A Igreja Católica iniciou, nessa quarta-feira, 5, o período da Quaresma, uma tradição de quarenta dias de preparação para a Semana Santa e o Tríduo Pascal. Durante este tempo, os fiéis são chamados à reflexão, oração e práticas de penitência, em preparação para a Páscoa. O bispo Paulo Roberto Beloto, da Diocese de Franca, explicou a importância deste período litúrgico e destacou os principais elementos espirituais da Quaresma.
"A Igreja Católica inicia no dia de hoje (Quarta-feira de Cinzas) o que nós chamamos de Quaresma. São quarenta dias de preparação para celebrarmos a Semana Santa e, de modo particular, o Tríduo Pascal. A festa mais importante da nossa liturgia é a Páscoa, quando nós celebramos essa passagem de Jesus à sua paixão, morte e ressurreição. Sua passagem deste mundo para o Pai. Ele morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação", destacou o bispo.
Segundo ele, a Quaresma tem um papel essencial na vivência cristã. "Morte e ressurreição de Cristo constituem o que nós chamamos de Mistério Pascal, que se prolonga na Igreja com um ritmo anual, que é a Festa da Páscoa. Depois também é semanal, que é o domingo, quando nós celebramos a Eucaristia. E também diária, quando as pessoas participam todos os dias da missa. É este evento que está presente na nossa liturgia que nos motiva a celebrar agora este tempo da Páscoa, que nós abrimos com a celebração das cinzas", explicou.
Durante a Quaresma, os fiéis são convidados à conversão, um dos principais chamados deste período. "Na Quarta-feira de Cinzas, nós recordamos algumas palavras. É uma exortação que Jesus faz no Evangelho de Marcos: 'Convertei-vos e crede no Evangelho'. Metanoia vem da língua grega e significa mudança de mente e de coração. É afastar-se do caminho errado do pecado e voltar-se para Deus", explicou o bispo.
"Temos uma leitura belíssima do profeta Joel, na missa de Quarta-feira de Cinzas, quando ele fala assim: 'Voltai para mim com todo o vosso coração, com os jejuns, lágrimas e gemidos, rasgai o coração e não as vestes. E voltai para o Senhor, vosso Deus, porque ele é benigno e compassivo, paciente, cheio de misericórdia e inclinado a perdoar o castigo'", completou.
O bispo ressaltou que a conversão deve ser verdadeira e profunda, indo além de meros gestos externos. "Temos, sim, sinais exteriores, que são os nossos jejuns, as lágrimas, as cinzas, mas também o interior, essa mudança interior, ela é muito importante. Converter-se, então, é voltar-se para Jesus e acolher a sua mensagem e a sua proposta de vida", disse.
Oração, jejum e caridade
Durante a Quaresma, três práticas penitenciais são reforçadas: oração, jejum e esmola. "O meu relacionamento com Deus, através da oração, se intensifica durante esse tempo, mas também a prática do jejum, que é o relacionamento comigo mesmo, o meu relacionamento com a natureza, através do jejum, da abstinência. Quer dizer, deixar de comer algum alimento, mas também viver a pureza, cultivar a alegria, a sobriedade, o perdão, e depois o meu relacionamento fraterno com os outros", explicou o bispo.
Ele também destacou a importância da solidariedade. "É muito importante a gente praticar a esmola, mas também a amizade, a paciência, o perdão, o diálogo. E Jesus nos ensina a fazer tudo isso de coração, superando a justiça dos fariseus, apontando a penitência que deve brotar do interior".
Campanha da Fraternidade com o tema Ecologia Integral
No Brasil, a Quaresma também é marcada pela Campanha da Fraternidade, promovida anualmente pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Neste ano, o tema é "Fraternidade e Ecologia Integral".
O bispo de Franca reforçou a importância do tema da Campanha da Fraternidade sobre a questão ambiental. "Se há um tema atual é o deste ano, quando trata da ecologia integral. Lembrando uma passagem do livro do Gênesis: 'Deus viu que tudo era muito bom'. Deus vai criando, depois ele se encanta com a beleza da criação, principalmente a beleza da criação do homem e da mulher. E a Igreja no Brasil, com a Campanha da Fraternidade, tem esse objetivo. Nós estamos, vamos viver um período quaresmal, e também estamos diante de uma urgente crise ambiental. Então, uma conversão integral", pontuou.
O bispo também lembrou o gesto concreto da Campanha da Fraternidade: a coleta realizada no Domingo de Ramos, dias 12 e 13 de abril. "Essa coleta é destinada aos pobres. Aqui na nossa diocese, 60% do valor arrecadado constitui o Fundo Diocesano de Solidariedade, gerido pela Caritas e aplicado em ações e projetos sociais".
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.
Comentários
1 Comentários
-
Geraudo 06/03/2025Calma, são só quarenta dias, depois podem voltar ao normal....kkkkk