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Moradores pagam financiamento de imóveis interditados: 'é um sonho que virou pesadelo'

Por Hevertom Talles | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
arquivo pessoal
Prédio com quatro unidades está interditado e moradores continuam pagando prestações
Prédio com quatro unidades está interditado e moradores continuam pagando prestações

Quatros famílias que compraram quatro apartamentos no bairro João Liporini, em Franca, não estão morando no prédio após um imbróglio envolvendo a construtora responsável pela construção do imóvel. O prédio, com duas unidades térreas e duas superiores, foi interditado.

De acordo com dois moradores que compraram os apartamentos, pouco tempo após se mudarem para a tão sonhada casa própria, as unidades apresentam algumas fissuras, trincas nas paredes e em alguns pontos dos imóveis, além de outros danos na edificação.

“O imóvel passou por várias perícias e todas constataram vícios construtivos, materiais irregulares, bem como falhas no projeto estrutural. Faz cinco anos que pagamos por um imóvel coberto de irregularidades que coloca a vida de famílias em risco, estamos à mercê da Justiça até hoje”, diz um dos proprietários, o auxiliar de escritório, Udo Leandro, de 29 anos.

Segundo Udo, ele e os outros moradores fizeram tudo que podia ser feito antes de chegar ao ponto de acionar a Justiça. “Eles apresentavam projetos, porém ficavam no papel. A Caixa lavou as mãos, disse que é responsabilidade da construtora. É um sonho que virou um pesadelo. Não são eles que não estão podendo morar, estamos sendo lesados”, acrescenta Udo.

No dia 19 de dezembro, o imóvel foi interditado pela Prefeitura de Franca por risco de desabamento, afirma Udo. “Todo mundo teve que sair e buscar um caminho. Como estava ainda nos cinco anos, é de responsabilidade da construtora. Eu continuo pagando para não perder o imóvel para a Caixa, hoje eu moro de aluguel. Eu tenho uma casa e não tenho, não posso morar. Já tinha até colocado os meus planejados , diz o auxiliar de escritório.

Jhon Maycon Lima, 31 anos, é Guarda Civil Municipal e o primeiro morador do prédio do residencial Paraty. Ele relata que conseguiu, durante o processo na Justiça, que a construtora pagasse o aluguel de um outro imóvel para que ele e a família pudessem morar, enquanto aguardam uma definição final do caso.

“O duro é que vai passar os anos e nada, a Justiça demora. É um sonho que virou pesadelo. A gente está pagando um imóvel que está interditado, enquanto isso a gente está morando em imóvel que não é da gente, é provisório. A gente não sabe quanto tempo vai ficar nessa situação”, lamentou Jhon Maycon.

Segundo o agente de segurança, depois que o apartamento foi desocupado por todos os moradores, as unidades foram alvos de criminosos que levaram a fiação.

Na conclusão do laudo pericial que o Portal GCN teve acesso, os profissionais responsáveis afirmaram que a “sacada possui uma situação de colapso. A conclusão do laudo ainda destacou outras questões sobre o prédio que deveriam receber manutenção.

Construtora revela outra versão

Responsável pela obra, a construtora Taf Imobiliária e Construtora, através do advogado, Djonatha Souza, tem posicionamento diferente. “A empresa, por diversas vezes, inclusive no decorrer do próprio processo, empreendeu inúmeras tentativas para solucionar o problema, contudo foi impedida pelos próprios moradores. Atualmente, neste ano, foi realizada uma perícia no imóvel determinada pelo juiz. Esta não constatou risco de desabamento, como foi equivocadamente informado pelos moradores. Muito pelo contrário. Na perícia citada, foram apontados alguns reparos a serem realizados os quais a empresa, já de prontidão, se coloca à disposição para efetuá-los, o que também foi informado no processo”, disse o advogado, Djonatha Souza.

De acordo com o representante da construtora, a empresa requereu uma liminar para adentrar no imóvel e realizar os reparos, mas segundo o advogado, “os próprios moradores recorreram para impedir a realização das obras”, disse sem deixar claro que interesse os moradores teriam em adiar a realização das obras. Djonatha afirmou que a construtora está arcando com o pagamento de aluguéis para os moradores em outros apartamentos até que a questão seja solucionada.

Caixa Econômica Federal
Por sua vez, a Caixa Econômica Federal foi procurada para se posicionar sobre o caso, mas ainda não se retornou a solicitação.

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Comentários

3 Comentários

  • Boom Imobiliário 16/07/2023
    Uai, mas a Caixa não faz vistoria no imóvel através de seus Engenheiros antes de aprovar o projeto e o financiamento ? Ou finge que faz ? Aprovar projeto e financiamento de imóvel interditado e irregular é um absurdo de irresponsabilidade . E os Poderes constituídos, o que dizem ? E o Ministério Público, o que diz ? E a Prefeitura, será que deu Carta de Ocupação e Habite-se para isso aí ? Não acredito! É o fim dos tempos mesmo. Mas alguns costumam criar tantos empecilhos em questões Imobiliárias tão irrelevantes, mas esse financiamento foi aprovado.
  • Homero Santiago 16/07/2023
    O cara trocou de ramo depois que o filão de tomar dinheiro de aposentados analfabetos simplórios esgotou. Agora o golpe é entrouxar casais que trabalham e pagam por sonhos de ter um cantinho pra morar e fazer churrasco. Nem um suíno, com fome, é mais mal educado e esganado que o dotor daquela travessa que o zé rastero falava no pograma do rataum gordo.
  • Tadeu Siqueira 16/07/2023
    Até há bem pouco tempo esses lindos apartamentos eram apresentados por sedutoras raparigas no YouTube como sendo um grande e exclusivo negócio. Eu até comentei lá que era arapuca de construtores desonestos que desapareceriam depois, e não deu outra, os picaretas constroem essas fraudes imobiliarias e vendem gato por lebre, e cadê eles agora???, tomaram doril e o preju fica agora com os trouxas do pilantrão amigo do famoso dotor ceuso.