Circula entre os pais de alunos de escolas de Franca que os casos de piolhos entre as crianças estão crescendo, uma preocupação a mais na volta às aulas. Segundo informações da Secretaria Municipal de Educação, a informação não procede. “Não há registro de surto de piolho em creches e escolas municipais”, informa nota da secretaria.
Escolas particulares e mesmo creches credenciadas à Prefeitura, porém, preocupadas com a possibilidade de um surto de pediculose entre as crianças, estão distribuindo orientações de cuidado individual e coletivo, para garantir o bem-estar de todos. O alerta também vale para casos de doenças virais – gripes, covid e sarampo, entre outras.
Mas afinal, por que esse parasita é tão assustador? “Porque ele passa de cabeça em cabeça”, conta Márcia H. S. (ela preferiu que o sobrenome não fosse veiculado), mãe da Jéssica, de 14 anos, aluna de uma escola particular. Por três anos, ela lutou para acabar com os piolhos da menina.
“Todo começo de ano era um horror. Fiz de tudo: pente fino todos os dias, duas vezes por dia, vinagre, cabelo curto, cabelo preso... Nunca vi ninguém pegar esse bichinho tão fácil. E daí, passava para o meu filho. Até que num momento de desespero, implorei para o pediatra passar um medicamento. Diminuiu bastante, mas nunca descuidei. Mantive pente fino diariamente por anos. E, do nada, acabou”, diz Márcia.
E engana-se quem pensa que piolho tem ligação com falta de higiene. A infestação, em geral, está mais ligada à aglomeração diária de crianças e ao compartilhamento de objetos pessoais, como as escovas de cabelos e bonés. Também é mais comum em meninas, por causa dos cabelos compridos. Mas isso não é regra. Ninguém está imune aos piolhos, nem mesmo os adultos.
A seguir, tire dúvidas sobre a pediculose e veja como se proteger e acabar com os piolhos. As informações são do Hospital Israelita Albert Einstein e da Fiocruz.
O que são piolhos?
Os piolhos são pequenos parasitas, não possuem asas e se alimentam de sangue. Eles são transmitidos de uma pessoa para outra por meio do contato direto, mas também podem ser transferidos pelo uso de objetos pessoais – como bonés, chapéus, escovas de cabelo, pentes e roupas. É importante destacar que a pediculose não está relacionada à falta de higiene nos cabelos, ao contrário do que muitas pessoas imaginam.
Como ocorre a transmissão?
O período de incubação varia de sete dias a três semanas. Enquanto houver piolhos vivos na pessoa, o período de transmissão ocorre. Também é importante prestar atenção às lêndeas (ovos de piolhos): enquanto estiverem nos cabelos, novas infestações podem ocorrer. Um piolho pode sobreviver por dias em objetos como pentes ou bonés. Por isso, é importante lavar esses itens com água quente e não emprestar de outras pessoas. Use apenas o seu.
Que sinais indicam que pode haver piolhos no couro cabeludo?
O principal síntoma de piolho é uma coceira constante e intensa no couro cabeludo. Dependendo da quantidade de piolhos, coçar pode levar a ferimentos. Além disso, a coceira pode se estender da nuca até o pescoço. As lêndeas (pequenos pontos brancos nos fios de cabelo) também são indicativo da pediculose.
Só criança pega?
A infestação por piolhos é mais comum em ambientes escolares, afetando crianças com idades entre 3 e 12 anos, especialmente as meninas, devido ao maior comprimento dos cabelos e ao compartilhamento de pentes ou escovas. Mas adultos também podem pegar. As altas temperaturas também propiciam a proliferação dos piolhos.
Como tratar e eliminar?
As principais formas de tratar a doença e eliminar os piolhos são com o uso de produtos como xampus e aplicação de loções específicas para pediculose, medicação oral que será prescrita a critério médico, pentear o cabelo molhado com um pente fino para remover lêndeas e piolhos. Geralmente, não é necessário cortar o cabelo das crianças afetadas. Caso uma criança esteja com piolhos e lêndeas, todos os membros da família devem ter seus cabelos examinados para prevenir reinfestação. A escola deve ser informada imediatamente.
Qual é o risco de se utilizar métodos alternativos?
Nenhum tipo de produto deve ser utilizado sem recomendação médica. O couro cabeludo funciona como uma espécie de esponja que absorve o que é aplicado na cabeça. Portanto, é preciso ter cautela. As tinturas de cabelo e os inseticidas podem até matar os piolhos, mas não eliminam as lêndeas. Além disso, esse tipo de material contém substâncias tóxicas que podem provocar lesões e infecções na criança. Outro mito comum consiste no uso de plantas, comumente associado a tratamentos naturais. Contudo, seu uso indevido pode gerar alergias e também deve ser evitado.
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