PESADELO

Idosa consegue vaga após 5 dias na UPA, não é transferida, piora e é entubada

Por Jéssica Reis | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Arquivo pessoal
Orlandina Luiza Cintra, de 79 anos, está internada no Hospital do Coração de Franca
Orlandina Luiza Cintra, de 79 anos, está internada no Hospital do Coração de Franca

O que seria uma boa notícia para aliviar o coração de uma família angustiada com a espera de uma vaga de internação se tornou mais um capítulo de um longo pesadelo. A família de Orlandina Luiza Cintra, de 79 anos, tem passado por momentos angustiantes.

A idosa ficou por cinco dias internada na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Aeroporto. Ela utiliza oxigênio há seis meses em casa, tem diabetes e DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica). Ela passou mal e precisou buscar atendimento. Ao chegar na UPA, recebeu o diagnóstico de água no pulmão. “Ela sente muita falta de ar e está sofrendo muito. Não sabemos o que fazer”, disse a neta.

No sábado, 1º, a família recebeu a notícia de que a longa espera por uma vaga de internação terminaria. “A Secretaria do Estado de Saúde ligou dizendo que ela era a primeira na fila, e a vaga para internação na Santa Casa de Franca tinha saído. Isso era umas 15 horas, mas até às 20 horas, a transferência não tinha sido feita. Ficamos sabendo que a Santa Casa disse que não tinha como receber ela, pois não havia leito para ela. Ficamos sem entender, pois se a vaga tinha saído, como não iria receber ela”, contou a neta.

A situação piorou, pois Orlandina sofreu uma baixa em sua saturação, e até a meia-noite os médicos da UPA tentaram reverter seu caso. “Eles não conseguiram subir a saturação dela e ela estava quase entrando em coma, quando decidiram colocar ela na ambulância e levaram para a emergência da Santa Casa”, explicou.

A idosa foi encaminhada para emergência da Santa Casa, nos leitos chamados “leitos zero”, que sempre estão disponíveis para casos de urgência e emergência. “Ela chegou ao hospital e precisou ser entubada. Entrou na Santa Casa e falaram para nós que deveríamos aguardar. No outro dia, por volta das 9 da manhã, informaram que ela foi transferida para a UTI do Hospital do Coração, e agora ela segue entubada. Porém, estamos indignados, pois disseram que tinha a autorização da vaga e quando foram transferir, a Santa Casa disse que não tinha leito. Nessa enrolação, ela que era a primeira da fila, ficou esperando, enquanto poderiam ter conseguido vaga em outro lugar, transferido antes dela passar mal, e talvez, ela nem tivesse como está hoje, entubada e correndo risco”, destacou a neta.

Posição da Secretaria de Saúde do Estado
A reportagem entrou em contato com a Secretaria do Estado de Saúde, que informou em nota que o serviço da Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (Cross) é apenas um serviço intermediário entre os serviços de origem e de referência. A Secretaria ainda informou que o papel da Cross não é criar leitos, mas auxiliar na identificação de uma vaga no hospital mais próximo, seja ele municipal, estadual ou filantrópico, e apto a cuidar do caso. A Central possui um sistema online que funciona 24 horas por dia e busca vaga disponível em serviços de saúde do SUS, preferencialmente na região de origem do paciente, com disponibilidade e capacidade para atender cada caso, priorizando os mais graves e urgentes. E uma vaga só é liberada com o aceite da unidade de saúde, que comunica que tem uma vaga disponível.

Posição da Santa Casa de Franca
A Santa Casa de Franca enviou uma nota informando que a paciente foi inserida no sistema para regulação no dia 26 de junho, às 17h16, e foi encaminhada para a referência pactuada no dia 1º de julho às 15h47, acrescentado que a paciente é portadora de DPOC, faz uso de respiratório e por agravamento do seu quadro foi iniciado um protocolo de emergência, dando entrada na Santa Casa no dia 2 de julho, às 00h13, estando internada no Hospital do Coração de Franca.

A instituição disse ainda que o responsável por estabelecer a fila ou encaminhamento dos pacientes é o médico regulador juntamente com o médico assistente do paciente. A comunicação da instituição com o regulador ocorre através do sistema que é online, e compete à instituição responder os casos submetidos à sua avaliação, bem como informar se o caso é pertinente, e se o recurso está disponível.

Questionada novamente sobre o motivo de ter dado aceite para a vaga de internação da paciente e não ter autorizado a transferência da mesma de imediato, a Assessoria de Imprensa da Santa Casa não respondeu nem atendeu às ligações.

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Comentários

9 Comentários

  • angela maria bardelli michele 09/07/2023
    Meu pai tratava de policitemia na santa casa sp. Estava c câncer no ouvido. Na pele. A médica me falou: eu tenho 6 vagas para hemo. Seu pai pela idade, vai ficar pra trás . Mesmo o caso dele s3mdo de internação. Ai usamos o \"pistolão \" . Um amigo conhecia a mulher do governador que obrigou a internacao dele no HC. Ele foi rejeitado pelo hospital IBCC, hosp. JOÃO XXIII, E santa Casa. Pagou INSS dos 18 aos 76 anos e sindicato. Revoltante
  • Jogo de tirar da reta 07/07/2023
    Engraçado que existe um sistema entre santa casa e Cross e eles não conversam direito, tem muita coisa de errado entre estado e esses hospitais, não há transparência alguma sobre esses leitos , é uma vergonha, quero ver o povo ainda votar nesse governadorzinho carioca que só está preocupado com sua reeleição ou quem sabe uma futura candidatura a presidência e vai ter muita toupeira votando nele e colocando a culpa de uma gestão estadual no governo federal.
  • Patrícia Novais 07/07/2023
    Minha mãe ficou 4 dias na UPA de Tatuí.Nao tinha vaga na santa casa. Ela teve um infarto numa segunda-feira .Na terça feira fui visita lá estava estabilizada era o momento de transferi lá eu esperava que eles colocassem ela nessa vaga zero pq o rim estava se comprometendo .Tentamos falar com assistente social para agilizar . Na quarta feira ela foi entubada nessa corrida contra o tempo o rim parou na sexta feira minha mãe faleceu. Tenho certeza que poderiam ter feito mais para socorre lá .A demora em transferir tirou de nós a chance de ter certeza que tínhamos feito tudo que poderia ser feito.Fica minha indignação com o descaso com nossos idosos.
  • Abrahão 06/07/2023
    Eu e mina família passamos por isso, meu irmão estava internado na upa de Nilópolis RJ
  • Paulo uharton pinheiro fernandes 06/07/2023
    E uma vergonha estes hospitais públicos tem que primeiro para ser atendido.
  • Bete 06/07/2023
    Um verdadeiro descaso. Vocês devem denunciar o posto Vila Pereira Barreto com enfermeiros atendendo como médicos.
  • Ricardo 06/07/2023
    Enquanto isso, nosso querido Lula, torra dinheiro em suas viagens e esquece de milhares de senhoras como essa , só se preocupa com imposto e em perseguir Bolsonaro
  • Isabella 05/07/2023
    Quando irão abrir mais leitos ? Quando o sr prefeito irá dar geito na saúde de Franca? Acorda prefeito! vai fazer q nem na outra vez ?deixou várias pessoas morrerem ?
  • Ana Maria Cunha 05/07/2023
    Onde estão os responsáveis? É tanta gente dando opinião sobre a gravidade de certas situações em Franca, que chega ser ridículo. Prefeito, vereadores,advogados, dizendo que o caso não é \" grave\" . Por que não colocam MÃE deles no lugar da idosa, pobre, enferma, oprimida,humilhada...Quem sabe a solução não seria achada rápido?