PROFESSORES

‘A criança vê o professor como uma pessoa que ela venera porque estamos ali para ajudar'

Por Karla Rodrigues | Especial para o GCN
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Maria Regina Martins Carmozine em 2017, ano que aposentou da educação básica
Maria Regina Martins Carmozine em 2017, ano que aposentou da educação básica

Nas primeiras aulas de que tem memória, ensinava com afinco a tabuada para as crianças que ocupavam a sala. Paciente, explicava um a um a multiplicação como se já tivesse feito isso há anos, mesmo com apenas 6 anos de idade. Foi assim o início da experiência como educadora de Maria Regina Martins Carmozine, 66, atual professora do Centro de Educação Integrada (CEI) "Gustavo Chereghini Bichuette", em Franca.

Naquela época, a prima e primeira professora, Osana, levava os alunos com dificuldade em matemática para a casa de Maria. “Ela levava aquele monte de menino e eu ficava ajudando eles nas lições”, relembra. Para a professora, esse período, de alguma forma, motivou sua escolha pela pedagogia. “Quando você vive uma situação satisfatória, você deseja aquilo”, afirma.

Quando tornou-se professora efetiva na educação infantil, o dom pelo ensino floresceu ainda mais. “Eu gostava muito da alfabetização, de aplicar procedimentos diferentes para ensinar, principalmente, a matemática”, diz. A facilidade em transformar o aprendizado em algo próximo aos alunos surpreendia as colegas de profissão. Elas comentavam sobre o vínculo de Maria com a turma. “Eu tinha essa facilidade, me conectava com meus alunos”, pontua. Foram 33 anos promovendo aprendizados, mas também trocas. “Você vê alunos com dificuldade familiar e aprende a dar valor nas pequenas coisas”, relata.

O amor pela educação abraçou todos, mas os brilhos nos olhos aumentavam ao ver a evolução daqueles alunos considerados complicados. “Geralmente, essas crianças têm traumas. Quando conseguem ver o afeto por eles, mudam o comportamento”, enfatiza a professora. A transformação não ficava apenas na sala de aula. Muitas vezes, os pais procuravam ela para dizer como os filhos mudaram positivamente. “Isso é algo que eu guardo com carinho”.

Apesar da paixão por educar, a professora alerta para as dificuldades enfrentadas na educação. “É muita responsabilidade pegar uma criança sem ler, sem escrever. Você tem que dar condições para desenvolver os conhecimentos prévios, vê o que ela não tem e procurar meios para desenvolver. Ela é o possível doutor, advogado. Se não for pelas mãos dos professores, não chega em um determinado ponto”.

Ao longo da carreira, Maria aceitou o desafio da profissão em diferentes escolas de Franca, como a Escola Estadual Caetano Petráglia; Escola Estadual Prof.ª Josephina Zinni Almada; Escola Estadual Francisco Martins Coronel até se aposentar do ensino infantil em 2017 na Escola Estadual Adalgisa de São Jose Gualtieri. Nos últimos seis anos, Maria Regina passou a atender pessoas com deficiência, assim como no começo da carreira em Casa Branca-SP. “A gente trabalha pelo direito deles para que eles possam ter uma vida melhor. Isso me motiva. Eu comecei nessa área e vou terminar nela”, completa.

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Comentários

1 Comentários

  • PERSIO SCAVONE DE ANDRADE 15/10/2023
    V é um exemplo a ser seguido. Parabéns Saúde e Vida Longa.