ALEGRIA

Ex-sapateira faz sucesso vendendo balas com sorriso no rosto na rotatória do Distrito

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Sampi/Franca
Pedro Baccelli/GCN
Edma Oscar Mariano, de 61 anos: “Vivo bem melhor”
Edma Oscar Mariano, de 61 anos: “Vivo bem melhor”

Se você passa pela avenida Rio Negro, na altura do cruzamento para o Distrito Industrial, possivelmente já foi cumprimentado por ela. Com um sorriso estampado no rosto e um olhar puro, Edma Oscar Mariano, de 61 anos, trabalha vendendo balas e doces no semáforo.

Nascida em Ribeirão Corrente, Edma trabalhava na lavoura de café. Quando se mudou para Franca, em meados de 1990, aprendeu a costurar sapatos manualmente. Ofício em que atuou até a pandemia do coronavírus, quando ficou desempregada.

A moradora do Parque dos Pinhais tem zumbido no ouvido. Como não estava trabalhando, começou a ouvir o barulho com maior frequência, acentuando o quadro de depressão. Foi neste momento que teve a ideia de começar a vender nas ruas. O contato diário com as pessoas mudaram a sua vida e a dos clientes, que, em muitos casos, viraram amigos.

“Já até deixei de tomar o remedinho da depressão por ter muita gente conhecida na rua. É uma troca. Eles contam (os problemas) deles, e eu conto os meus. E passou. Hoje vivo bem melhor”.

Edma começou vendendo água, mas não deu o retorno esperado pelo público. Foi com as balas que o negócio foi para frente. “Comecei a vender as balinhas e, graças a Deus, está dando certo”.  

Um dos motivos para Edma estar sempre sorrindo é justamente para alegrar e apoiar as pessoas que passam pela região, algumas delas que estão indo para o hospital São Joaquim, que fica a poucas quadras da vendedora.

“Quando vai para o hospital, me conta o que está sofrendo. Às vezes, dou uma palavra de consolo. Às vezes, só de desejar bom dia, ela fica feliz. É uma troca muito gratificante”.

A ribeirão-correntense guarda na memória histórias de pessoas que passaram por ela. “Filha que perdeu o pai, passou chorando. A gente conversou, eu aconselhei. No outro dia, ela passou e agradeceu: ‘Nossa, as suas palavras me ajudaram muito’. Tem muitos outros casos”.

O público retribui o carinho recebido com presentes. Edma já ganhou rosas no Dia das Mulheres, além de sapatos de donos de fábricas da cidade. Inclusive, o material que ela utiliza para trabalhar atualmente é doado. “Me comprou essa bandeja e essas coisas, além de me ensinar como eu teria que fazer para vender mais. Outro rapaz, de vez em quando, ele passa e me entrega uma dessas caixinhas de Halls que vendo”.

Para conseguir vender nas ruas, a mulher acorda todos os dias às 4h30 para arrumar suas coisas – os produtos que venderá, guarda-chuva, roupa de frio e a alimentação do dia. Em seguida, pega carona com um rapaz que trabalha próximo ao semáforo onde ela fica.

Quem deseja encontrá-la, basta passar na avenida Rio Negro de segunda-feira a domingo, das 6h30 às 15 horas. “Acho que não viveria sem isso daqui. Tenho muitos amigos”, finaliza.

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Comentários

1 Comentários

  • PROFESSOR 18/06/2023
    Enquanto isso, os venezuelanos não tem a coragem de vender um amendoim, só ficam pedindo e se vitimizando.