PRIVATIZAÇÃO

Câmara reclama de horário da audiência pública em Franca para discutir venda da Sabesp

Por N. Fradique | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
N. Fradique/GCN
Sessão da Câmara de Franca, na manhã desta terça-feira, 5
Sessão da Câmara de Franca, na manhã desta terça-feira, 5

Os vereadores de Franca reclamaram da iniciativa do Governo do Estado em agendar a audiência pública para discutir na cidade a privatização da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) no mesmo dia e horário da sessão da Câmara Municipal. A audiência em Franca será às 14h, no Teatro Municipal. No mesmo horário, começa a segunda parte da reunião do Legislativo, com a votação dos projetos.

Vereadores como Della Motta (Podemos), Gilson Pelizaro (PT), Ronaldo Carvalho (Cidadania) e Zezinho Cabeleireiro (PP) lamentaram a coincidência na programação, uma vez que o próprio poder Legislativo de Franca mantém aberta uma Frente Parlamentar contra a privatização da Estatal, principalmente da unidade de Franca, que opera no lucro e é reconhecida pelo qualidade do serviço prestado.

Ronaldo Carvalho, presidente da Frente Parlamentar da Câmara de Franca criada para discutir a questão, divulgou números positivos da estatal, durante seu discurso na Tribuna, dizendo que a empresa teve lucro de R$ 3,3 bilhões ano passado e quer chegar aos R$ 14 bilhões.

“De onde esse dinheiro vai sair. Vai sair da tarifa, não tem outro lugar”, disse. “E outra coisa, se faz uma audiência de um assunto tão relevante em um dia de terça-feira, às 14h, quando as pessoas não conseguem participar. Também por que marcou a audiência no mesmo horário da sessão da Câmara?”, questionou.

Gilson Pelizaro chamou a audiência pública da Sabesp em Franca de "fake". “É uma vergonha fazer uma audiência fake. É uma mentira, simplesmente protocolar essa audiência pública, não quer discutir com ninguém a privatização. O governador do Estado sabe muito bem a resistência popular que tem em relação à entrega desse patrimônio a terceiros. A privatização é sucatear o serviço, aumentar a tarifa e dar má condição aos funcionários. Onde foi privatizado o serviço de água e esgoto que deu certo?”, perguntou.

Pelizaro pediu que a Câmara emita uma nota de repúdio pelo que chamou de "desrespeito" com a população da cidade, com o funcionário da Sabesp e também com a própria Câmara de Franca. “Esta Casa de Leis tem uma Frente Parlamentar que está tomando providência junto ao Ministério Público. Para fazer a privatização, tem que conversar com o poder concedente. Tem que solicitar autorização desta Casa de Leis, que lá atrás autorizou o contrato com a Sabesp por 30 anos. Eles tiveram que pagar o município, pagaram R$ 30 milhões na época. É inconstitucional o que o Governo quer fazer. Como eles vão passar a concessão para 2060 e a cidade não vai receber um centavo por isso?”, disse o vereador, com o apoio do colega vereador Zezinho Cabeleireiro, durante seu discurso.

O presidente da Câmara, Della Motta, também lamentou a audiência da Sabesp no dia da sessão do Legislativo: ‘Há vários anos a Câmara se reúne às terças-feiras, mas teremos representantes lá porque essa Câmara, na sua totalidade, preservamos nosso patrimônio público, que é a nossa Sabesp. A Câmara de Franca foi pioneira na questão da privatização, como sendo contrária. Nosso total repúdio a essa audiência pública”.

Os vereadores que deverão participar da audiência da Sabesp são Ronaldo Carvalho e Gilson Pelizaro.

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Comentários

1 Comentários

  • José Roberto 05/03/2024
    Simples... Se o carioca privatizar vocês não entregam o serviço de saneamento que pode ser municipal tipo o DAE de ribeirão preto. Faça o serviço virar municipal. Basta não assinar o contrato...