PAIXÃO ALVIVERDE

Lanchão recebe ‘encontro de gerações’ na partida de acesso da Francana

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Marcos Limonti / Francana
Torcida vibra durante partida entre Francana e SKA Brasil
Torcida vibra durante partida entre Francana e SKA Brasil

Os idosos assistiram ao título da série A2 do Campeonato Paulista de 1977. Os adultos amargaram a derrota para o Marília em 2002. Juntos, levaram as crianças, que terão guardadas na memória a festa pelo acesso para a “terceirona” em 2024. As arquibancadas do “Lanchão” reuniram gerações na manhã deste domingo, 28. Ao todo, 9.383 torcedores vibrando em prol de uma única paixão: a centenária Associação Atlética Francana.

A festa começou antes da bola rolar. Às 9 horas, o bairro São José já havia sido tomado pelas cores verde e branca. Os torcedores aproveitavam para tomar uma cervejinha e comer um espetinho nas calçadas. Quem deixou para a última hora, corria para a bilheteria do estádio. Camelôs vendiam camisetas de times brasileiros e internacionais, e a loja do clube comercializava os mantos esmeraldinos.

Não confunda. O clima de festa não escondia a tensão para a partida decisiva. Os “técnicos de plantão” tinham a mesma proposta: “a Francana precisa abrir o placar para jogar mais tranquila”. Com as ideias alinhadas, foram para as filas. Apesar de longas, a checagem dos policiais e a validação dos ingressos eram rápidas. O grande público conseguiu entrar no estádio antes de o juiz apitar.

A torcida organizada Comando Alviverde era o maestro do estádio. Os cânticos empurravam os jogadores. Tinha bexigas, papel cortado, fumaceiro verde e, claro, os bandeirões. Com participação de todos os setores das arquibancadas, a tradicional “ola” não podia faltar.

A Francana começou o 1º tempo atacando. Não teve um torcedor que não tenha dito “uuuh” com as duas bolas na trave nos 15 minutos iniciais. Passadas as grandes oportunidades, o SKA Brasil partia com a bola, e o grito das arquibancadas era “chamando” a marcação. A cada corte, os jogadores da Veterana batiam na camisa e chamavam o apoio do público. O susto ficou por conta de uma bola a queima roupa defendido pelo goleiro Vinicius Cima.

Com o final da primeira etapa, quem estava no sol procurou pela sombra das árvores para se refrescar. Quem já estava na sombra nas arquibancadas, optou em continuar sentado para não perder o lugar. Os apertados foram no banheiro, e os famintos comprar algo para comer, e não faltavam opções. Desde pastel até hot dog, além de bebidas – todas sem álcool.

O juiz apitou o início do 2º tempo. A equipe de Santana do Parnaíba teve três chances claras, que terminaram fora, na trave e na defesa do guardar redes alviverde. Sem a Francana conseguir grandes trocas de passes ou jogadas individuais, os adversários – também sem tantos recursos – começaram um festival de cruzamentos na área. O destaque foi o zagueiro João Queiroz, que, sempre bem posicionado, cortava as bolas de cabeça.

O placar de 0 a 0 se mantinha, e o torcedor pedia o final da partida. Após longos oito minutos de acréscimos, o juiz apitou. A Francana retornava para a série A3 do Campeonato Paulista, nove anos depois da queda. Os jogadores dentro de campo ajoelharam no gramado, os reservas invadiram para comemorar e a comissão técnica agradecia aos céus. Pais e amigos se abraçavam, a torcida organizada entoava cânticos e o bandeirão foi parar dentro do campo. A história foi escrita e, desta vez, com letras e verde e branco.

As crianças faziam um show à parte. Os primos Heitor Gabriel e João Lucas Cintra gritaram e os jogadores mandaram uma meia e uma caneleira usada na partida. “É a meia sagrada”, falou João Lucas, com a recordação nas mãos e o brilho nos olhos.

O avô José Pires, que não visitava o Lanchão desde a tragédia contra o Marília há duas décadas, estava na partida deste domingo e agradeceu ao neto pelo ingresso ganho. “O que você me deu foi um presente”.

Tinha até quem não era de Franca e conhecia o estádio pela primeira vez. Caso do estudante de farmácia Gabriel Melo. “Pretendo voltar mais vezes, porque eu gostei muito do povo e do jogo. Tudo foi muito legal”.

Um dia para não ser esquecido: 28 de abril de 2024, o final do pesadelo da quarta divisão e o retorno à série A3 do Campeonato Paulista.

Os primos Heitor Gabriel e João Lucas Cintra: presente dos jogadores
Os primos Heitor Gabriel e João Lucas Cintra: presente dos jogadores

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Comentários

3 Comentários

  • Fafa 29/04/2024
    Carlos SOUZA O que tem a ver uma coisa com a outra ? Esporte é uma coisa, assistencia social é outra . Pessoas como vc, defensoras do CAPITALISMO, não deviam reclamar disso... PASSA AMANHA E VAI ESTUDAR . VIVA A frANCANAAAAAAA ...
  • FERNANDO HENRIQUE DA SILVA 29/04/2024
    Parabéns, Veterana!!!
  • Carlos SOUZA 29/04/2024
    Otimo pra Franca, a nossa Francana subir, porem engraçado esse pessoal de rua, tipo aqueles que se encontram a mais de anos na Vila Formosa, dando gastos etc, e verdadeiros trabalhadores nao puderam ganhar um extra na porta do lANCHAO, que Vergonha