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Setembro Verde: veja os mitos e verdades do Câncer Colorretal

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Sampi/Franca
Reprodução/Redes sociais
Cantora e atriz Preta Gil que morreu neste ano após luta contra o câncer colorretal
Cantora e atriz Preta Gil que morreu neste ano após luta contra o câncer colorretal

A luta e a conscientização promovida pela cantora e atriz Preta Gil contra um câncer colorretal trouxeram um holofote necessário sobre a doença no Brasil. Apesar de não resistir e morrer em julho deste ano, a cantora se tornou um símbolo de resiliência e da importância do diagnóstico precoce.

Em pleno Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre este tipo de tumor, os números locais merecem atenção. Segundo dados da Secretaria de Saúde, em 2025, até o mês de maio, a cidade já registrou 74 internações pela doença, sendo 39 homens e 35 mulheres. Além disso, foram realizados 506 procedimentos clínicos relacionados, que incluem desde consultas e exames a tratamentos como quimioterapia e radioterapia.

O cenário de 2024 também é relevante para comparação: foram 171 internações ao longo do ano (105 homens e 66 mulheres) e 1.011 procedimentos clínicos. Os casos que levaram à hospitalização em ambos os anos estão classificados principalmente entre os CIDs C18 (neoplasia maligna do cólon), C19 (junção retossigmoide), C20 (reto) e C21 (ânus e canal anal).

Um cenário nacional e a voz do especialista

Os dados de Franca refletem uma tendência nacional. De acordo com o Inca (Instituto Nacional do Câncer), a estimativa para o triênio 2023-2025 é de 45.630 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil. O tumor, que se desenvolve no intestino grosso (cólon) ou no reto, tem como principal tipo o adenocarcinoma, que em 90% dos casos se origina de pólipos que podem se tornar malignos com o tempo.

"Apesar da doença muitas vezes ser silenciosa, o paciente deve observar se há alterações do hábito intestinal, sangue nas fezes, dores abdominais, perda de peso sem motivo aparente, fraqueza e sensação de fadiga", explica o médico Artur Ferreira, oncologista da Oncoclínicas.

Segundo ele, os principais fatores de risco são dietas ricas em alimentos ultraprocessados, alto consumo de carnes vermelhas, sobrepeso, obesidade, sedentarismo e tabagismo. "Fatores hereditários também são importantes, mas exercem menor influência que os hábitos de vida", ressalta.

A boa notícia é que, na maioria dos casos, o câncer colorretal é curável, especialmente com diagnóstico precoce. "Diferentemente de outros tumores, o colorretal pode ser descoberto em sua fase pré-cancerosa com a colonoscopia, através da remoção de pólipos antes que se tornem malignos", comenta o oncologista.

Mitos e verdades sobre o câncer colorretal

Para desmistificar o tema, especialista esclarece pontos essenciais:

  • Toda pessoa com câncer colorretal precisa de bolsa de colostomia?
    Mito. A colostomia é uma estratégia utilizada apenas em casos específicos, como em cirurgias de emergência ou tumores localizados na parte final do reto. Com a evolução das técnicas cirúrgicas, a necessidade do procedimento reduziu drasticamente.

  • Comer carne vermelha em excesso pode levar ao câncer?
    Verdade
    . A OMS (Organização Mundial da Saúde) confirma que dietas ricas em carne vermelha (acima de 100g/dia) e carnes processadas (acima de 50g/dia) estão associadas a um maior risco. O ideal é limitar o consumo a, no máximo, duas vezes por semana.

  • O câncer colorretal sempre apresenta sintomas?
    Mito
    . Em fases iniciais, o tumor não costuma gerar sintomas, o que reforça a importância dos exames de rotina e rastreamento. A ausência de dor ou desconforto não significa ausência da doença.

  • Se um pólipo for detectado, é certeza que virará câncer?
    Mito
    . Apenas uma pequena parcela dos pólipos progride para tumores. No entanto, por precaução, todo pólipo identificado na colonoscopia deve ser removido e analisado.

  • Homens estão mais propensos a ter a doença?
    Verdade
    . Embora a diferença não seja grande, dados mundiais mostram que homens são ligeiramente mais propensos a desenvolver o câncer colorretal.

  • Doenças inflamatórias, como a Doença de Crohn, aumentam o risco?
    Verdade
    . Pacientes com doenças inflamatórias intestinais crônicas, como a retocolite ulcerativa e a Doença de Crohn, possuem um risco aumentado e necessitam de acompanhamento médico rigoroso.

  • Sinais de alerta e tratamentos modernos

    É fundamental estar atento aos possíveis sintomas:

    • mudança no hábito intestinal (diarreia ou prisão de ventre;
    • sangue nas fezes;
    • desconforto abdominal, como gases e cólicas frequentes;
    • sensação de evacuação incompleta;
    • perda de peso sem motivo aparente e cansaço excessivo;
    • anemia de origem indeterminada.

    O diagnóstico é feito principalmente pela colonoscopia, que permite a visualização do intestino e a remoção de pólipos ou biópsia de lesões suspeitas. Exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética, ajudam a avaliar a extensão da doença.

    Os tratamentos evoluíram e são divididos em duas categorias principais:

    1. Tratamentos locais: focam diretamente no tumor, como cirurgia, radioterapia, embolização e ablação. São indicados em estágios iniciais ou em metástases isoladas;
    2. Tratamentos sistêmicos: utilizam medicamentos orais ou endovenosos que circulam pela corrente sanguínea, como quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo. Agem de forma global no organismo, com objetivo curativo ou paliativo.

    A mensagem do Setembro Verde é clara: a prevenção, através de um estilo de vida saudável e do rastreamento adequado, é a arma mais poderosa contra o câncer colorretal.

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    Comentários

    1 Comentários

    • Luis 30/09/2025
      Infelizmente em Franca está difícil,tenho os sintomas ,e estou esperando um colonoscopia a mais de 2 meses