SUPERAÇÃO

Jovem atleta derrota doença rara e conquista medalha para Franca

Por Igor Araújo | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Patrícia traçou uma incrível história de superação e força de vontade ao superar doença rara e se tornar atleta paralímpica
Patrícia traçou uma incrível história de superação e força de vontade ao superar doença rara e se tornar atleta paralímpica

Patrícia Martins, de 29 anos, moradora em Franca, escreveu uma incrível história de superação e força de vontade, não só ao conquistar para a cidade a medalha de bronze no tênis de mesa, no Campeonato TMB Estadual 2º etapa no último dia 20 de abril, mas também por acreditar e lutar para voltar a andar, após um longo tratamento de uma doença rara, conhecida como porfiria intermitente.

A atleta paralímpica, que sonhou em voltar a andar um dia, agora pode comemorar a conquista do terceiro lugar do campeonato estadual, a volta às atividades físicas e ao curso de educação física.

Patrícia teve, no ano de 2022, uma reviravolta inesperada em sua vida. A jovem que levava uma vida normal foi surpreendida por uma rara doença que começou com fortes dores abdominais no mês de junho, marcando o início de uma jornada desafiadora contra a porfiria aguda intermitente.

Antes disso, aos 29 anos, Patrícia desfrutava de uma vida ativa, praticando esportes e estudos, com planos de transformar vidas através de sua paixão pelo esporte e atividades físicas.

As dores intensas a levaram ao hospital, onde passou por uma série de tratamentos e diagnósticos equivocados, incluindo suspeitas de várias doenças. Apesar dos esforços médicos, as dores persistiram, e Patrícia enfrentou uma internação de 10 dias na Santa Casa de Franca, sem melhorias significativas.

“Quando eu voltei para casa, eu já comecei a sentir uma fraqueza muscular. Eu achei que essa fraqueza muscular era devida a eu ter ficado internada por 10 dias. Eu nunca tinha passado por uma internação. Então, eu comecei a sentir muita fraqueza muscular. Mas, não num grau acentuado. Porém, dois dias depois, eu comecei a não conseguir pentear meu cabelo, escovar os dentes. Não estava conseguindo levantar muito o braço. Estava muito fraca.”

Luta pelo diagnóstico e tratamento adequado
O caminho para o diagnóstico correto foi repleto de desafios. Inicialmente, os médicos não conseguiram identificar a porfiria, levando ao uso incorreto de medicações que agravaram seu quadro. Após uma luta incansável, Patrícia foi diagnosticada corretamente e iniciou um tratamento adequado, com medicação de alto custo, fazendo o uso de remédios como a hemina e hematina.

A jovem atleta conta que, com muito custo, conseguiu a vaga para o Hospital das Clínicas em Ribeirão Preto, e que nesse momento já havia perdido todos os movimentos da cabeça para baixo.

“Dia 11 de julho de 2023, eu consegui a minha vaga com muito custo para Ribeirão Preto, no HC. E lá eu comecei o meu tratamento. No HC de Ribeirão Preto, eu fiquei hospitalizada de julho até setembro, sendo que fiquei até agosto no CTI, traqueostomizada, com uso de sonda, completamente sem movimento nenhum. Eu já havia perdido todo o movimento do pescoço para baixo.”

Adaptação à nova realidade
A porfiria deixou Patrícia completamente dependente, sem movimentos do pescoço para baixo. Sua rotina diária foi drasticamente alterada, requerendo cuidados intensivos de sua família e amigos. Porém, mesmo diante das adversidades, Patrícia manteve sua determinação e fé inabaláveis.

“Minha mãe fazia tudo para mim. Também outras pessoas me ajudaram, meus irmãos, amigos, minha namorada, alguns vizinhos, todo esse pessoal aí me ajudou muito.”

Superação através do esporte
Apesar das limitações físicas, Patrícia encontrou forças para se envolver no esporte. Sua participação nos jogos, mesmo após perder todos os movimentos do corpo, trouxe-lhe não apenas uma medalha de bronze, mas também uma sensação de orgulho e realização. O tênis de mesa tornou-se uma ferramenta de superação e uma fonte de felicidade em sua jornada de reabilitação. Ela conta que se sentiu muito orgulhosa de si mesma, ao conquistar uma medalha na competição.

“Eu já estava muito feliz em trazer a medalha de bronze. Me deixou ainda mais feliz. E, assim, até orgulhosa de mim, porque, depois de tudo que eu passei, ainda consegui me superar. E estar praticando o esporte, e conseguindo competir nesse nível, foi muito importante para mim. Está sendo muito importante. Estou muito, muito, muito feliz.”

Fé e esperança no futuro
Hoje, Patricia segue uma rotina intensiva de reabilitação, incluindo musculação, natação e terapia das mãos, sempre mantendo sua fé e esperança em Deus. Sua história é um testemunho inspirador de determinação, resiliência e gratidão, ensinando que, mesmo nos momentos mais difíceis, é possível encontrar forças para seguir em frente.

"Aprendi que tudo tem um tempo determinado por Deus, que tem tempos de lutas, mas também tem tempos de vitórias. Estou confiante de que, se Ele me deu essa luta, sairei vitoriosa dela. Com tudo isso que eu passei, só posso agradecer por tudo que Ele tem feito na minha vida e tem me ensinado", afirmou Patricia.

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Comentários

2 Comentários

  • Rhioda Wars 08/05/2024
    Parabéns pelas suas conquistas. Exemplo de superação, determinação, resiliência e mentalidade forte!
  • Neroni 05/05/2024
    Parabéns, Prima, só quem viveu sua trajetória, sabe a sua luta pela vida. Foram muitas orações e fé, lembro do seu pai firme na fé e agora você esta começando a colher os frutos. Deus na sua infinita bondade e misericórdia continue a te abençoar nesta nova etapa.