Os acidentes de trânsito em Franca custaram ao município R$ 106,5 milhões nos últimos 12 meses, segundo o Infosiga 3.0, plataforma de estatísticas lançada pelo Detran-SP. O valor é estimado a partir de metodologia do Ipea, que considera gastos com saúde, previdência, danos materiais e perda de produtividade.
No período entre setembro de 2024 e agosto de 2025, a cidade contabilizou 1.225 sinistros e 25 mortes no trânsito. Isso representa uma taxa de fatalidade de 2,04% das ocorrências.
No levantamento do Detran-SP, o termo sinistro de trânsito é utilizado em substituição a “acidente”. A expressão é mais abrangente e técnica, englobando toda ocorrência viária que resulta em danos materiais, ferimentos leves ou graves e, nos casos mais graves, óbitos. O objetivo do uso do termo é reforçar que essas situações não são fruto do acaso, mas sim eventos que podem ser prevenidos por meio de fiscalização, educação, engenharia e comportamento seguro no trânsito.
Os dados mostram que a violência no trânsito não é uniforme ao longo do dia. O gráfico de distribuição por horário revela que os picos acontecem entre 16h e 19h, com destaque para as 17h, quando foram registrados 108 sinistros. No início da manhã também há alta concentração, com 71 casos às 7h, dos quais dois fatais.
Os números também mostram que os jovens adultos concentram a maior parte das mortes no trânsito em Franca. As faixas de 20 a 24 anos e 25 a 29 anos registraram, cada uma, três óbitos, todos de homens. Em seguida aparecem os grupos de 30 a 34 anos, 65 a 69 anos e 70 a 74 anos, cada um com duas mortes.
O levantamento também aponta ocorrências em faixas extremas: duas mortes entre crianças e adolescentes de 0 a 14 anos, além de dois óbitos de pessoas com 80 anos ou mais - sendo um homem e uma mulher.
O cenário se agrava ao comparar frota e população. Franca tem 354.489 habitantes e 307.567 veículos registrados, o que equivale a quase um carro por morador. A taxa de mortalidade chega a 0,81 óbito para cada 10 mil veículos e 7,05 a cada 100 mil habitantes.
Os meses mais críticos foram junho e agosto de 2025, ambos com cinco mortes. Em contrapartida, apenas dezembro de 2024 não teve óbitos, ainda que 108 sinistros tenham sido registrados.
Segundo especialistas, os números devem ser utilizados para direcionar políticas públicas. “Decisões baseadas em evidências salvam vidas no trânsito. O Infosiga 3.0 coloca São Paulo na vanguarda ao oferecer dados de qualidade que podem orientar ações mais eficazes e reduzir mortes e lesões”, destacou Mariana Novaski, coordenadora da Iniciativa Bloomberg para a Segurança Viária.
O desafio agora é transformar os dados em estratégias locais de fiscalização, engenharia viária e educação no trânsito para reduzir não apenas as tragédias humanas, mas também o peso financeiro desses sinistros para a cidade.
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Comentários
2 Comentários
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José 21/09/2025Dinheiro do nosso bolso pra custear tratamento e aposentadoria por invalidez pra motoqueiro irresponsável que não respeita nada e ainda faz barulho. -
Flávio 20/09/2025Há falta de fiscalização do trânsito em Franca. Polícia Militar e GCM não fiscalizam. Há vários gargalos no trânsito e não se vê nenhum guarda regulando o trânsito. Motoristas de Franca dirigem como loucos, desrespeitando regras básicas de trânsito. Para entregadores de delivery com suas motos, banalidade total