Trabalhadoras contratadas pelo Grupo Franpav, terceirado pela Prefeitura de Franca para limpeza das unidades de saúde da cidade, como UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), denunciam que estão sem receber seus salários desde dezembro de 2024. Na manhã da última quinta-feira, 20, elas foram até a sede da empresa, cobrar um posicionamento, mas saíram de lá ainda mais revoltadas.
Entre as funcionárias, está Ana Paula da Silva Giraldelli, de 31 anos, que pediu demissão recentemente. Segundo ela, o prazo para o acerto da rescisão venceu no último dia 13 e o acerto não foi realizado. Ana Paula diz que a empresa relata que não tem como acertar os saldos com ela, porque a Prefeitura não disponibiliza a verba.
Outras duas funcionárias - Isabel Cristina Basanti, de 56 anos, e Isabel Cristina Gonçalves Machado, de 52 anos - contam que foram demitidas por represália.
“Eu fui mandada embora, ela foi mandada embora por represália, porque a gente chegou lá para querer saber sobre o pagamento, porque ele estava sendo atrasado. O que eles fizeram? Mandaram a gente embora”, disse Basanti.
“Eles só mandaram, sem explicação. Só porque a gente tinha paralisado o serviço, 30%. A gente fez isso, porque não ia trabalhar sem receber. Aí depois, a gente recebeu o aviso. Simples assim”, completou Machado.
Deboche por parte dos gerentes
As mulheres, que ficaram na porta do prédio em que se localiza o Grupo Franpav, no Centro de Franca, chegaram de manhã, por volta das 7h e foram embora perto das 12h30. Elas relataram que, primeiramente, ao adentrar o local, estava presente um homem que se identifica como representante da empresa. Além dele, estavam presentes um gerente do grupo e um homem que não quis se identificar. O relato é de que o primeiro teria debochado das reclamações das funcionárias.
“Ainda na reunião, a gente vê que ele fica fazendo brincadeirinhas com a situação. Fazendo deboche. E ele diz que trabalha assim, primeiro ele tem que receber de outras regiões para poder estar pagando a gente. Daí ele recebe de Franca para pagar outras regiões. [...] ele disse que a empresa não está no nome dele. Está no nome da mãe dele. Que ele não é o dono”, explicou Isabel Machado.
De acordo com os depoimentos, são pelo menos 65 funcionários na unidade do Grupo Franpav em Franca e nenhum deles recebeu seu pagamento até então.
Durante a reunião que ocorreu no período da manhã, a reportagem do Portal GCN, que estava no local, ouviu dos empresários que a nova data de pagamento prevista é esta terça-feira, 25. Eles relatam que, naquele dia, não tinham possibilidade de realizar o acerto.
“Se a gente tivesse possibilidade, já tinha feito, mas se não tem essa possibilidade, o que a gente vai fazer? Ou paga todo mundo, ou não paga ninguém”, afirmou o representante.
Em um certo momento, o homem, em tom de deboche, pergunta à mulher se ela gostaria de trabalhar lá para ajudá-lo na questão financeira e reforça: “Se eles não pagarem, eu não vou pagar. Acabou”, concluiu o representante.
O que dizem a empresa e a Prefeitura?
O Grupo Franpav foi acionado e, até a publicação desta matéria, não se manifestou. Já a Prefeitura de Franca declarou, por meio de nota, que não há atraso por parte deles e que o pagamento referente ao mês de janeiro já foi liberado. Leia a nota na íntegra:
"A Prefeitura de Franca informa que realiza a fiscalização da empresa para que os pagamentos das notas fiscais sejam liberados. Em reunião realizada na Prefeitura, o representante da empresa informou que realizaria o pagamento no dia 19. Os documentos faltantes para o encaminhamento da nota fiscal foram entregues à Secretaria de Saúde (comprovantes de recolhimento de FGTS e décimo terceiro dos funcionários) na manhã do dia 19 e, tão logo, foram entregues, a nota fiscal foi liberada e encaminhada para Secretaria de Finanças para o pagamento referente ao mês de janeiro. Esclarece que não há atraso pela Prefeitura de Franca."
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.
Comentários
3 Comentários
-
Scott 25/02/2025O sindicato do assédio e conservação e conservação que tem que defender os trabalhadores defende os patrões isso sim. Você vai lá pra fazer uma denúncia eles liga na empresa e cita seu nome. Se existe a denuncia eles teriam que manter o sigilo do trabalhador. Esse empresa ta mais suja que pau de galinheiro -
MANÉ 24/02/2025ALEM DE NÃO PAGAR AS FUNCIONARIAS QUE TRABALHAM NUM SERVIÇO ATÉ PERIGOSO POR SE TRATAR DE CUIDAR DE LIMPEZA DE SAUDE, AINDA RI E DEBOCHA DAS MESMAS? SEJA A EMPRESA DELE OU NÃO, SE ELE ESTA RESPONDENDO AS FUNCIONARIAS, ALGUMA COISA ELE É ALEM DE SER FILHO DA PROPRIETARIA, NO MINIMO A EMPRESA É DELE E COMO ELE JA FEZ SACANAGEM E SUJOU O NOME DELE, COLOCOU A EMPRESA NO NOME DA MÃE QUE DAQUI UNS DIAS VAI FICAR COM O NOME SUJO TAMBEM E OLHE LA SE ELA NÃO TER ALGUM BEM PENHORADO POR FALTA DE PAGAMENTO, A PREFEITURA DIZ QUE PAGOU ,ENTÃO O CARA ESTA QUERENDO DAR O GOLPE NAS COITADAS, QUAL SINDICATO EM FRANCA RESPONDE POR ESSE PESSOAL QUE TRABALHA NEESSA AREA? VÁ EM CIMA DESSE PESSOAL QUE LOGO DA O GOLPE E SAI DA CIDADE -
Darsio 24/02/2025Aí está a terceirização, ou seja, o trabalhador é submetido a uma condição análoga a de escravo e, no final quando então vai exigir direitos é simplesmente debochado. Se a terceirizada não paga, a prefeitura deveria ser obrigada a pagar e, obviamente a empresa precisa ser responsabilizada criminalmente e seus proprietários proibidos de participar de qualquer licitação pública.