Conforto, consumo, manutenção, praticidade. Características essenciais, julgadas por muitos motoristas de aplicativos de Franca quando decidem escolher sua ferramenta mais importante de trabalho, o carro. E mesmo com a redução de preços na venda de carros novos na cidade, os seminovos ainda são os mais escolhidos pela categoria.
Franca teve um crescimento de 26% na venda de carros zero, com um total de 236 vendas no mês de junho, em comparação com abril, após o anúncio do governo federal do programa de benefício tributário para montadoras de veículos com a intenção de baratear o custo de carros e estimular as vendas. Porém, mesmo com a redução, o estímulo não é o suficiente para os motoristas de aplicativos.
“Falando de modo geral, 90% dos carros zero quilômetro são alugados. Hoje em dia, é um preço muito salgado para colocar um zero rodando no aplicativo”, conta o motorista Eduardo Ribeiro, atuante na área de aplicativos há mais de quatro anos. Para ele, o carro ideal para a prática tem as seguintes características: carro próprio, 1.0, de três cilindros, baixo custo de manutenção, econômico e confortável. "A maior análise que o motorista faz é o consumo. Quanto mais econômico, melhor para a atividade.”
“É perceptível, que quase todos os carros que rodam pelos aplicativos têm esse perfil. Além do carro ser hatch, já que trabalha muito bem em Franca. Não há necessidade de um sedan, já que o pessoal não sai muito com malas, não tem o aeroporto ativo (de forma popular) e nem mesmo grande movimentação na rodoviária”, explica Ribeiro. "Basicamente, se é zero quilômetro, a certeza de ser locado é alta”.
Na cidade, a maioria dos aplicativos é rigorosa nos critérios que o motorista precisa atingir em relação ao veículo. Alguns até limitam a idade do carro em 10 anos, ou seja, neste ano o máximo que alguém poderia pilotar, seria um carro de 2013.
Ainda segundo o motorista Eduardo, esses critérios deixam evidente a escolha do francano ao buscar seu veículo para trabalho. “Franca tem uma maior reincidência de carros das marcas, Onix, Hb20, Argo, Sandero, Fiat, Ford, Gol, uma escolha em maioria de carros 1.0", disse. “Até podemos ver carros 1.4 ou 1.6, mas estes são a minoria”, pontuou. Entre os mais utilizados em Franca, no formato sedan, estão: Cronos, Logan, Virtus, Versa, Hb20 Sedan.
Do carro próprio, para o alugado e de volta ao próprio
Abner Medeiros trabalha como motorista de aplicativo há cinco anos, mas não como sua forma principal de renda. Abner conta que começou em 2018, utilizando um carro próprio, que usava para o trabalho e lazer, para complementar sua renda.
“Quando foi por volta de 2020, passei por algumas dificuldades financeiras, precisei vender meu Gol. Então aluguei o carro, continuei trabalhando na fábrica de sapatos e fazendo o bico como motorista”, explicou.
Na sua concepção, a locação do veículo é um custo que deixa negativo no primeiro mês, precisando até “trabalhar dobrado e estendendo seus horários” para pagar o aluguel e conseguir tirar algum lucro dos aplicativos.
Hoje Abner voltou à prática com o carro próprio, com um Honda Civic 2012. “Não é o mais econômico, mas como uso para sair com a mulher e filhos, ir trabalhar e ainda fazer corrida nos aplicativos, é o suficiente”, finalizou.
Em Franca, várias locadoras de automóveis estão disponíveis, com diferentes preços, carros e marcas. E o que mais chama a atenção é que para os motoristas de aplicativo, a prática do aluguel é facilitada, com descontos, e sendo possível fazer tudo online pelos aplicativos das próprias locadoras. Para utilizar a função, basta a locadora ter seu próprio aplicativo, preencher as datas de retirada e devolução, pagar o boleto e apenas buscar o carro, estando assim apto para dirigir para os aplicativos de corridas.
Carros elétricos, o futuro da profissão?
Ao falar sobre economia, manutenção e conforto nos carros utilizados para trabalhar em aplicativos, o que não falta nas rodas de conversas em motoristas são os carros elétricos. Em Franca, mesmo que rara as vezes, já é possível flagrar alguns elétricos sendo pilotados pelas ruas.
“Estamos na expectativa dos carros elétricos porque a gente vem percebendo que a tendência do mercado automotivo é o crescimento deles. Estão se tornando cada vez mais populares e diminuindo em preço”, diz o motorista Eduardo Ribeiro, que ainda diz imaginar que em médio prazo os carros elétricos ganhem grande espaço dentro da profissão.
“Uma pessoa que busca um Ônix por exemplo, que hoje está na faixa de R$ 90 mil ou até R$ 100 mil, pode colocar Õnix elétrico no radar. Tem um preço mais elevado, mas ele tem muita economia, já que não tem motor, correia dentada etc. Ele vai proporcionar, além da economia de combustível, a economia da manutenção”, finalizou.
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