As vendas de Páscoa oscilam na última semana em Franca. O principal "vilão" é o alto valor dos produtos, que afeta consumidores, empresários e produtores, devido ao aumento dos preços das matérias-primas.
Impacto nas grandes redes
O Chokdoce, franquia de lojas em Franca, popularmente conhecida por sua variedade de doces, tem sido procurada por consumidores nas últimas semanas. O coordenador do centro de distribuição da rede, Lecilvano Brito, em entrevista exclusiva ao portal GCN/Sampi, contou um pouco dos bastidores das vendas.
Segundo ele, uma das empresas parceiras diminuiu a oferta de ovos de Páscoa para este ano. No entanto, o Chokdoce, que tem sua própria marca, supriu essa falta e aumentou em 10% a quantidade de sua produção em relação ao ano passado, prevendo que a demanda exigiria essa disponibilidade.
Ele completa que o aumento na procura de produtos com intenção de doação tem sido uma grande surpresa. “A gente sempre teve muita compra para doação. Foi uma surpresa o aumento que houve. O pessoal ainda continua comprando para doação. Isso é curioso, muito interessante”, contou.
O consumo, na visão do coordenador, se mantém. A pandemia proporcionou uma alta considerável e, após alguns anos, o mercado se reestabiliza em termos de consumo, mesmo com o aumento do preço do cacau.
“O cacau, nos últimos 12 meses, teve um aumento de 189%. Isso acaba refletindo também na demanda de alguma forma, mas o que temos percebido é que as pessoas ainda mantêm o nível de consumo (...) a tendência é que, mesmo com o aumento de preço, as pessoas basicamente consumam a mesma quantidade que consumiam no ano passado”, disse.

Impacto nos supermercados
Na rede de supermercados Amarelinha, com loja em Franca na avenida Brasil, as vendas estão abaixo das de 2023, de acordo com o subgerente Ricardo Nazaré. "Está meio fraco ainda; a tendência é que a última semana melhore; está mais devagar que o ano passado".
A motivação é a alta nos preços e a falta de variedade de marcas. A busca por caixas de bombons teria ocupado grande parte da demanda. "O preço deu uma subida boa este ano. Algumas marcas não estão mais trabalhando com aqueles brinquedos, surpresas dentro (...) a procura por caixas de bombons e tabletes aumentou", explicou.

Como tem afetado os pequenos produtores?
A Pane Padoca é um negócio próprio do jovem Iuri Paschoal, de 22 anos. O jovem trabalha com cozinha há cinco anos e oferece produtos com chocolate. Na Páscoa, segundo ele, as vendas estão mais difíceis devido à alta dos preços.
"Em dois meses, o quilo passou de R$ 45 para R$ 95 em algumas lojas. Com esse aumento no preço do chocolate, o valor dos ovos também sobe. Eu nunca fui de lucrar 200%, como essas marcas mais famosas, mas esse é meu trabalho também — preciso tirar algum lucro", relatou.
Iuri trabalha com ovos artesanais recheados, com faixas de preço variando entre R$ 35 e R$ 115. Dispõe de kits de degustação, ovos de 250 gramas e 500 gramas. Os recheios são de preparação própria e o processo envolve técnicas específicas para que o produto seja de boa qualidade. Por conta disso, ele conta que as reclamações sobre o preço existem, mas são superadas pela complexidade do processo de produção.
"Sempre usei ingredientes de alta qualidade, por isso dá muito trabalho fazer (...) sem contar outros recheios, como geleias, cujas frutas são difíceis de encontrar. Ganaches que precisam ficar até 12 horas na geladeira (...) as pessoas não sabem o quanto é difícil e metódico o processo de fazer os doces", finalizou.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.