SEM ETARISMO

Senhores do esporte: atletas ignoram limite de idade e mantêm treinos e jogos

Por Jéssica Reis | da redação
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivos pessoais quando o fator idade não interfere na vida esportiva
Antônio Geron, atleta de vôlei adaptado (à esquerda), e Xavier, jogador veterano de futebol de várzea
Antônio Geron, atleta de vôlei adaptado (à esquerda), e Xavier, jogador veterano de futebol de várzea

O avanço das pesquisas médicas vem contribuindo com o prolongamento da carreira de atletas. No esporte, é mais evidente a percepção de quanto é possível continuar usufruindo das técnicas, conhecimento e bagagem das experiências de um esportista ou atleta com mais senioridade.

Com o passar dos anos, os atletas deixam o campo, as quadras e os incansáveis treinos e vários deles migram para continuar atuando como técnicos, orientadores e gestores esportivos, ao lado de jovens atletas.

Mas, e quando o atleta se aprimora tanto a ponto de se destacar já na terceira idade ou quando o esporte se torna parte de uma rotina saúdavel? É o caso de Antônio Geron e José Xavier, ambos atletas veteranos de Franca, respeitados e admirados. Conheça as suas histórias.

Nas quadras

Antônio Geron tem 93 anos e desde 1994 disputa os Jogos Regionais dos Idosos no vôlei adaptado, representando a cidade. “Tenho uma caixa com uns 20 quilos de medalha aqui em casa. O vôlei me movimenta e me anima”, contou.

Geron nasceu em São José da Bela Vista, mas mora em Franca desde a infância. Ficou viúvo há 9 anos, tem três filhos, oito netos e cinco bisnetos. E por muitos anos trabalhou em uma fábrica de calçados. “Sempre fiz exercício quando era mais jovem. Eu acredito no exercício físico como estímulo e melhora do cotidiano. Mas foi quando me aposentei que consegui dar mais atenção ao esporte. Hoje pratico, além do vôlei adaptado, pilates, alongamento e ginástica, e frequento o CCI do Judas Iscariotes. A movimentação e o exercício me permitem ser saudável aos 93 anos”, explicou.

A profissional de educação física, amante do esporte desde a infância, Júlia Barion, acredita  na importância do trabalho com a terceira idade. “Trabalho há mais de 20 anos com essa faixa etária. É um desafio constante no dia a dia. Você sabe que o tempo não perdoa, e com o passar do tempo as dificuldades tendem a aumentar. A atividade física nessa faixa etária é muito importante porque ela diminui a velocidade com que essas dificuldades se apresentam. Hoje temos vários projetos espalhados pela cidade que trabalham com o público adulto, que eu costumo dizer que é o mirim da melhor idade. Ainda participo das competições diariamente. Isso significa poderem voltar a competir, sentir a adrenalina da competição nessa fase da vida é muito motivador” explicou.

No campo

José Antônio Xavier de Almeida, conhecido como Xaxá, tem 75 anos e joga futebol varzeano. Ele tem três filhos e seis netos, é aposentado e francano. Atualmente, ele joga na equipe Bengala de Ouro, mas já foi atleta do Francaninha, Benjamin, Pinga Fogo, Palmeirinhas, Laranjeiras, São Bento e no time Meia Noite de Patrocínio Paulista.

“Sempre joguei futebol, desde criança, e nunca mais parei. Participei de campeonatos e jogos amadores. Cheguei a fazer jogos internacionais em 2022 com a equipe Bengala de Ouro, cheguei no auge já mais velho”, explicou.

Segundo o aposentado, em 2013 ele precisou operar três safenas. “Na época eu chegava a treinar todos os dias e tive que amenizar os treinos. Os médicos disseram que eu deveria acalmar os exercícios. Hoje são apenas dois treinos por semana e também em tempos menores”, contou.

Xavier é uma referência para o esporte varzeano de Franca e sabe a importância de estimular mais pessoas para a prática esportiva. “Para quem está começando, sempre falo que se você foi sedentário, tem que começar devagar e aumentar o ritmo conforme o corpo aguenta, sem sofrer com o cansaço e sempre fazer o esporte que gosta, pois melhora relativamente a qualidade de vida”.

Equipe masculina de vôlei adaptado da FEAC Franca
Equipe masculina de vôlei adaptado da FEAC Franca
Equipe masculina Bengala de Ouro em competição internacional
Equipe masculina Bengala de Ouro em competição internacional

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Comentários

2 Comentários

  • Gabriel Medeiros 09/07/2023
    Genética boa, bons hábitos de vida, alimentação saudável, o convívio com boas pessoas em bons ambientes e uma cabeça que consiga entender esse mundo tendo a fé que ampare e de o conforto espiritual que proporcione paz e calma interiores. Ontem eu percorri,direto, expresso, 1545 kms de motocicleta em um retornando de Alrraial D\'ajuda pra casa aqui em Franca-SP. E tenho 63 anos de idade, um feito que impressiona muitos, mas, pra mim, isso é apenas um estilo de vida e de experiências saudáveis de uma vida inteira. Cuidados com o corpo, com a cabeça, fé e bons propositos na vida, esse é o elixir para uma longa vida produtiva e feliz.
  • Carlos Roberto Emerenciano 09/07/2023
    Jogo futebol com o Xará desde 2015. Ele é outros colegas com mais de 70 (eu fiz 70 dia 06/07/2023) são minhas referências para continuar praticando esporte amador. Estou também praticando o ciclismo. O grupo do Bengala de Ouro é uma escola a ser seguida. Parabéns Xavier e Geron.