A Região Administrativa de Franca, composta por 23 municípios, fechou 2023 com saldo positivo de 4.011 novos empregos – resultado de 105.926 admissões e 101.915 desligamentos. Os dados são da pesquisa Emprego Formal, da Fundação Seade, com informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, no acumulado de 12 meses.
A maioria dos setores de atividade mostrou resultados positivos na geração de empregos na região de Franca no ano passado, com destaque para serviços, com saldo de 3.791 empregos no ano, seguido por comércio, com 887; construção, com 763; e agricultura, com 85. Apenas o setor da indústria teve saldo negativo (-1.515).
Apesar do saldo positivo em 2023, os números são bem inferiores ao registrado no mesmo período em 2022 quando, no acumulado de 12 meses, a Região de Franca registrou saldo de 9.860 novos empregos. Naquele ano, todos os setores analisados apresentaram saldo positivo, com destaque para serviços, com 4.587, seguido por indústria, com 2.603; comércio, com 1.477; construção, com 943; e agricultura, com 250.
Mas como explicar essa diferença? O economista Reinaldo Cafeo afirma que é preciso considerar que, em 2022, houve a recuperação do emprego pós-pandemia. Além disso, diz, o mercado nutria a expectativa de que o modelo liberal continuasse no país.
“Vieram as eleições, em outubro de 2022, e a troca de governo trouxe muitas incertezas, notadamente no controle dos gastos públicos. Mesmo assim, o mercado formal continuou tendo saldo positivo, contudo, com menor intensidade”, afirma Cafeo. “Mas chega um ponto em que as empresas seguram as contratações, na medida em que buscam ganhos em produtividade”, emenda.
Em resumo, diz Cafeo, houve desaceleração geral em 2023. “O mercado vinha forte, e chegou o momento de uma certa acomodação”, enfatiza. “E mais: os investidores também ficaram de olho nas questões macroeconômicas do atual governo, levando-os a retirar um pouco o pé do acelerador, o que afeta na criação de novos postos de trabalho.”
Calçados
Franca, conhecida como um dos principais polos calçadistas do país, é particularmente afetada pela crise no setor, quando o assunto é geração de empregos. No ano passado, segundo matéria veiculada pelo GCN/Sampi, a cidade perdeu 2.307 postos de trabalho na indústria de calçados. Dados divulgados pelo Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) mostram que o número de carteiras assinadas no setor, em dezembro do ano passado, totalizou 11.681, enquanto, no mesmo período de 2022, eram de 13.988.
Os números locais refletem o momento do setor no país. A Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) contabiliza que 20,7 mil postos de trabalho foram extintos em 2023.
O economista Reinaldo Cafeo afirma que especificamente a indústria calçadista, sofre forte influência dos produtos importados, notadamente os chineses, o que leva o consumidor a reduzir a demanda por produtos nacionais.
No Estado
O Estado de São Paulo registrou saldo de 391 mil novos empregos – resultado de 7,0 milhões de admissões e 6,8 milhões de desligamentos –, com crescimento de 3,0%, pouco menor do que o observado para o Brasil (3,5%), no acumulado do ano de 2023. Esse saldo representa 26% dos novos empregos no país (1,5 milhão).
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