O sonho de ter uma vida melhor, ganhar em dólar ou euro, construir um bom currículo ou uma boa carreira são algumas das motivações daqueles que escolhem morar fora do país. Mas essa não é uma tarefa fácil, a saudade da família, dificuldade no idioma e tradições diferentes, pode ser um grande desafio.
A estudante Sabrina de Freitas Pereira Oliveira tem 27 anos e há sete mora nos Estados Unidos. Ela é estudante na University of North Texas e, apesar de fazer parte da realização de um sonho, viver essa experiência, tudo foi ao acaso. “Nasci em Franca e morei minha vida quase toda em Cristais, uma infância simples, mas sempre tive sonhos grandes. Quando eu estava cursando direito em Franca com minha melhor amiga, Thabata, ela resolveu que iria fazer um intercâmbio. Apoiei ela desde o começo, mas as coisas tomaram novos rumos”, contou.
A amiga Thabata seguiu seu cronograma inicial, foi para os Estados Unidos e ficou no intercâmbio por um ano. “Ela fez o que planejou. No meio do processo, acabei me empolgando e decidi vir também. No processo, algumas pessoas muito importantes e fora da minha família me ajudaram. Mas contei também com o apoio do meu pai e da minha mãe. Por fim, a Thabata voltou e eu estou aqui há sete anos”, explicou.
Sabrina disse que nesse período vivenciou muita coisa e conheceu muitos lugares. “Desde pequena sempre amei basquete, joguei no Brasil quando pequena por cinco anos na minha cidade, embora eu seja baixinha. Na universidade aqui, tive a oportunidade de jogar basquete e isso foi incrível, afinal era o mais perto dos gigantes do basquete no mundo. Também viajei para várias cidades aqui na região. Só não realizei o sonho de conhecer a Europa, mas sei que vou chegar lá também”, declarou.
A vida fora do país teve grandes desafios. “Quando a Thabata foi embora e eu decidi ficar, fui mal interpretada por muitas pessoas da minha própria família, mas consegui. Permaneço aqui estudando e focada. Claro, que a angústia no começo por não conhecer o idioma, foi grande, aprendi o inglês no desespero, me sentia sozinha e a saudade é grande, mas Deus sempre me guiou e me deu forças”, disse a estudante.
Sabrina ainda deve terminar seus estudos no Texas, mas seus planos são voltar para o Brasil em breve. “Deus cuidou de tudo em todos os momentos. Sei que tudo o que vivi aqui foi incrível. Cada pessoa, cada experiência única. Mas espero logo, conseguir voltar para casa. A gente só percebe o quanto o Brasil é incrível, quando olha de fora. Eu vim de uma cidade com pouco mais de 8 mil habitantes e cheguei aqui nos Texas achando que seria uma cidade do interior, mas tudo é muito imenso aqui. E não vejo a hora de estar em solo brasileiro de novo”, finalizou.
A estudante Sabrina Freitas em Dallas, na rua onde o ex-presidente dos EUA John F. kennedy foi assassinado.
Futebol brasileiro em Portugal
Não é apenas para estudar que brasileiros se espalham pelo mundo, o talento em várias áreas levam os sul-americanos para muitos lugares. Esse foi o caso de Ruan Guilherme dos Santos Souza Ribeiro, de 25 anos. O jovem é jogador de futebol. Nasceu na Praia Grande, mas viveu em Franca com toda a sua família quase a vida toda. “Sou o filho mais novo de três irmãos, fui criado pela minha mãe e meu padrasto. Uma criação simples, mas desde novo corri atrás dos meus sonhos”, contou.
Ruan jogou futebol desde cedo e sempre teve o sonho de jogar futebol no velho continente. E a decisão de aceitar o desafio de embarcar para terras portuguesas contou com o apoio da esposa. “Conheci ela há 8 anos, estamos casados há 5,ela está no quarto mês de gestação e o apoio que tive dela foi incrível. Vamos completar no mês que vem um ano aqui, viemos em uma época em que nossa vida estava bem estável e ela aceitou arriscar tudo comigo e estamos construindo uma nova vida”, contou.
Além da esposa, outras pessoas foram importantes nas decisões de Ruan. “Desde pequeno eu viajava muito e me mudava para jogar nas categorias de base de futebol. Mas tenho quatro pessoas que se destacam nessa caminhada, o ex-jogador e ex-técnico da Francana, Edson Niquinha, ele jogou por 12 temporadas aqui em Portugal. Me deu muitos conselhos e força. A Eliana Garrocini, que também é de Franca, que se tornou minha representante e também é coach de desenvolvimento pessoal, me ensinou a me ressignificar. Ainda contei com o apoio do Gabriel Balieiro, dono da Balieiro Viagens, que me ajudou nesse embarque. E claro, o meu amigo empresário Alain Dantas, que mora na Alemanha, que me ajudou e me deu forças para vir para cá”, explicou.
No momento, Ruan faz parte do elenco da Sociedade Recreativa Catujalense em Lisboa, ainda não está competindo, mas espera conseguir entrar em campo oficialmente na próxima temporada. “Ainda não estou com contrato assinado, então só estou treinando até isso se resolver. Por isso, estou trabalhando com lavagem de automóveis, para garantir a renda. Trabalho durante o dia e treino à noite no clube. Mas espero que essa rotina mude e oficializem meu contrato para eu poder me dedicar mais ao futebol”, destacou.
Ruan disse que sua estadia em solo português foi complicada. Com 15 dias tiveram problema na casa onde moravam e foram expulsos. Mas agora já estão prestes a completar um ano fora. “Não é fácil morar no exterior, embora eu saiba lidar bem com a saudade, pois passei a infância viajando e me mudando por conta do futebol. Tenho planos de voltar para o Brasil, embora minha esposa prefira ficar por aqui. Portugal é um país encantador, muito limpo e organizado. Então vamos ficar por aqui e ver como tudo se ajeita e em uma oportunidade boa, talvez a gente retorne”, finalizou.
Ruan e sua mulher em Lisboa, logo que se mudaram.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.
Comentários
1 Comentários
-
Ma 22/05/2023Por mais matérias como esta! Que inspiração e motivação para os jovens da nossa cidade. É possível realizar sonhos, por mais difícil que seja e ainda com condições financeiras não favoráveis. Trabalho, dedicação, esforço e fé! Nunca desistam e sonhar não custa nada