O Parque de Exposições Fernando Costa foi palco de um espetáculo de cores, tradição e emoção neste fim de semana, com a realização das Cavalhadas da Franca. Milhares de pessoas acompanharam, neste sábado, 5, e domingo, 6, a representação das batalhas entre mouros e cristãos na Idade Média, que acontecem na cidade desde 1831.
O evento é uma das mais antigas manifestações culturais e históricas da cidade, organizado pelo Clube das Cavalhadas da Franca, em parceria com a Prefeitura, por meio da Secretaria de Desenvolvimento, e a Feac (Fundação Esporte, Arte e Cultura).
O prefeito Alexandre Ferreira (MDB) destacou a importância das Cavalhadas para a cultura francana. “É uma tradição que tem quase 200 anos em Franca, então é muito importante para a nossa cidade, para a cultura do país. Parabéns ao Clube pela organização e pela perseverança em todos esses anos. Esperamos vocês no ano que vem, cada vez mais fortes”, disse.
As encenações
A festa das Cavalhadas da Franca começou na noite de sábado, com a Cerimônia dos Encamisados. Os cavaleiros usaram cones nas cabeças e roupas brancas, em um espetáculo que só tinha a luz das lanternas dos pajens. Essa cena mostra o começo da guerra entre mouros e cristãos.
No domingo à tarde, o campo do Parque Fernando Costa foi o cenário da encenação da batalha histórica entre os dois povos, que aconteceu no Sul da França e no Norte da Espanha. Os cavaleiros vestiram uniformes diferentes de cada exército, e os cavalos tinham fitas e sinos.
O elenco de 26 cavaleiros teve um príncipe de cada lado, espias, embaixadores e dois reis – o sultão de Constantinopla (dos mouros) e Carlos Magno (dos cristãos). A personagem principal da história foi a princesa moura, que se converteu ao cristianismo e ajudou a fazer a paz entre os dois lados. Cada cavaleiro e seu cavalo tiveram um pajem que cuidou deles.
O público que foi no domingo ficou encantado com as coreografias e os diálogos bem feitos pelos personagens das Cavalhadas. Crianças, adultos e idosos viram de perto as batalhas, se emocionando com cada momento, como a morte do espia, o salvamento da princesa e o fogo no castelo mouro, que simbolizou a vitória cristã.
Mais tradição
Entre as apresentações das Cavalhadas, teve a Dança dos Velhos, que é do século XIX e fazia parte da Festa do Divino Espírito Santo. Essa tradição voltou depois de anos sem acontecer. Os participantes se vestiram como velhos e fizeram uma dança parecida com uma quadrilha, com música e damas nos braços.
O evento terminou com uma prova das habilidades dos cavaleiros no torneio das argolas e cabecinhas. Os participantes passaram pelo campo com lanças ou espadas, tentando acertar as cabecinhas que estavam no gramado.
Homenagem
Um dos momentos mais emocionantes da edição de 2023 foi o tributo a Paulo Lemos, um jovem apaixonado pelas Cavalhadas de Franca, que morreu aos 30 anos. Marcus Vinícius Falleiros Palermo, presidente do Clube das Cavalhadas, entregou uma placa em sua honra à família de Paulo. Um dos cavaleiros usou uma faixa com a foto e o nome de Paulo nas apresentações seguintes.
“Costumo dizer que Cavalhada é antes de tudo respeito ao cavalo, é gostar do cavalo, respeitar a história e, sobretudo, é uma família. Uma família de amigos que se congrega, que tem um respeito mútuo, um carinho. Paulo era um amigo, um irmão, um grande amante e incentivador de todos nós, nas Cavalhadas. Ele nos deixou precocemente, aos 30 anos, e essa homenagem é para marcar a memória do nosso querido Paulo, aqui com os amigos, os primos corredores, para que ele seja e esteja eternizado nos corações e na memória das Cavalhadas”, disse Marcus Vinícius.
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