Ala-pivô, de 2.04 metros e 110 quilos. Apenas 20 anos, mas com currículo de dar inveja em muitos medalhões. Não à toa, apenas nesta temporada, foi campeão Paulista, da Copa Super 8 e ajudou na conquista inédita da Basketball Champions League Americas (BCLA) pelo Sesi Franca Basquete. Na última semana, confirmou sua inscrição no draft da NBA (National Basketball Association). Prazer, Marcio Henrique da Costa Santos.
Para entender a ligação do Marcio com o basquete, é necessário voltar ao passado. Natural de Três Corações (MG), nos primeiros anos de sua vida morou em São Sebastião do Paraíso (MG). Aos 5 anos, se mudou para Sertãozinho (SP), em decorrência do trabalho de sua mãe. Em solo paulista, começou a fazer aulas de basquete em um projeto social e, aos 11 anos, já estava no time da cidade.
O tamanho, aliado à qualidade, fez com que o atleta passasse em duas peneiras: uma em Franca e outra em Limeira (SP). Por ser mais perto e pela tia vir fazer faculdade, a família Santos optou pelo Nordeste paulista.
Marcio jogou dois anos, em 2013 e 2014, pelo Instituto Aspa. Passado este período, começou a defender o Sesi Franca na LDB (Liga de Desenvolvimento de Basquete). Não demorou para o técnico Helinho Garcia chamá-lo para a equipe principal e cair no carinho do torcedor apaixonado.
“É uma felicidade, estou aqui já vai fazer sete a oito anos. Já considero aqui a minha casa. Desde que cheguei, a torcida sempre me abraçou, sempre me apoiou e me ajudou. Me sinto muito em casa, enquanto em quadra e na cidade”, afirma o jogador.
Com média de 8,8 pontos, 4,5 rebotes e 10,1 de eficiência, Marcio faz parte do elenco multicampeão que ostentou 46 vitórias consecutivas, feito inédito no basquete brasileiro. Segundo o atleta, não existe fórmula secreta para essa sequência vitoriosa.
“É histórico. Já participei de outros elencos, mas nunca teve um como esse. Outros eram muito bons, muito maduros, mas esse elenco é realmente uma família. Sempre que alguém está doente, sempre que alguém precisa de alguma coisa, todos estão ali prontos para apoiar e ajudar”, ressaltou.
Marcio está inscrito no draft da NBA. A seleção dos jovens talentos mundiais que integrarão a liga americana será no dia 22 de junho, na arena Barclays Center, onde o Brooklyn Nets manda suas partidas. “A NBA é sempre um sonho, acho que para qualquer jogador. Sempre tive essa vontade. Nos últimos dois anos, eu e meus agentes colocamos isso no planejamento”.
O jogador concorre a uma vaga entre os 60 selecionados no draft ao final desta temporada. O Sesi Franca Basquete busca selar a temporada dos sonhos com o bicampeonato do NBB (Novo Basquete Brasil). A equipe está nas quartas de final contra o Unifacisa.
“A gente chega confiante para chegar às finais e buscar sempre mais. Não vou dizer que a gente vai ser campeão, porque a gente nunca sabe o dia da manhã, mas é tudo o que a gente quer”, finaliza.
Na primeira partida da série melhor de cinco, disputada no Pedrocão nesse sábado, 29, o Sesi foi derrotado por 100 a 91 e viu encerrar a invencibilidade histórica.
Confira a entrevista completa que Marcio cedeu ao Portal GCN/Sampi:
GCN: Quando surgiu essa vontade de participar do draft da NBA?
Marcio: A NBA é sempre um sonho, acho que para qualquer jogador. Sempre tive essa vontade. Nos últimos quatro a cinco anos, já tinha isso na cabeça e tudo foi ocorrendo do jeito certo. Nos últimos dois anos, eu e meus agentes colocamos isso no planejamento e decidimos colocar o nome este ano.
GCN: Houve mudanças nos treinamentos e no dia-a-dia para chegar preparado no draft?
Marcio: O que mudou é que o nome está lá e precisamos nos preparar mais, mentalmente e fisicamente, se preparar e jogar melhor, fazendo sempre um pouco a mais. Mas, acho que tudo na vida continua normal. Sempre estou procurando mais para conseguir chegar lá.
GCN: Quais as principais diferenças que você aponta entre o basquete brasileiro e o americano?
Marcio: A principal diferença do nosso jogo para o deles é a velocidade, a tomada de decisão lá é muito mais rápida. A quantidade de posse de bola e o tempo de jogo é maior. Estou trabalhando um pouco nisso, correndo mais e buscando fazer as coisas mais rápidas.
GCN: Quais jogadores você aponta como os favoritos no draft?
Marcio: Acho que os dois, top 1 e top 2, são o Wembanyama (francês) e o Scoot Henderson (americano). São os dois mais falados.
GCN: Se você pudesse escolher, em qual time gostaria de jogar?
Marcio: Um time que sempre gostei foi o Lakers. Gosto muito de ver o time jogando, pela história que o Lakers tem. Sempre gostei do LeBron James. Se eu tiver a oportunidade de jogar ao lado dele, seria algo surreal.
GCN: A sequência de finais chegadas com o Sesi Franca Basquete contribui na sua preparação para o draft?
Marcio: Posso chegar mais amadurecido, com mais experiência. Chegar a finais e trabalhar com caras mais experientes, como trabalhamos todos os dias, você aprende coisas novas. Trabalho muito com David Jackson e ele me ensinou muita coisa, porque ele é americano. O jeito que ele já jogou e trabalhou lá são diferentes. Sempre busco aprender mais.
GCN: O clube e seus colegas de trabalho apoiaram em sua decisão? Como estão se portando?
Marcio: O clube junto com os meus agentes vêm sempre numa conversa, sempre numa balança para e gente e para o clube. A comissão e os jogadores são uma família e sempre falo isso. Eles me apoiam muito. Todo mundo ficou muito feliz, todo mundo me motivou muito: ‘vai dar certo, vamos te ajudar, vamos treinar e melhorar’. Todo mundo ajudando.
GCN: Você chegou a conversar com o Didi sobre o draft? Ele é uma inspiração para você?
Marcio: Não tive uma conversa sobre o draft, mas depois que ele foi (para os Estados Unidos), pegamos uma seleção juntos, trocamos bastante ideia sobre tudo. O Didi é um cara que jogou aqui. E sim, é uma motivação para todos nós brasileiros, porque não é uma vitória apenas para o jogador, mas para o país, porque é muito difícil de conseguir. É uma disputa muito grande. São 60 vagas para o mundo inteiro. Ele e o Gui Santos, que tenho mais amizade, são inspirações. Se eu puder abraço os dois e falo parabéns.
GCN: Como é para você estar representando a Capital do Basqute no draft da NBA?
Marcio: É uma felicidade, estou aqui já vai fazer sete a oito anos. Já considero aqui a minha casa. Desde que cheguei à torcida sempre me abraçou, sempre me apoiou e me ajudou. Me sinto muito em casa, enquanto em quadra e na cidade. Às vezes vou ao mercado e o torcedor: ‘o Marcio’. Vou à farmácia, sempre tem alguém. É uma motivação a mais, porque você sabe que a cidade está ali te apoiando e abraçando.
GCN: Com o passar dos dias, como está a expectativa com o draft?
Marcio: A expectativa está a mil. Conversei isso ontem com a minha família, com a minha namorada. A ansiedade um pouco de vamos, vamos e vamos. Sempre falo para eles de mantermos os pés no chão. A gente colocou o nome, mas ainda não conquistamos nada. Só vamos conquistar quando a gente chegar e lá e estar com o nome entre os 60.
Escrevendo o nome na história do clube
GCN: Como é para você participar deste elenco multicampeão do Sesi Franca Basquete?
Marcio: É histórico. Já participei de outros elencos, mas nunca teve um como esse. Outros eram muito bons, muito maduros, mas esse elenco é realmente uma família. Sempre que alguém está doente, sempre que alguém precisa de alguma coisa, todos estão ali prontos para apoiar e ajudar. Quando o filho do Lucas nasceu, todos estavam: ‘e aí? Como está seu filho?’. Querendo ver, querendo pegar e querendo brincar. A gente é uma família, como se fosse 15 irmãos. Acho que isso é o que mais fortalece a gente.
GCN: Como você avalia a chegada do time em todas as finais de campeonatos?
Marcio: Era outra meta da gente, chegar às finais de tudo, em todos os playoffs. Foi o que a gente conquistou. Agora estando nos playoffs, a meta é conseguir passar, chegar à semi e na final. A gente sempre quer mais.
GCN: O desgaste físico é realidade nesta fase final de temporada?
Marcio: Acho que estão todos muito alinhados, desde comissão técnica até jogadores. Acho que não tem isso de desgaste. Acho que está todo mundo fisicamente e mentalmente preparado. Às vezes um treina mais cansado, outro mais descansado. É tudo muito conversado, acho que vamos chegar com 100%.
GCN: Qual é a fórmula para tantas conquistas?
Marcio: Acho que não existe uma fórmula secreta. Uma coisa que eu poderia dizer é união e humildade, como principal.
GCN: Vocês estão confiantes para o bicampeonato do NBB?
Marcio: A gente chega confiante para fazer bons jogos. A gente chega confiante para chegar às finais e buscar sempre mais. Não vou dizer que a gente vai ser campeão, porque a gente nunca sabe o dia da manhã, mas é tudo o que a gente quer. A gente quer ganhar, a gente quer ser campeão. É o que está na nossa mente todo dia.
Sua trajetória
GCN: Como o basquete surgiu em sua vida?
Marcio: Nasci em Três Corações (MG), mas me mudei para São Sebastião do Paraíso (MG), quando tinha 2 anos. Aos 5 anos, me mudei para Sertãozinho (SP), porque minha mãe foi trabalhar. Em Sertãozinho, quando tinha entre 8 e 9 anos, comecei a fazer aula em um projetinho da cidade. Com 11 anos, fui para o time da cidade. Com 13 para 14 anos, fiz peneira em Limeira (SP) e aqui em Franca. Passei nas duas. Nisso, minha mãe resolveu vir para Franca, porque a minha tia, que é quase uma irmã para mim, passou na faculdade e a gente veio morar junto, porque era mais perto de casa. Minha família sempre me apoiou, minha mãe, meus avós. Sempre falaram: ‘se esse é seu sonho, vai e corre atrás. Se não der certo, sempre estaremos aqui para te ajudar’. O esporte sempre esteve presente na minha família. Minha mãe praticou vôlei, meu avô sempre praticou. Também sempre gostei. Já fiz de tudo, futebol e natação, mas o que eu realmente me encontrei foi no basquete, tanto pelo tamanho, quanto pela habilidade. Não tinha muita habilidade no futebol. Foi o que gostei e estou até hoje.
GCN: Como o basquete francano surgiu na sua vida e o que te proporcionou?
Marcio: Cheguei para jogar no (projeto de basquete) Aspa, onde joguei dois anos (2013 e 2014). Depois, já vim para o Sesi. Está sendo uma experiência legal, porque Franca é formador de atletas. Você pode ver que tem muito atleta que sai da cidade e se transforma em jogador. A maioria que não se transforma tem uma condição de vida boa, porque Franca te dá essa base. Foi uma coisa que Franca me ajudou muito, tanto dentro de quadra, quanto fora dela.
GCN: Quais são os seus prinicipais ídolos no esporte?
Marcio: Os meus principais ídolos no esporte é o LeBron James, porque é um cara histórico, sem dúvidas, para todo mundo. O David Jackson aqui de Franca, porque é um cara fora da média, com a disciplina e a dedicação que ele tem pelo esporte; e o Lucas Dias, que é um cara que levo como ídolo.
GCN: O que é o basquetebol para o Marcio?
Marcio: O basquete para mim é diversão e felicidade. É minha vida. Sem o basquete, não estaria onde estou. Não estaria em Franca e não sei o que estaria fazendo.
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