ESTELIONATO

Todos os dias, pelo menos 20 moradores de Franca caem em golpes

Por Alex Henrique | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Golpes têm sido uma constante na investigação policial
Golpes têm sido uma constante na investigação policial

Assustador. Talvez seja esse o termo mais apropriado para o volume de boletins de ocorrência de estelionato registrados nos últimos tempos em Franca. A quantidade de pessoas da cidade que tem caído em golpes dos mais variados tipos é expressiva nos últimos tempos, com uma média acima de 20 casos diários.

A cena tem sido frequente: uma pessoa desolada, às vezes aos prantos ou com mal-estar, amparada por um amigo ou familiar na sala de espera do atendimento da CPJ (Central de Polícia Judiciária) de Franca, apenas alguns minutos ou horas depois de ter sido vítima de um fraudador.

Números do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o estelionato foi o crime que mais cresceu no país, com aumento de 37,9% entre 2021 e o ano passado. O crescimento dos golpes virtuais foi ainda maior: 65,2%. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo não divulgou números recentes relativos ao município nem ao Estado.

O repertório dos golpistas é variado. Desde o velho bilhete de loteria premiado - sim, ele ainda existe -, falsas centrais de banco, troca de cartões em caixas eletrônicos ou ambulantes, “oportunidades imperdíveis” de venda ou leilão de veículos, falsas promoções, cursos ou viagens, a troca de número ou clonagem do WhatsApp, o que não falta é imaginação para os aproveitadores.

Alguns exemplos foram observados na sala de espera da CPJ pela reportagem. Um comerciante chegou atordoado após uma transferência eletrônica de R$ 53 mil feita de sua conta após entrar em contato com uma falsa central de atendimento.

Com um valor menor de prejuízo, mas também ludibriado, um jovem casal com um recém-nascido no colo prestou queixa de um prejuízo de R$ 5 mil após um Pix para um falso vendedor de um carro de São Carlos que enviou fotos de uma CNH fria e um contrato com um selo falso de autenticação cartorária.

Uma palavra pode resumir o cenário: vantagem. A velha “Lei de Gérson” ainda prevalece. Quem não quer arrematar uma caminhonete que custa R$ 120 mil pela metade do preço? A “oportunidade” é tão tentadora que a razão é deixada de lado, com mais um criminoso satisfeito.

Para a vítima, mais importante que prender o estelionatário é a recuperação do prejuízo. Conseguindo reaver seu dinheiro, a questão criminal fica em segundo plano, o que congestiona as mesas dos investigadores da Polícia Civil de boletins de ocorrência, documento obrigatório para se contestar uma transação bancária.

A recomendação é a de sempre: atenção com as ofertas “irresistíveis”. “Temos reforçado o pedido às pessoas para que tomem cuidado, pois os golpistas agem no menor momento de distração”, disse o delegado Eduardo Lopes Bonfim.

O advogado Matheus França Naldi, especialista em causas que envolvem crimes virtuais, endossa a fala do policial. “É nos momentos em que a concentração está em outra atividade que os golpistas atacam. Sem prestar atenção no que estão fazendo, as pessoas se tornam alvos fáceis dos criminosos”, explica.

Uma dica do advogado para evitar os golpes é verificar a procedência de telefonemas ou pedidos fora do habitual. “Sempre quando a pessoa tiver contato com um ambiente desconhecido, números não cadastrados em sua agenda, ou pedidos de valores não convencionais, procure fazer uma chamada por vídeo, de preferência de outro aparelho, para confirmar a origem”.

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