, Alexandre Ferreira se une aos prefeitos Anderson Farias (PSD), de São José dos Campos (SP), e Andrei Gonçalves (MDB), de Juazeiro (BA), para dialogar diretamente com prefeitos norte-americanos sobre os impactos das tarifas de importação de 50% sobre os produtos brasileiros - especialmente, o café e calçados francanos.

A comitiva, que também conta com a assessoria de Paulo Oliveira, da FNP, tem como destino a cidade de Oklahoma City. Lá, participarão de uma reunião com uma organização de prefeitos americanos, semelhante à FNP, para discutir os prejuízos mútuos causados pelas novas barreiras comerciais.

"Nós representamos todos os prefeitos para conversar com os nossos pares lá nos Estados Unidos", afirmou o prefeito Alexandre Ferreira. "Lá todos os prefeitos estão envolvidos nesse processo do tarifaço, para que a gente possa conversar quais os desafios, quais as dores, falando a mesma língua, de prefeito para prefeito."

O objetivo central do encontro é elaborar um documento unificado. A carta, assinada por gestores municipais de ambos os países, será apresentada aos governos de Donald Trump, nos EUA, e de Lula da Silva, no Brasil, com um apelo para a retomada das negociações e a busca de soluções que evitem perdas econômicas para ambas as nações.

As 'dores' dos dois lados do continente

A preocupação de Alexandre é justificada pelos números. Para Franca, capital nacional do calçado masculino, o tarifaço pode significar a perda de um mercado vital. "O setor calçadista vai perder a possibilidade de exportar perto de 1 milhão de pares de sapato, que é o que se exporta para os Estados Unidos hoje", alertou o prefeito.

O impacto se estende a outras potências exportadoras. Em São José dos Campos, 70% das exportações da cidade são compostas por aeronaves da Embraer, cujas vendas para o mercado americano estão ameaçadas. Já em Juazeiro, um polo da fruticultura, o prejuízo pode ser imediato. "No caso de Juazeiro, R$ 130 milhões foram exportados em fruta para os Estados Unidos no ano passado, e esse recurso vai deixar de entrar na cidade", explicou Ferreira. A cidade baiana, que possui mais de 1.500 trabalhadores empregados diretamente na produção de frutas, sentiria o golpe de forma drástica.

Do lado norte-americano, a medida já reflete no bolso do consumidor. Segundo dados levantados pela comitiva, o preço final do café nas cafeterias americanas subiu 21%. No setor calçadista, o efeito é igualmente visível: um sapato que custava em média US$ 32 para ser importado está chegando ao consumidor por US$ 47.

"Isso vai gerar um impacto na economia também dos Estados Unidos. A gente quer ver que tamanho que é isso", ponderou o prefeito de Franca.

Balança comercial e estratégia política

Um dos argumentos centrais que a delegação brasileira levará à mesa é o histórico da balança comercial entre os dois países. Nos últimos 15 anos, o Brasil acumulou um déficit de aproximadamente R$ 400 bilhões na relação com os Estados Unidos.

"A balança comercial entre o Brasil e os Estados Unidos é negativa para o Brasil. Então, não há que se falar em segurar a balança comercial dos Estados Unidos para deixar de ser negativa, fazendo isso com o Brasil", argumenta Ferreira.

A reunião, portanto, não será com autoridades do governo federal americano, mas sim um diálogo estratégico entre líderes municipais que sentem os efeitos das políticas macroeconômicas diretamente em suas comunidades. A expectativa é que a pressão conjunta das cidades, tanto brasileiras quanto americanas, sensibilize as esferas federais a encontrar um acordo.

"É uma discussão realmente política que a gente vai conversar com os pares norte-americanos e montar um documento que possa ser apresentado aos dois governos", finalizou o prefeito, antes de sua partida para a crucial agenda internacional.

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Comentários

4 Comentários

  • balde 24/09/2025
    O que esse cara acha que vai conseguir? Somente gastar o dinheiro do povo. Nem pagar salários corretamente esse cara faz. Olha a situação degradante dos funcionários da Prefeitura Municipal. Salários completamente defasados.
  • ISRAEL PEREIRA 24/09/2025
    Aham a gente acredita Sr prefeito que Sr está mesmo indo \"negociar\" as tarifas nos Estados Unidos... Mal tá dando atenção pras necessidades da cidade vai gastar dinheiro público pra dar voltinha na gringa... A gente a acredita... É verdade esse bilhete #sqn
  • Ordans 24/09/2025
    Qual será a posição do Sr Alcaide com relação ao pacote de impostos que o governo comunista está preparando para os SONEGADORES donos de casinhas de alugar e que ganham fortunas de 5 mil reais mensais?Isto Sr Prefeito vai passear na Disney,enquanto isto seguimos pagando IPTU da Dívida Ativa a vista sem nenhum centavo de desconto e ainda sofrendo pressão do procurador do município como se fossemos Bandidos mafiosos SONEGADORES de impostos só falta a Polícia Federal bater em nossas portas,Porém quando a quadrilha saqueia o INSS Roubando 90 bilhões dos cofres públicos só falam em sem Anistia não é mesmo? Mas a quadrilha organizada ninguém fala nada.
  • José 23/09/2025
    Viu, Alexandre, como custa caro apoiar os \"malucos lá\"?! De acordo com estudos especializados você é um democrata semileal, ou seja, ao apoiar candidatos que são contra a democracia e ser omisso em relação à violência política seja ela verbal ou física você agora carrega o peso de sofrer retaliações que vão impactar na cidade que você governa. Que governa muito mal por sinal.